Muhcab é o novo museu da Pequena África | Diário do Porto


Museus

Muhcab é o novo museu da Pequena África

Inaugurado hoje, Museu da História e Cultura Afro-Brasileira (Muhcab) é o novo centro de preservação da memória e história da Pequena África

23 de novembro de 2021

O diretor do Muhcab, Leandro Santanna (centro), e a equipe do novo museu da Pequena África (divulgação/Secretária Municipal de Cultura)

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Um dos 15 pontos de memória que compõem a Pequena África – nome dado por Heitor dos Prazeres a um área da Região Portuária-, o Museu da História e Cultura Afro-Brasileira (Muhcab), vizinho ao Cais do Valongo (Patrimônio Mundial), na Gamboa, será inaugurado hoje depois de quatro anos de espera. O espaço foi criado em 2017, via decreto, mas nunca funcionou como tal. A atual gestão da Secretaria Municipal de Cultura executou a limpeza e o restauro do espaço que se tornará o novo centro de preservação e valorização da história preta da Pequena África.

“Sambistas”, de Heitor dos Prazeres (divulgação/Secretaria Municipal de Cultura)

No equipamento, o público terá a chance de conferir algumas das obras do acervo, que guarda aproximadamente 2,5 mil itens, entre pinturas, esculturas e fotografias, além de trabalhos de artistas plásticos contemporâneos de matriz africana que dialogam com o espaço. Por ser um museu de território, as edificações e os elementos urbanos também são catalogados como acervo territorial. O Muhcab foi concebido para ser um museu de tipologia híbrida nas categorias céu aberto, responsabilidade social, histórico e território.

Em maio deste ano, o Muhcab ganhou um site criado da cooperação internacional da Prefeitura do Rio com a Unesco, via Secretaria Municipal de Cultura, em parceria com o projeto Territórios Negros: https://www.rio.rj.gov.br/web/muhcab.

Um tour pelo Muhcab

A visitação começa na entrada, onde há uma carranca dando as boas-vindas aos visitantes. Na primeira sala, nomeada Conceição Evaristo, um mapa gigantesco na parede traz as rotas do tráfico de escravos da África para o Brasil. O destaque ali é a instalação “Tecendo raízes”, uma ciranda com tecidos africanos que conta as origens dos povos ancestrais. Em seguida, na sala Agnaldo Camargo, uma série de plantas com fins de cura, cada uma relacionada a um orixá, além de esculturas em barro dos mesmos orixás, feitas por Carmem Barros.

Na sala Grande Otelo, textos e fotos sobre temas como o mito da democracia racial, ditadura e resistência. Ali estão três telas de Nelson Sargento, baluarte da Estação Primeira de Mangueira, e também um acervo fotográfico com imagens da atriz Ruth de Souza e do Teatro Experimental do Negro (TEN).

Árvore Calcinada”, de Nelson Sargento (divulgação/Secretaria Municipal de Cultura)

A sala do Educativo leva o nome de Mestre Marçal e terá atividades com crianças e adolescentes. Por último, o espaço Abdias do Nascimento oferece uma linha do tempo e vídeos com a história do Muhcab e uma obra interativa onde o visitante literalmente viaja pela Pequena África.

Duas telas do acervo são destaque na exposição “Protagonismo: memória, orgulho e identidade”,
que marca a retomada: “Árvore Calcinada”, de Nelson Sargento; “Sambistas”, de Heitor dos Prazeres, e uma criada especialmente para o novo espaço expositivo (sem título), de Artedeft, artista que utiliza pintura e
colagem digital para expor a realidade urbana e periférica.

Artedeft usa colagem digital para expor a realidade urbana e periférica (divulgação/Secretaria Muncipal de Cultura)

No auditório, a ideia é promover encontros, palestras, seminários e debates. O pátio será palco de rodas de samba, jongo e outros ritmos, além de ponto de encontro, com comes e bebes inspirados na culinária afro.

PROGRAMAÇÃO – NOVEMBRO NEGRO

Hoje

12h às 12h15 – Toque de abertura com o Ogã e percussionista Kotoquinho, que faz uma apresentação de atabaque.

13h30 às 16h – Roda de samba – Tributo a Zé Ketti, com membros da família Ketti Meireles.

14h – Teatro: Cia Cerne apresenta o espetáculo “Turmalina 18 – 50”, sobre João Cândido, o Almirante Negro, líder da Revolta da Chibata, personagem marcante na luta por igualdade racial no Brasil.

16h – Roda de Jongo com o Fuzuê d’Aruanda, grupo que leva para

as ruas de Madureira os ritmos e as danças da cultura popular.

Quinta

18h – Roda de samba com As Mulheres da Pequena África, um grupo de resistência, para marcar o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher, uma data para reforçar a luta de combate e eliminação das várias formas de violência que vitimam as mulheres em todo o mundo.

Sábado

16h – Roda de conversa com o carnavalesco Leandro Vieira e a pesquisadora Helena Teodoro, sobre o tema “Enredos e identidades negras”.

Serviço

MUHCAB – Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira

Rua Pedro Ernesto 80, Gamboa.

Quinta a sábado

10h às 16h.

Grátis. Livre.

Site: https://www.rio.rj.gov.br/web/muhcab.