Morro da Providência vira cartão postal com a Rio Star | Diário do Porto

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Morro da Providência vira cartão postal com a Rio Star

Relegado a segundo plano no projeto do Porto Maravilha, Morro da Providência assume, no cartão postal da Rio Star, a importância que tem na vida real

4 de setembro de 2019
Rio Star vai incluir o Morro da Providência em cartão postal do Porto (Estefan Radovicz/Agência O Dia)


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A roda gigante do Porto Maravilha tem tudo para tornar-se uma atração internacional. E também para incluir mais uma comunidade entre os cartões postais da Cidade Maravilhosa. Fotografada a partir da Baía de Guanabara, a Rio Stardescortina a imagem imponente da primeira favela do Brasil, o Morro da Providência. Com 88 metros de altura, a nova âncora turística fica entre o AquaRio e o edifício Aqwa Corporate, um dos mais modernos do país.

Relegado a segundo plano na reurbanização do Porto Maravilha, o Morro ganhará nos cartões postais a importância que seus mais de 5 mil habitantes têm na vida real da região portuária. São estes moradores os que menos se sentem contemplados pelos investimentos grandiosos – estimados em R$ 8 bilhões em valores atualizados – na reurbanização da região portuária por ocasião da Olimpíada. O teleférico ligando a comunidade à Central do Brasil parou de funcionar e começou a virar sucata em dezembro de 2016.

 

A roda gigante Rio Star ao lado do prédio do AquaRio
A Rio Star fica entre o AquaRio e o Aqwa Corporate (Foto DiPo)

A expectativa dos empreendedores da Rio Star é de atrair até 1 milhão de visitantes por ano, impulsionando a economia local. A arrecadação de impostos decorrentes do turismo em ascensão no Porto Maravilha pode estimular o poder público a investir mais em Segurança para a região. Os que mais sofrem com a violência são, mais uma vez, os moradores do Morro da Providência, a menos de um quilômetro da Rio Star.


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Com 5 mil moradores, o Morro da Providência convive diariamente com a violência. Só este ano, foram 18 tiroteios ou disparos de arma de fogo registrados até 29 de agosto. Em sete dos casos foi identificada a presença de agentes de segurança. É uma média de dois casos por mês, com um morto e um ferido. Os dados, publicados pelo jornal O Dia, são do Laboratório de Violência Armada Fogo Cruzado.

Os efeitos da violência extrapolam os limites da favela. Os confrontos têm provocado pelo menos uma paralisação do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos)todo mês. Segundo o Instituto de Segurança Pública (ISP), houve 4.166 roubos na área do 5º BPM (Praça da Harmonia), região que engloba a Rio Star, entre janeiro e julho de 2019. São 20 roubos por dia, sem contar os que não são registrados.

Estação do Teleférico da Providência: virando sucata
Estação do Teleférico da Providência: virando sucata (Foto DiPo)

O Morro da Providência não é a primeira favela a marcar presença em um cartão postal do Rio, delineado na foto de Estefan Radovicz, da Agência O Dia. O Vidigal, por exemplo, no Leblon, está no por do sol mais aplaudido do mundo. A Igreja da Penha é cercada pelos complexos do Alemão e da Penha. A própria Praia de Copacabana, uma das mais famosas do mundo, exibe o Babilônia-Chapéu Mangueira, o Tabajaras e o Pavão-Pavãozinho. Ipanema tem presença marcante do Cantagalo.


O Morro da Providência

A Providência espalha-se pelos bairros do Centro, Santo Cristo e Gamboa. A favela surgiu de uma promessa do governo aos soldados cariocas enviados à Guerra de Canudos. Eles ganhariam residências caso derrotassem os revoltosos. Quando retornaram ao Rio, em 1897, levaram um bolo e ocuparam uma parte do morro.

O local passou a se chamar Morro da Favela. Favela era o nome de uma elevação ao lado da cidadela de Canudos, que por sua vez emprestara o nome da planta Cnidoscolus quercifolius (popularmente chamada de favela), comum na região.

A ocupação aumentou no fim do século XIX e no início do XX. A grande reforma urbana promovida pelo engenheiro Pereira Passos devastou cortiços e habitações populares do centro, de onde saiu a população pobre para os morros nos arredores. No fim do ano de 1910, o Morro da Favela era considerado o lugar mais violento do Rio de Janeiro. Em 1937, a escola de samba Vizinha Faladeira, abrigada no morro, foi campeã do Carnaval.