Na Paralimpíada, um Brasil que dá certo | Diário do Porto


Nas esquinas de Tóquio

Na Paralimpíada, um Brasil que dá certo

O Brasil vai empilhando ouros na Paralimpíada. O mais comemorado deles foi o de Petrúcio Ferreira, o sertanejo voador, nos 100 metros rasos

27 de agosto de 2021

Petrúcio Ferreira comemora ouro e recorde paralímpico nos 100m rasos ( Ale Cabral/CPB)

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Nas esquinas de Tóquio

                                                                    Vicente Dattoli

Já dizia Euclides da Cunha que o sertanejo é, antes de tudo, um forte. Só com força é capaz de resistir às agruras do seu meio. Se tiver algum tipo de necessidade especial, então… Pois foi um sertanejo, vindo lá da Paraíba, de São José do Brejo da Cruz, que mais uma vez provou a veracidade dos ditos pelo grande autor de “Os Sertões”.

Petrúcio Ferreira dos Santos foi ouro nos 100m rasos nas Paralimpíadas de Tóquio. Não, o nosso mestre-sala (ele participou da cerimônia de abertura ao lado da atleta da bocha Evelyn Oliveira conduzindo nossa bandeira) Petrúcio não é apenas campeão, não.

Ele é bicampeão – no Rio, em 2016, também fora o vencedor – e, de quebra, ainda bateu o recorde paralímpico (10s53). Só para valorizar ainda mais o grande atleta que é, vou lembrar que possui também o recorde mundial (10s42).  É ou não é um forte?

E o pódio dos 100m ainda teve mais Brasil, com Washington Junior levando o bronze. Demais! Não se pense, porém, que a madrugada de medalhas do Brasil ficou apenas nisso, não. Na realidade, a “chuva” de pódios começou ainda na noite de quinta-feira, com uma emocionante vitória de Yeltsin Jacques nos 5.000m.

E para quem pensa que uma prova de longa distância, de fundo, como se diz no jargão do atletismo, não tem emoção, procure os vídeos para ver o que foi o triunfo de Yeltsin. Na última volta ele estava em segundo lugar, atrás do atleta japonês, e deu um sprint digno de um corredor de velocidade – tipo Petrúcio.

Ali começou a maratona (perdoem o trocadilho ligado ao atletismo) de conquistas no atletismo. Com 5,00 m cravados, Silvânia Costa tornou-se bicampeã paralímpica no salto em distância. Uma conquista e tanto para quem, depois do ouro no Rio, foi punida por doping (deficiente visual, ela alegou ter recebido um suplemento incorreto, mas foi punida mesmo assim) e, em Tóquio, queimou suas duas primeiras tentativas.


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E dá-lhe medalha para o Brasil

Para não ficar chato, e tentando não esquecer ninguém, preciso registrar as medalhas de ouro de Wendell Belarmino nos 50m livre (não estranhem se parecer que uma ou outra prova já foi citada… são diversas classificações); de prata de Gabriel Bandeira nos 200m livre; de bronze de Carol Santiago nos 100m costas… Fora os esportes que já estão com algum pódio assegurado, mas ainda não tivemos as finais.

Permitindo-me a heresia de discordar de Euclides, não é apenas o sertanejo que é um forte. O brasileiro, todo brasileiro, é um forte – e o esporte paralímpico prova isso. Quem possui necessidades diferenciadas não atrapalha nunca. Só nos faz ter consciência que todos precisamos de carinho e atenção. Sempre!


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