Museu do Valongo espera ação do Governo Federal | Diário do Porto


História

Museu do Valongo espera ação do Governo Federal

Processo de licitação para restauração do galpão que abrigará Centro de Interpretação do Valongo deveria ter sido iniciado em outubro

20 de novembro de 2021

Galpão Docas Pedro II abrigará Centro de Interpretação do Valongo, espaço dedicado à memória e cultura afro-brasileira (Eduardo Rocha/Divulgação)

Compartilhe essa notícia:


Desde setembro, o Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH)está transferindo as cerca de 1,3 milhão de peças e objetos arqueológicos encontrados na Região Portuária durante as obras da Operação Urbana do Porto Maravilha. O acervo, que está sob guarda do Laboratório Aberto de Arqueologia Urbana (LAAU), estava em dois galpões na Gamboa e agora tem novo endereço: o histórico Galpão Docas Pedro II, no Cais do Valongo.

A transferência é resultado de um amplo acordo firmado entre IRPH, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional,Ministério Público Federal e Governo Federal. No prédio de Docas, que é um bem tombado e construído no século XIX pelo engenheiro André Rebouças, irá funcionar o Centro de Interpretação do Valongo, espaço dedicado à promoção da cultura afro-brasileira e a valorização do sítio arqueológico do Cais do Valongo.

O projeto de restauração de Docas, que por anos anos foi sede da Ação da Cidadania, ONG de combate à fome criada pelo sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, está sendo elaborado pelo Iphan e o complexo será administrado pelo Governo Federal, tendo o LAAUum espaço dedicado à exposição do acervo encontrado nas obras na Região Portuária.

O material inclui desde peças pequenas e médias, como fragmentos de cerâmicas, louças, vidros e ossos, até objetos maiores, como dois canhões, roda de locomotiva, quilhas de navios e ancoras. Todo o acervo passou por um trabalho de proteção e resguardo para a mudança e no momento está encaixotado. O acesso do público e imprensa ao material está suspenso até que o galpão seja restaurado e entregue à população do Rio de Janeiro.

Pelo acordo, cabe agora ao Governo Federal e a Fundação Palmares, instituição pública federal voltada para promoção e preservação dos valores negros na sociedade brasileira, realizarem o processo licitatório para contratação de empresa responsável pela reforma do imóvel, em conformidade com o projeto executivo já contratado. O prazo para o lançamento do edital do que muitos já chamam de o “Museu da Escravidão” se encerrou em outubro.


LEIA TAMBÉM:

Amarelinho recebe placa de Patrimônio Cultural Carioca

Dia da Consciência Negra agita o Porto

Personalidades negras dão nomes a ruas na Pequena África


Cais do Valongo pode perder título de Patrimônio Histórico da Humanidade

A reportagem do DIÁRIO DO PORTO entrou em contato com a Fundação Palmares e com Iphan em busca de informações sobre os procedimentos adotados para a restauração do histórico edifício que foi erguido sem uso de mão de obra escrava. Não obtivemos resposta até a conclusão desta reportagem.

A criação do Centro de Interpretação é uma das contrapartidas solicitadas pela UNESCO para a manutenção do sítio do Cais do Valongo como Patrimônio Histórico da Humanidade. O título está sob ameaça por conta da falta de ação do Governo Federal em atender as diversas exgiências da agência das Nações Unidas responsável pelo reconhecimento e valorização do patrimônio histórico mundial.