No 1º de Maio, Rio tem atos de governistas contra o STF | Diário do Porto


Justiça

No 1º de Maio, Rio tem atos de governistas contra o STF

Manifestações da extrema direita atacam instituições e lançam ao Senado deputado condenado pelo STF e indultado pelo presidente. Rodrigo Pacheco reage

1 de maio de 2022

Manifestantes governistas e contrários ao STF em ato em Copacabana (Reprodução Twitter)

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Um Primeiro de Maio fora do normal. A data, consagrada ao Dia dos Trabalhadores em todo o mundo, este ano também foi marcada, no Brasil, por manifestações de extrema direita contra instituições democráticas, especialmente o Judiciário. Em Copacabana e Niterói, os atos contaram com a presença do deputado federal Daniel Silveira (PTB), que teve sua candidatura ao Senado defendida pelos manifestantes.

Daniel foi condenado à prisão por fazer apologia do Ato Institucional 5. O AI-5 marcou a fase mais cruel da ditadura militar no Brasil, com tortura e morte de integrantes da oposição. Daniel Silveira foi preso em fevereiro do ano passado também por defender intervenção militar e ofender membros do STF, instância máxima da Justiça no país.

Armas e prisão

O parlamentar só não está preso porque recebeu um indulto do presidente Jair Bolsonaro, seu aliado e amigo. Ele também parou de usar tornozeleira eletrônica e defendeu, no ato em Copacabana, a liberdade do que chamou de “presos políticos”, como o ex-deputado Roberto Jefferson. Este foi condenado à prisão por integrar uma milícia digital contra a democracia. Incitou a população a invadir o Senado, fez vídeos exigindo armas e foi apontado pela Polícia Federal como autor de crimes de homofobia e racismo.

O presidente da República mandou um vídeo aos manifestantes de São Paulo com frases de apelo religioso, mas não apresentou propostas relacionadas ao Dia dos Trabalhadores. Em várias cidades, nos atos governistas, os manifestantes empunharam cartazes e fizeram discursos pedindo intervenção militar e contra o Judiciário, a imprensa e partidos de esquerda.

Os tradicionais atos do Primeiro de Maio, em homenagem aos trabalhadores, também foram realizados. Em muitas cidades do país, tornaram-se atos pró-candidatura do ex-presidente Lula. Ele participou da manifestação em São Paulo. No Rio, a manifestação foi no Aterro do Flamengo.

 


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O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, em seu perfil no Twitter, classificou os atos como “ilegítimos, antidemocráticos” e “anomalias graves que não cabem em tempo algum”. Pacheco comentou que eles visam “ofuscar a essência da data”, que sempre foi “marcada por reinvidicações dos trabalhadores brasileiros”.

Já o presidente da Câmara, Arthur Lira, não se manifestou sobre o teor golpista dos atos pró-governo. Na quinta-feira passada, dia 28, no entanto, ele reagiu aos recentes ataques do presidente Bolsonaro às eleições. O processo eleitoral brasileiro, segundo Lira, é uma referência. “Pensar diferente é colocar em dúvida a legitimidade de todos nós, eleitos, em todas as esferas. Vamos seguir — sem tensionamentos — para as eleições livres e transparentes”, escreveu o deputado no Twitter.