Turismo

Museu Nacional exibe parte de seu acervo ao público

Tendas montadas em frente ao prédio centenário que foi parcialmente destruído por um grande incêndio há duas semanas exibiram a chamada coleção didática

16 de setembro de 2018
Museu Nacional exibe parte de seu acervo educativo e didático ao público, no parque da Quinta da Boa Vista.

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Museu Nacional exibe parte de seu acervo educativo e didático ao público, no parque da Quinta da Boa Vista (Tânia Rêgo/Agência Brasil)

O Museu Nacional exibiu neste domingo (16) uma pequena parte de seu acervo ao público na Quinta da Boa Vista, no bairro imperial de São Cristóvão, Zona Norte do Rio. Tendas montadas em frente ao prédio centenário que foi parcialmente destruído por um grande incêndio exibiram a chamada coleção didática, que antes era usada em mostras itinerantes do museu e emprestada para escolas.

Essa foi a primeira vez que o Museu Nacional apresentou sua coleção didática ao público desde o incêndio ocorrido em 2 de setembro, O local que destruiu 90% do acervo que reunia 20 milhões de peças. Visitantes da Quinta da Boa Vista, parque municipal onde se localiza o museu, tiveram a oportunidade de ver e tocar em animais empalhados, ossos de animais, amostras de rochas e insetos.

“Nosso objetivo é estar aqui todo domingo e manter essa relação com a população, em permanente contato com o público que frequenta a Quinta da Boa Vista”, disse a educadora museal Andrea Costa.

Aline Souza, que mora perto da Quinta, aproveitou a exibição para mostrar as peças ao filho de 5 anos, que não teve a oportunidade de conhecer o museu antes do incêndio. “Meu filho chorou quando soube do incêndio porque ele nunca tinha vindo no museu. E a gente mora aqui do lado, deixou o museu queimar para depois vir”, lamentou.

“O Museu Nacional está vivo e, dentro das circunstâncias que vivemos, estamos nos adaptando para mostrar à população o que estamos fazendo e trazer a população para junto da instituição neste momento tão difícil”, disse o diretor do Museu Nacional, Alexander Kellner. Ele informou que pretende instalar um contêiner em frente ao prédio para dar informações à população sobre a reconstrução da instituição.

Museu Nacional exibe parte de seu acervo educativo e didático ao público, no parque da Quinta da Boa Vista (Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Recuperação do museu

Alexander Kellner afirmou também é preciso esperar a conclusão da estabilização estrutural do edifício atingido pelas chamas no último dia 2 para iniciar o trabalho de resgate do acervo que ainda está dentro do prédio. A garantia da estabilização das estruturas é importante também para que a Polícia Federal conclua sua perícia, segundo Kellner.

“Ainda tem acervo lá dentro que a gente não sabe como está. Mas estou com grandes esperanças [de encontrar itens não afetados pela tragédia]”, afirmou o diretor.

Ele espera que ainda seja possível incluir uma emenda parlamentar para o Museu Nacional no Orçamento da União de 2019. “Para que haja uma quantia vultosa e a gente possa reerguer pelo menos a parte estrutural, que a gente consiga fazer aquelas primeiras obras, como o teto permanente, tubos, cabos, enfim tudo aquilo que um prédio precisa”, disse.

Segundo o diretor, museus e governos de outros países têm entrado em contato com o Museu Nacional para oferecer ajuda. “O que a gente pede enquanto museu é: não nos deem dinheiro, nos deem acervos. Só que nós temos que merecer esse acervo, ter as condições não só dignas mas excepcionais para cuidar desse acervo e nunca mais uma tragédia dessa aconteça”, disse.

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Museu Nacional começa a receber cobertura para evitar danos da chuva (Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Cobertura começa a ser colocada

No sábado (15) a direção do Museu Nacional iniciou a cobertura de áreas do edifício para proteger o acervo sob os escombros de outros danos, como água da chuva. A reitoria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) também vai contratar uma empresa que garantirá a cobertura da área total dos escombros, ainda nos próximos dias.

Em seguida, a universidade iniciará, com auxílio de guindastes, a instalação de um telhado metálico com cerca de 5 mil metros quadrados. Esse trabalho será acompanhado por engenheiros e especialistas de diversas áreas da UFRJ, com apoio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e técnicos da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco).

O Ministério da Educação liberou R$ 10 milhões para ação emergencial na segurança do prédio do Museu Nacional, que teve grande parte de seu acervo destruído pelas chamas.

De acordo com a UFRJ, a universidade recebeu uma estrutura pré-fabricada (módulo adaptado de contêiner), onde trabalharão os peritos da Polícia Federal, que investigam o que provocou o incêndio. Até o momento, não foram determinadas as causas do fogo que destruiu o prédio principal.

Campanha para manter o museu vivo

Na quinta-feira (13), o reitor da UFRJ, Roberto Leher, e o diretor do Museu, Alexander Kellner, reuniram-se com uma comissão da Unesco. No encontro, eles discutiram como vão agir em conjunto para reconstruir o Museu Nacional.

Ao longo da semana passada, o Museu Nacional manteve aulas, defesas de teses, cursos de especialização e outras atividades, muitas delas no Horto da instituição, também localizado na Quinta da Boa Vista.

A UFRJ lançou também na semana passada a campanha Museu Nacional Vive, com o objetivo de mostrar que a instituição está em atividade, já que as pesquisas, aulas de pós-graduação e ações de extensão serão mantidas, e que aproximadamente 2 milhões de peças do acervo continuam preservadas.

As coleções intactas ainda colocam o Museu Nacional entre as instituições mais importantes da América Latina.

Prédio é desinterditado para reparos

O prédio do Museu Nacional será desinterditado apenas para serviços de prevenção e estabilização do edifício. A decisão foi divulgada na sexta-feira (14) pela Subsecretaria de Proteção e Defesa Civil do Rio (Subpdec), vinculada à Secretaria Municipal de Ordem Pública.

A Subpdec informou em nota que a Universidade Federal do Rio de Janeiro assumirá responsabilidade técnica. “Uma equipe de engenheiros da Universidade Federal do Rio de Janeiro assumiu a responsabilidade técnica – condição determinante para a desinterdição – e, a partir de agora, fica encarregada de serviços emergenciais, de prevenção e estabilização da edificação”, diz o texto.

O edifício estava interditado desde o incêndio, por causa do risco de desabamento da estrutura interna. A equipe de engenheiros da UFRJ vai fazer obras de contenção dos escombros. Nesta etapa serão iniciadas as buscas a restos do acervo que tenham escapado do incêndio.

Porém, de acordo com assessoria de imprensa da UFRJ, o prédio do Museu Nacional permanece interditado pela Polícia Federal até que seja concluído o processo para aquisição de lona de cobertura que vai proteger o acervo que estiver sob os escombros. A UFRJ planeja a compra de uma estrutura maior, que vai cobrir todo o prédio de 5 mil metros quadrados.

Os trabalhos no local são conduzidos pela reitoria da UFRJ, direção do Museu Nacional, pelo escritório técnico da universidade e por uma comissão independente com profissionais do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe/UFRJ) que vai atuar na perícia.

Fonte: Agência Brasil

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