Fátima França
especial para o DIÁRIO DO PORTO
Fui convidada pelo jornalista e RP Márcio Vieira a conhecer o Mirante da Rocinha. Uma experiência diferente e impactante, que mudou meu olhar sobre a maior favela do Brasil. Fomos com um grupo diverso, todos juntos e misturados: vários jornalistas, psicólogos e até celebridades, lá fomos nós!
Uma tarde inesquecível, uma experiência incrível, que, com certeza, vou repetir. O Mirante da Rocinha é um complexo que reúne gastronomia saborosa, drinques elaborados e deliciosos, atendimento ágil e gentil. De quebra, a vista deslumbrante.
O lugar é lindo, o espaço é acolhedor e seguro. Mas nem sempre foi assim. Para o ponto turístico ser hoje um sucesso, atraindo visitantes de todas as partes do mundo, foi preciso um cria da favela virar a chave e tirar a Rocinha do noticiário policial, dando visibilidade aos que empreendiam na comunidade, em meio às adversidades, e ganhar as páginas de cultura, gastronomia e turismo.
Em 2017, um episódio trágico na favela, com uma turista espanhola, ganha repercussão internacional e abala a comunidade, já vulnerável pelos confrontos entre o tráfico e a polícia.
Em 2018, Renan Monteiro, nascido e criado na favela, decide mostrar ao mundo que a Rocinha é mais que um território violento. O trabalho seria árduo, mas ele sabia que valeria a pena. Aos poucos, foi transformando uma das muitas lajes da favela em um complexo turístico-gastronômico que em nada fica a dever ao que se encontra fora do Brasil. Aliás, comparativamente, melhor. Do Mirante, avista-se o Cristo Redentor, a Lagoa Rodrigo de Freitas, o Pão de Açúcar e o mar…
A inauguração do Mirante, no mesmo ano em que nasceu a ideia, foi o pontapé para que outras iniciativas surgissem, ampliando o envolvimento e as oportunidades aos empreendedores locais.
Percebendo o aumento na demanda e a carência na oferta de serviços aos visitantes estrangeiros e do próprio país, Renan Monteiro idealizou o app “Na Favela Turismo”, que iniciou como um “guia de segurança”. Pelo app, os turistas são acompanhados on-line em seus trajetos a pé ou de moto. E as novidades não pararam por aí. Na trilha da geração de renda para os moradores da Rocinha, Renan buscou junto à Embratur cursos de idiomas para os que informalmente atuavam como guias locais. Hoje são 280 cadastrados, fluentes em inglês, francês e espanhol. Os próximos serão em italiano e… russo! Foram criados, ainda, os serviços de mototour; kombis estilizadas que buscam os visitantes no início da Estrada da Gávea; e as filmagens com drones.
Ah, os drones… outra iniciativa empreendedora de produtores culturais da Rocinha. Os vídeos são um sucesso mundial à parte. Na visita à favela, o visitante faz pose, dança, dá tchau, faz coraçãozinho com as mãos, tudo registrado. É divertido e vou lembrar prá sempre! A experiência nos integra à vida local, à paisagem deslumbrante e ao colorido da favela, eternizando o momento.
Esse colorido, inclusive, deve despertar, nos cariocas de outros bairros da cidade, o desejo de ver de perto tanta vida pulsando. Todos serão muito bem-vindos a um lado que também faz parte da beleza do Rio!
