Turismo

‘Não sou mulher de perder luta’, diz secretária de Cultura

Nilcemar Nogueira aposta que Prefeitura do Rio ganhará batalha judicial para Ação da Cidadania desocupar imóvel que sediará Centro de Interpretação do Cais do Valongo a partir de 2020

22 de novembro de 2018
Imóvel ocupado pela Ação da Cidadania fica em frente ao Cais do Valongo (Foto: Michel Filho / Prefeitura do Rio)

Compartilhe essa notícia em sua rede social:
Imponente armazém sedia a ong Ação da Cidadania (Foto: Rosayne Macedo)

Se depender de garra da secretária municipal de Cultura, a Prefeitura do Rio sairá vitoriosa da batalha judicial contra a ONG Ação da Cidadania para desocupar o imóvel escolhido para sediar o Centro de Interpretação do Cais do Valongo.

“Não sou mulher de perder luta. Quem viver verá”, disse Nilcemar Nogueira ao DIÁRIO DO PORTO, apontando para o imponente prédio que fica em frente ao monumento tombado como patrimônio mundial da Humanidade.

O título, concedido em julho de 2017, será oficialmente entregue pela Unesco ao prefeito Marcelo Crivella nesta sexta-feira (23),  no Museu de Arte do Rio (MAR).

Nilcemar lançou o desafio na quarta-feira (21), durante a cerimônia de lançamento da pedra fundamental das obras de conservação do Cais do Valongo, que serão patrocinadas pelo governo americano.

Ela ainda anunciou que em 2019 será inaugurada a nova sinalização do sítio arqueológico, com iluminação cênica do entorno da região conhecida como Pequena África.

Já o Centro de Interpretação será entregue em 2020, garantiu. No local, segundo ela, será possível entender melhor o que representa o Cais do Valongo para a memória mundial da escravidão.

Procurada pelo DIÁRIO DO PORTO, a Ação da Cidadania não se manifestou.

Confira a entrevista de Nilcemar ao DIÁRIO DO PORTO:

 

VEJA MAIS:

Cais do Valongo receberá quase R$ 2 milhões dos EUA

Cais do Valongo será fechado para obras

Cais do Valongo ganhará iluminação cênica

No meio do imbróglio envolvendo a Prefeitura e a Ação da Cidadania, está o Armazém Docas Dom Pedro II, um prédio construído no século 19 e ocupado pela ong criada pelo sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, há 20 anos.
O imóvel foi cedido para receber o Centro de Interpretação do Cais do Valongo, onde os visitantes poderão saber mais detalhes sobre a história do maior porto escravagista das Américas. Calcula-se que quase um milhão de negros africanos desembarcaram ali.

ENTENDA:

Movimento negro pressiona para tirar Ação da Cidadania de galpão

Ação da Cidadania fica em galpão até conclusão de centro cultural

Um ano como patrimônio cultural da Humanidade

Projetos para a Pequena África

O título de Patrimônio Mundial para o Sítio Arqueológico Cais do Valongo será entregue nesta sexta, a partir das 10h, na abertura do Seminário Internacional Cais do Valongo, Patrimônio Mundial – Desafios da Gestão e Interpretação”. O evento vai apresentar os resultados do projeto de gestão para o Cais do Valongo, que vem sendo desenvolvido ao longo do último ano.

Serão ainda discutidos os desafios de Museus de Memória Sensível, como são conhecidos os patrimônios mundiais ligados a grandes genocídios da história. Serão discutidos ainda projetos e iniciativas para a Pequena África, território que inclui locais e instituições como o Instituto dos Pretos Novos (IPN), Pedra do Sal e Remanescentes de Tia Ciata.

A titulação será entregue pela diretora e representante da Unesco no Brasil, Marlova Noleto, a Crivella, que estará acompanhado da secretária Nilcemar Nogueira. Também devem participar da cerimônia a presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) Kátia Bogéa; e a representante da Secretaria de Estado de Cultura Verônica Nascimento.

Movimento negro marca presença

Representantes de instituições da Pequena África e do movimento negro participam da cerimônia, como o presidente da Fundação Palmares, Erivaldo Oliveira; o presidente do Conselho Estadual dos Direitos do Negro, Luiz Eduardo Negrogun, e a presidente do Conselho Municipal de Defesa dos Direitos do Negro, Fátima Malaquias.

Outros convidados são Merced Guimarães dos Anjos, do Instituto Pretos Novos;  Damião Braga dos Santos, da Associação de Remanescentes do Quilombo da Pedra do Sal; Carlos Roberto da Silva, da Associação Cultural Recreativa Afoxé Filhos De Gandhi; Giovanni da Conceição Harvey, da Incubadora Afro – Brasileira; Rubem Confete, do Centro Cultural Pequena África; Elisa Larkin Nascimento, do Instituto de Pesquisa e Estudos Afro-Brasileiros; e Gracy Mary Moreira Da Silva, da Organização Cultural Remanescentes de Tia Ciata.

Da Redação, com Prefeitura do Rio

Compartilhe essa notícia em sua rede social: