Museu não tinha brigada de incêndio, nem seguro para acervo | Diário do Porto


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Museu não tinha brigada de incêndio, nem seguro para acervo

A informação é da vice-diretora Cristiane Serejo, ao garantir que o Museu já está se organizando para retomar as atividades de pesquisa e pós-graduação no horto botânico, que fica num prédio anexo e não foi atingido pelo fogo. Profissionais também já buscam maneira de recompor parte do acervo perdido.

4 de setembro de 2018

Incêndio consumiu Museu Nacional por mais de 7 horas (Foto: Tânia Rego/Agência Brasil)

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Incêndio consumiu Museu Nacional por mais de 7 horas (Foto: Tânia Rego/Agência Brasil)

O Museu Nacional do Rio de Janeiro não contava com brigada de incêndio, nem seguro para o acervo. A informação é da vice-diretora do museu, Cristiane Serejo, ao garantir que o já está se organizando para retomar as atividades de pesquisa e pós-graduação no horto botânico, que não foi atingido pelo fogo e fica num prédio anexo. Os profissionais também já buscam maneira de recompor parte do acervo perdido.

“Nós estamos recebendo várias ofertas de doações. Têm várias instituições estrangeiras, inclusive. Então, a gente vai fazer toda essa campanha para receber o material para a gente reerguer o Museu Nacional com as coleções”, informou a vice-diretora ao completar: “Esse é um momento de clamor público”.

O prédio principal do museu continua interditado pela Defesa Civil municipal por causa dos riscos de desabamento na parte interna após o incêndio no último domingo (2). Apesar disso, funcionários da instituição, acompanhados por bombeiros, conseguiram resgatar várias peças e objetos encontrados em meio aos escombros do Museu Nacional.

Foram recuperados, por exemplo, pedaços de cerâmica, meteoritos, um quadro do Marechal Cândido Rondon, idealizador do Parque Nacional do Xingu, além de ossos como um crânio humano que pode ser o de Luzia, o fóssil humano mais antigo descoberto no continente. Todo o acervo encontrado será analisado por profissionais do Laboratório de Conservação do museu e pela Polícia Federal.

Agentes técnicos da Polícia Federal já estão no museu, mas o trabalho de perícia para identificar as causas do incêndio só será iniciado quando o prédio for liberado pela Defesa Civil. Depois disso, uma empresa especializada será contratada para entrar nos escombros junto com profissionais do museu para tentar resgatar peças que não tenham sido consumidas pelo fogo.

Prédio anexo e Horto Botânico estão preservados

O incêndio que destruiu grande parte do acervo do Museu Nacional não atingiu o prédio anexo e o Horto Botânico, preservando importantes coleções, de acordo com pesquisadores. O fato de ser no subsolo contribuiu para que o fogo não atingisse esse prédio anexo.

Localizado ao lado do Palácio do Museu Nacional, em pavimento subterrâneo, o anexo abriga a coleção de invertebrados, que inclui material de crustáceos, esponjas e a coleção de corais do museu.

Em outro espaço de 40 mil metros quadrados, situado dentro da Quinta da Boa Vista,chamado Horto Botânico, está a Biblioteca Central do museu, os departamentos de Botânica e de Vertebrados, além de prédios de salas de aula e que guardam também a coleção de herbários, considerada uma das maiores da América Latina, com 550 mil itens.

No Departamento de Vertebrados, estão cerca de 460 mil itens, como mamíferos, peixes, aves, entre outros. Na Biblioteca Central, estão guardados 500 mil títulos, dos quais 1.560 são consideradas obras raras.

“Toda essa parte do anexo ficou intacta. As coleções de invertebrados desse anexo ficaram intactas. Uma das coleções de insetos se salvou nesse anexo. Vertebrados, invertebrados, o herbário com quase 500 mil itens, além de mais de 500 mil exemplares de livros. Alguns meteoritos também foram achados. Alguma coisa de geologia e paleontologia também”, informou Cristiane Serejo.

Balanço das perdas ainda não é possível, diz Museu

Em nota divulgada esta tarde, a direção do Museu Nacional lamentou não poder confirmar ainda o que pode ou não ser salvo. “Sabemos que os danos foram imensos, mas ainda consideramos cedo para qualquer balanço ou diagnóstico. É importante lembrar que o Corpo de Bombeiros ainda atua no prédio e a Polícia Federal faz a perícia. Apesar da gravidade do incêndio, a esperança é enorme de encontrarmos, e recuperarmos, peças importantes para a história do Brasil e do mundo”.

De acordo com a nota, tanto a direção do museu, como seus professores, pesquisadores e funcionários “não têm medido, e não medirão, esforços para manter a instituição viva, atuante e funcionando como um dos mais importantes centros de ciência do mundo”.

A direção do Museu também agradeceu às milhares de mensagens e manifestações de apoio vindas da população do Rio de Janeiro e de todo o mundo. “Todo esse carinho só vem comprovar, mais uma vez, o lugar de destaque ocupado por nossa instituição junto à sociedade”, afirmou.

A direção mencionou também o apoio do Ministério da Educação que anunciou na segunda-feira (3) a liberação de R$ 10 milhões para a adoção de medidas emergenciais para a segurança do palácio, sede do Museu Nacional, e de R$ 5 milhões para a elaboração do projeto executivo de recuperação do equipamento.

“Agradecemos ainda à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), por meio do reitor Roberto Leher, que, de forma incansável, não tem medido esforços na busca de caminhos, soluções e financiamento para a instituição”.

Museu é interditado por tempo indeterminado

Dois dias após o incêndio que destruiu 90% do acervo do Museu Nacional no Rio de Janeiro, a Defesa Civil municipal emitiu laudo mantendo a interdição do prédio. O local foi residência oficial da família real portuguesa, ocupado por D. João VI, D. Pedro I e D. Pedro II.

Pesquisadores e especialistas defendem que parte do trabalho seja acompanhada por eles, pois há peças e obras raras no local que devem ser retiradas de acordo com normas específicas para evitar danos.

Ainda não há informações sobre o período em que o edifício ficará sob interdição. Aparentemente duas áreas grandes do prédio foram destruídas pelo fogo, sobraram anexos e dois telhados do edifício principal.

No entanto, análises preliminares mostram que as esculturas, encomendadas por D. Pedro II e que ficam no alto do prédio, parecem pouco afetadas pela tragédia.

A Polícia Federal, que comandará as apurações das causas do incêndio, determinou a instauração de um inquérito. O Museu Nacional é patrimônio da União.

Fonte: Agência Brasil


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