Montanha de resíduos tóxicos ameaça Paraíba do Sul | Diário do Porto


Meio Ambiente

Montanha de resíduos tóxicos ameaça Paraíba do Sul

Pilha de lixo indústrial da CSN e Harsco Metals ameaça contaminar rio Paraíba do Sul, em Volta Redonda, que abastece 75% da população do Estado

22 de janeiro de 2022

Montanha de resíduos tóxicos na beira do rio Paraíba do Sul, em Volta Redonda. (divulgação/Movimento Baía Viva)

Compartilhe essa notícia:


Uma montanha de resíduos siderúrgicos se formou à beira do leito do Rio Paraíba do Sul, em Volta Redonda, no Sul do Estado do Rio de Janeiro, colocando em risco o abastecimento de água de 75% da população fluminense. O passivo ambiental é de responsabilidade da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN)e da metalúrgica Harsco Metals, que continuam despejando escória de aciaria no local. O volume de rejeitos já atinge uma altura de 30 metros. Em época de chuvas fortes de verão, cresce o temor de que o lixo tóxico provoque um desastre ambiental que coloca em risco os mananciais que abastecem mais de 13 milhões de fluminenses.

A força das correntezas está provocando o rompimento de barragens e causando interrupção do tráfego em estradas de várias regiões do País. Por isso, o risco de uma chuva intensa provocar um desmoronamento da montanha de resíduos a apenas 50 metros do Rio Paraíba do Sul, é tão preocupante. O ambientalista Sérgio Ricardo, cofundador do Movimento Baía Viva, divulgou o seguinte manifesto nas redes sociais:

“Diante dos enormes estragos provocados pelas chuvas, é fundamental que as autoridades públicas notificadas ajam imediatamente orientadas pelos princípios da Precaução e da Prevenção, que são os pilares do Direito Ambiental nacional e internacional, visando determinar, seja pela via administrativa (por meio de Recomendação Técnica conjunta do MPRJ e MPF) e/ou através da proposição de uma Ação Civil Pública (ACP) Ambiental, o reconhecimento da inadequação do pátio de escória de aciaria das empresas CSN/HARSCO METALS na beira do rio Paraíba do Sul, assim como para determinar a imediata indicação de outro local ambientalmente seguro e adequado para a instalação de um novo depósito de lixo industrial da CSN/Harsco Metals, para livrar de vez o risco de um Colapso Hídrico no Rio Paraíba do Sul, manancial estratégico que diariamente abastece 75% da população fluminense (13 milhões de pessoas), além de atender a demanda hídrica de setores como indústria, agricultura e serviços”.

As empresas vêm sendo frequentemente denunciadas por ambientalistas nos últimos anos por não terem apresentado estudos tanto hidráulico-hidrológicos quanto geotécnicos para operação na região. O depósito de rejeitos foi motivo de uma ação civil pública, movida pelo Ministério Público Federal (MPF) e pelo Ministério Público Estadual (MPRJ). Em 2018, a Justiça Federal concedeu uma liminar, obrigando a CSN e a Harsco a reduzirem a montanha de resíduos a três metros de altura. Em caso de descumprimento, a multa diária seria de R$ 20 mil.

Em 2019, houve uma vistoria da Comissão de Saneamento Ambiental da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) ao local. Parlamentares e técnicos contataram que a altura dos dejetos não tinha diminuído, como já chegava a um nível de 20 metros, em desrespeito à determinação da 3ª Vara Federal de Volta Redonda.


LEIA TAMBÉM:

Opereta infantojuvenil estreia no CCBB RJ

Grupo da licitação do S.Dumont tem novos integrantes

Xilogravuras de J.Borges em exposição no MAR