Morre Nelson Sargento, mestre do samba, aos 96 anos | Diário do Porto


Música

Morre Nelson Sargento, mestre do samba, aos 96 anos

Nelson Sargento foi o autor de mais de 400 músicas, entre elas “Falso Amor Sincero” e “Agoniza Mas Não Morre”. Teve Covid-19, mesmo com 2 doses da vacina

27 de maio de 2021

Nelson Sargento aprendeu a tocar violão com Nelson Cavaquinho, na Mangueira, quando era menino (foto: Agência Brasil)

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“Enquanto os meninos que moram dentro da minha cabeça estiverem na ativa, continuarei fazendo algumas coisas”, disse Nelson Sargento em uma entrevista em 2018, ao comentar sua longevidade produtiva. Aos 96 anos, o sambista morreu nesta quinta-feira (27) no Instituto Nacional do Câncer (Inca), onde estava internado desde o dia 22, com Covid-19.

Nelson Sargento foi o autor de mais de 400 músicas. Nascido em 25 de julho de 1924, foi batizado como Nelson Mattos, com dois tês, como gostava de dizer. O sargento, do nome artístico, foi adotado depois de sua passagem pelo Exército nos anos 40 do século passado.

Em 1949, ele compôs o samba que levaria a Mangueira a ser a campeã do Carnaval daquele ano. Seu parceiro nesta estreia foi o padrasto, Alfredo Lourenço, o Português, com o qual também comporia o samba enredo do ano seguinte, outra vez campeão.

Mas foi só em 1979 que Nelson Sargento lançou seu primeiro disco e de fato começou a se profissionalizar na música. Antes, misturava a vida de compositor com as atividades de pintor de paredes, para sobreviver. Nesse disco, estão duas de suas músicas mais conhecidas “Agoniza, mas não morre”, e “Falso amor sincero”.

O primeiro é entoado como uma espécie de hino pelos sambistas. O segundo tem alguns dos seus versos mais célebres: “O nosso amor é tão bonito/ Ela finge que me ama/ E eu finjo que acredito”.

Nelson Sargento tomou as duas doses da vacina

Nelson Sargento morreu com Covid-19 mesmo após ter recebido as duas doses da vacina. Ele era paciente do Inca desde 2005, quando foi diagnosticado e tratado de câncer de próstata. Segundo os especialistas, nenhuma vacina é 100% eficaz e a eficiência diminui quanto mais as pessoas são idosas. Recentemente, surgiu a discussão para a necessidade de uma terceira dose de vacina para quem tem mais de 80 anos.

Ele deixa a mulher, Evonete Belizario Mattos, e os 6 filhos biológicos (Fernando, José Geraldo, Marcos, Léo, Ricardo e Ronaldo), além de Rosemere, Rosemar e Rosana, que adotou. Devido à pandemia, não haverá velório, e Nelson será cremado em cerimônia restrita à família.

Com sua vida centenária, Nelson Sargento foi contemporâneo de diversos dos expoentes da música popular brasileira. A começar de Nelson Cavaquinho, que lhe ensinou a tocar violão. Em 1958, tornou-se presidente da ala dos compositores da Mangueira.

Mas sua criatividade ia além da música. Ele também se dedicou à pintura em quadros e, em 2019, teve 14 obras expostas no Espaço Favela do festival Rock in Rio. Como ator, trabalhou em longas como “O primeiro dia”, de Walter Salles e Daniela Thomas, e “Orfeu”, de Cacá Diegues. Em 1994, publicou o livro de poemas “Prisioneiro do mundo”.


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