Música

Morre Aldir Blanc, um dos maiores poetas da música brasileira

Aldir Blanc morreu diagnosticado com Covid-19. Foi autor de mais de 500 letras, entre elas “O Bêbado e a Equilibrista”, hino da anistia na ditadura

4 de maio de 2020
Aldir Blanc foi internado há 24 dias com infecção urinária e pneumonia. Morreu com diagnóstico de Covid-19 (foto: Agência Brasil)

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Um dos mais importantes compositores da música brasileira morreu na madrugada de hoje, dia 4. Aldir Blanc, 73, autor de mais de 500 letras, vários livros e crônicas, estava internado desde o dia 19 no Hospital Universitário Pedro Ernesto, em Vila Isabel, Zona Norte.

Antes, no dia 10, havia dado entrada na Coordenação de Emergência Regional (CER) do Leblon, Zona Sul, com quadro de pneumonia e infecção urinária. Foi levado para a UTI do hospital, após uma campanha de amigos para que recebesse um tratamento melhor. Faleceu em decorrência de complicações da Covid-19, a doença do novo coronavírus.

Aldir se formou em 1971 como médico, com especialização em psiquiatria. Mas foi como letrista que firmou seu nome entre os imortais da cultura brasileira. Neste mesmo ano, em parceria com César Costa Filho, viu sua composição “Ela” ser gravada por Elis Regina.

A cantora se tornou sua principal intérprete, depois que Aldir conheceu o mineiro João Bosco. Juntos fizeram vários dos clássicos da canção nacional, gravados pela cantora gaúcha, como “Bala com Bala” e “Agnus Sei”, de 72.

No ano seguinte, Elis grava “O Caçador de Esmeralda” e “Cabaré e Comadre”. Em 74,  “O Mestre-Sala dos Mares”, “Caça à Raposa” e “Dois pra Lá, Dois pra Cá”. E em 1978, “O Bêbado e a Equilibrista”, que marcou a história do país ao se tornar o hino do movimento pela anistia.


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O verso inicial dessa música, “Caía a tarde feito um viaduto”, foi firmado por Aldir como uma memória de um dos mais impressionantes acidentes já ocorridos no Rio,  o desabamento do Elevado Paulo de Frontin, em 20 de novembro de 1971.

A melodia foi feita no Natal de 1977, dia em que morreu Charlie Chaplin e João Bosco lhe fez uma homenagem criando uma música que cita “Smile”, composição do maior cineasta de todos os tempos. Aldir associou em sua letra os exilados pela ditadura militar e “um bêbado trajando luto”, que lhe lembrou Carlitos.

Aldir Blanc Mendes nasceu no Rio de Janeiro, no dia 2 setembro de 1946. Aos 18 anos, ganhou uma bateria e passou a integrar vários grupos musicais. Nos anos 60, começa a compor suas primeiras letras e no final da década cria, com Sílvio da Silva Júnior, “Amigo é Pra Essas Coisas”, gravada pelo MPB 4.

Várias de suas composições foram temas de novelas e minisséries da TV, como “Resposta ao Tempo”, com Cristóvão Bastos, interpretada por Nana Caymmi e abertura de “Hilda Furacão”, da Globo.

Como cronista, deixou sua obra nas páginas dos jornais O Dia, O Estado de S. Paulo e O Globo.

Entre seus livros publicados, estão “Rua dos Artistas e Arredores” (Ed. Codecri, 1978); “Porta de tinturaria” (1981), “Brasil passado a sujo” (Ed. Geração, 1993); “Vila Isabel – Inventário de infância” (Ed. Relume-Dumará, 1996), e “Um cara bacana na 19ª” (Ed. Record, 1996).

Casado duas vezes, deixa 4 filhas, 5 netos e um bisneto.