Semana de Design no MAM homenageia Museu Nacional

Pilotis do Museu de Arte Moderna do Rio, que já sofreu um incêndio em 1978, recebe instalações de imagens do museu e mensagens de esperança suspensos em painéis sobre um tapete fotográfico que representa carvão em brasa. Visitas são gratuitas até dia 16

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Museu Nacional do Rio de Janeiro continua interditado pela Defesa Civil após ter sido destruído por um incêndio (Foto: Tânia Rego/Agência Brasil)

O Museu Nacional – que sofreu um incêndio no último dia 2 – será homenageado durante a semana de design marcada para começar nesta quinta-feira (13) no Rio de Janeiro, em outro museu que passou por uma situação parecida, há 40 anos: o Museu de Arte Moderna do Rio (MAM Rio). Em 1978, o MAM teve a maior parte do seu acervo destruído pelas chamas, prejuízo que hoje enfrenta o museu mais antigo do país.

Até o dia 16 de setembro, o público poderá conferir gratuitamente no pilotis do MAM – localizado no Parque do Flamengo, entre a Marina da Glória e o Aeroporto Santos Dumont – a homenagem preparada pelo escritório Crama Design e pela empresa FullWorks, que instalaram imagens do museu e mensagens de esperança suspensos em painéis sobre um tapete fotográfico que representa carvão em brasa.

O CEO da Crama Design, Ricardo Leite, explicou que a ideia partiu de um convite da subsecretária estadual de comércio e serviços, Dulce Ângela Procópio, para que o escritório ocupasse uma área de 25 metros quadrados na exposição, que é realizada pelo jornal ‘O Globo’ e pela revista ‘Casa&Jardim’.

Em meio à comoção com a tragédia, os designers tiveram de terça-feira da semana passada até esta quarta-feira (12) para elaborar todo o processo de criação, testes e montagem da exposição, executada pela FullWorks.

“O próprio MAM mostra como você sobrevive a isso, e a gente espera que o Museu Nacional seja reerguido das cinzas”, torce Ricardo. “A gente quis passar uma mensagem otimista. Não é uma mensagem de crítica, embora, inevitavelmente, exista uma crítica”, afirma Leite.

A obra usa fotos de pessoas que colaboraram com o escritório de design cedendo as imagens que registraram suas visitas ao museu. Há também uma foto da fachada do museu, que já foi a residência da família imperial brasileira.

Além de resgatar a memória do Museu Nacional, os designers convidam o público a visitar outros museus da cidade, informando o endereço e horário de funcionamento desses espaços culturais.

“Cada um de nós, como sociedade, tem a nossa contribuição a dar. Temos nosso poder e nossa obrigação de zelar pela cultura, pela ciência e pela pesquisa”, destaca.

Semana Design Rio em outros espaços

Com patrocínio do Sebrae e Casa Shopping, a Semana Design Rio reúne nomes importantes do design, das artes plásticas e da decoração, em uma série de exposições, oficinas, workshops e bate-papos.

Uma das atrações é a feira de arte contemporânea Artigo Rio Múltiplos, que apresenta cerca de 200 pinturas, esculturas, gravuras e fotografias de artistas jovens e nomes consagrados, como Andy Warhol, Vik Muniz, Beatriz Milhazes e Jeff Koons. As obras estarão em exposição e à venda.

Outros espaços que merecem atenção são o Mercado Design Rio, que reúne 12 expositores de móveis, utensílios, produtos e joias; o Rio+Design, que exibe obras de nomes do design brasileiro, como Ricardo Graham (O Ebanista); e o Espaço Sebrae, totalmente dedicado a peças do grupo Oitis55, coletivo formado por 50 designers de 21 empresas cariocas.

Outros espaços da cidade participam da Semana: os distritos criativos, com exposições, shows e gastronomia em uma programação paralela. A antiga fábrica de chocolate Bhering, no Santo Cristo, tem mostras nos cinco andares, food-trucks, show da banda Daniel Santos Grooves Latin e o DJ Flávio.

Os outros distritos são o Centro Sebrae de Referência do Artesanato Brasileiro (Crab) e o Centro de Artes Hélio Oiticica, na Praça Tiradentes, o Centro de Design Carioca, no Centro, o Istituto Europeo di Design (IED), na Urca.

Museu de Arte Moderna: Av. Infante Dom Henrique 85, Aterro do Flamengo. Sex a dom, a partir das 14h30m.

Centro Sebrae de Referência do Artesanato Brasileiro (Crab): Praça Tiradentes 67 a 71, Centro. Ter a sáb, das 10h às 17h.

Bhering: Rua Orestes 28, Santo Cristo. Sex, das 9h às 19h. Sáb, do meio-dia às 19h. Dom, do meio-dia às 18h.

Istituto Europeo di Design (IED): Av. João Luis Alves 13, Urca. Seg a sex, das 11h às 21h. Sáb, das 9h às 17h.

Centro de Artes Hélio Oiticica: Rua Luis de Camões 68, Praça Tiradentes, Centro. Seg a sáb, do meio-dia às 18h.

Centro de Design Carioca: Praça Tiradentes 48, Centro. Sex e sáb, das 10h às 19h.

Especialistas internacionais atuam na recuperação

Uma especialista ligada à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e outro vinculado ao Centro de Estudos sobre a Preservação e Restauração de Bens Culturais (Iccrom) começam a trabalhar no Rio de Janeiro nesta quinta-feira (13), quando terão uma reunião técnica. Inicialmente, farão uma avaliação das emergências para as ações de reconstrução e restauração do Museu Nacional.

Os especialistas têm vasta experiência na área de restauro, considerando que 90% dos 20 milhões de itens do museu foram destruídos pelo fogo do último dia 2. A chefe da missão da Unesco, Cristina Menegazzi, é responsável, desde 2014, pelo Programa de Salvaguarda de Emergência do Patrimônio Cultural Sírio, no escritório da entidade em Beirute, no Líbano.

Um incêndio de proporções ainda incalculáveis atingiu, no começo da noite deste domingo (2), o Museu Nacional do Rio de Janeiro, na Quinta da Boa Vista, em São Cristóvão, na zona norte da capital fluminense
Incêndio que atingiu o Museu Nacional destruiu 90% do acervo – Arquivo/Tânia Rêgo/Agência Brasil

 

Doutora em Gestão de Risco de Desastres do Patrimônio Cultural pela Universidade de Viterbo-Roma, na Itália, Menegazzi atua há mais de 25 anos na área de patrimônio cultural, com foco em conservação e preservação de coleções, práticas de museus, desenvolvimento de projetos, políticas e pesquisas estratégicas, planejamento cultural, gestão de equipes e projetos, bem como na captação de recursos.

Bacharel em História da Arte pela Universidade de Bolonha, a especialista da Unesco tem mestrados em Conservação Preventiva do Patrimônio Cultural pela Universidade Sorbonne (Paris), em Gestão e Conservação de Museus pela escola estatal francesa (Institut National du Patrimoine) e em Arte Contemporânea pela Universidade de Bolonha. 

Outro integrante é José Luiz Perdessoli Junior é gestor de projetos de conservação de coleções do Iccrom, na Itália. Tem experiência nas áreas de gestão de risco ao patrimônio cultural, de ciência de materiais aplicada à preservação de bens culturais (mais especificamente de coleções em papel e materiais relacionados), de princípios científicos para a conservação e de processos de tomada de decisão para conservação do patrimônio.

Perdessoli é graduado em Química pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e mestre em Química de Polímeros, com ênfase nas aplicações na área de conservação de patrimônio, pela Universidade de Helsinque (Finlândia). 

Especialistas da França

O governo francês enviará quatro especialistas na área de museus ao Rio de Janeiro, para apoiar o governo brasileiro na estruturação de ações de salvaguarda do Museu Nacional e seus acervos. O anúncio foi feito pela ministra da Cultura da França, Françoise Nyssen, durante encontro com o ministro da Educação do Brasil, Rossieli Soares, nesta quarta-feira, 12, em Paris.

“Reafirmo a solidariedade do governo da França com o Brasil, pelo incidente do incêndio do Museu Nacional, no Rio de Janeiro”, disse Nyssen. “Vamos colocar nossa rede de especialistas que podem e devem ajudar o Brasil nesse processo, a médio e longo prazo”, destacou a ministra da cultura da França.

O ministro Rossieli relatou sobre o encontro com o diretor do Museu do Louvre, Jean-Luc Martinez, na última segunda-feira, 10. “Na ocasião, expus ao diretor Martinez que, no processo de reconstrução e recuperação do Museu Nacional, ter um projeto em que possamos ter uma ala com acervo do Louvre, seria de uma magnitude sem precedentes”, destacou.

Para o ministro Rossieli Soares, contar com o apoio do governo da França, que é um dos países com maior expertise em museus na atualidade, é uma das melhores formas para se reconstruir o Museu Nacional. “O governo francês poderá nos ajudar de muitas formas, seja em medidas emergenciais, como na identificação das peças e avaliação do estado; seja em orientações para instalação de infraestruturas adequadas para dar suporte às ações emergenciais e de recuperação do Museu Nacional e suas atividades”, destacou.

Ainda nesta quarta-feira, o ministro da Educação, Rossieli Soares, realizou reunião com o diretor-geral do Conselho Internacional de Museus (IcoM), Peter Keller, na sede da Unesco, em Paris.

O Icom é associado à Unesco e é formado por membros de organizações não-governamentais, que estabelece padrões profissionais e éticos para atividades de museus em todo o mundo.

Com a chegada de especialistas em patrimônio da Unesco de Paris ao Rio de Janeiro, nesta semana, MEC e Icom acordaram que haverá reuniões por videoconferência entre as equipes, para alinhamento de ações.

Apoio

Após o incêndio, o presidente Michel Temer pediu apoio internacional para buscar resgatar o museu e montou um comitê gestor interministerial – Relações Exteriores, Cultura, Educação e Casa Civil – para administrar o trabalho de cooperação.

A previsão é que, pelos próximos 12 meses, seja organizada toda a reestruturação do Museu Nacional do Rio, inclusive o novo acervo.

Paralelamente aos projetos e às obras de arquitetura, o governo quer realizar uma campanha internacional para recompor, mediante doações e aquisições, o acervo do Museu Nacional.

Vários governos manifestaram interesse em ajudar o Brasil, como França, Portugal, Bulgária, México, China, Chile e Egito. Responsáveis por museus, como o Louvre da França, também se colocaram à disposição do Brasil para colaborar.

Fonte: Agência Brasil e MEC, com Redação

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