No adeus de Daniel Dias, o brilho de uma nova estrela | Diário do Porto


Nas esquinas de Tóquio

No adeus de Daniel Dias, o brilho de uma nova estrela

Hoje foi um dia histórico e triste para o esporte brasileiro. Daniel Dias deu suas últimas braçadas na maior competição paralímpica mundial

1 de setembro de 2021

Daniel Dias se despede como o maior atleta paralímpico brasileirol (Ale Cabral/CPB)

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Nas esquinas de Tóquio

Vicente Dattoli

Pode parecer heresia, mas no dia da despedida do maior atleta paralímpico da história do País e um dos maiores do mundo, falar-se de outra pessoa. Só que a vida é assim. Renova-se. Não para. Está em movimento. Neste dia 1º de setembro de 2021, Daniel Dias, 27 vezes medalhista paralímpico, nadou sua última prova em uma Paralimpíada. Foram os 50m livre, S5 (categoria intermediária nas deficiências funcionais). Infelizmente faltou o pódio.

Danielzinho ficou atrás de três chineses, que voaram na prova. Mesmo assim, o sorriso menino, tão característico de sua carreira, estava presente no adeus. Como também estiveram presentes os aplausos dos demais atletas, dos fiscais, de todos os presentes: afinal de contas, estava ali não apenas o maior nadador da história paralímpica do Brasil, mas um dos maiores do mundo. Na sua despedida em Tóquio, não veio ouro.

Danielzinho conquistou três medalhas de bronze. Pouco, muito pouco para quem só em Londres faturou seis medalhas de ouro de suas 14 em Paralimpíadas. Aliás, vale registrar: 14 medalhas de ouro, sete de prata e seis de bronze. De quebra, três Prêmios Laureus, o maior prêmio do esporte, como o melhor atleta paralímpico do mundo por três anos.

Como disse, faltou um ouro na despedida. Um pódio na última prova. Só que a vida não permite prolongar a tristeza. Os Jogos Paralímpicos são prova disso. E se o campineiro Danielzinho diz adeus, temos a pernambucana Carol Santiago surgindo de forma arrebatadora.


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Nasce uma estrela

Com 36 anos, a pernambucana de Caruaru já faturou três medalhas de ouro nesta que é sua primeira Paralímpiada. Um início arrasador! Carol venceu os 100m peito, os 100m livre e os 50m livre, além de ter faturado bronze nos 100m costas e prata no revezamento misto 4x100m livre.

Carol Santiago caiu na água é ouro. Foram três douradas em Tóquio (Ale Cabral/CPB)

Sem falar que quebrou um jejum de 17 anos da equipe feminina sem ouro. É assim… Sai de cena Daniel Dias, vem com tudo Carol Santiago.

E num dia de tanta emoção, um registro que nada tem a ver com o Brasil. No pódio do arremesso de peso feminino, o ouro ficou com a russa Galina Lipatnikova. Na hora do hino, sem poder ouvi-lo, sem ver sua bandeira, Galina chorou. Não por sua culpa, mas ela pagou e sofreu por isso.


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