Firjan diz que milícias afastam investimentos do Rio | Diário do Porto


Segurança

Firjan diz que milícias afastam investimentos do Rio

Situação foi debatida pela Firjan. Milicias, que praticam extorsão contra empresas, estão agindo até mesmo na Baía de Guanabara

11 de setembro de 2019

Grande fluxo de navios seria uma das causas de poluição na Baía de Guanabara (foto DiPo)

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A atuação das milícias no Rio está prejudicando o funcionamento de empresas e inibindo novos investimentos. O diagnóstico é do Conselho de Segurança Pública da Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro). Em alguns casos, segundo o estudo, a única alternativa do empresário é sair do Estado.

Sérgio Duarte, presidente em exercício do Conselho, ressalta a importância de encontrar uma solução para o problema. “As empresas não podem viver à mercê de cobranças de pedágio feitas por essas organizações, nem podem colocar a vida de seus funcionários em risco”.

A ascensão das milícias no Rio começou nos anos 1990, quando se identificou o primeiro grupo na favela de Rio das Pedras, na Zona Oeste. Hoje, há registro de milicianos até na Baía de Guanabara, com grupos paramilitares que praticam extorsão contra os pescadores.

Investigações apontam que quase um terço da população da cidade vive atualmente em áreas controladas pelas milícias. Segundo o promotor Luiz Antônio Ayres, que há duas décadas analisa o fenômeno, a milícia hoje é a maior ameaça à segurança pública e à democracia no país.


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Milicianos têm controle sobre áreas em 26 bairros da capital e em 14 cidades do Estado. Nesses territórios, além da extorsão contra empresas, praticam cobrança de taxas de segurança, venda de sinais piratas de TV a cabo, transporte clandestino de passageiros, extração ilegal de areia para obras, grilagem de terrenos, invasão de áreas de proteção ambiental e contrabando de cigarros, entre outros crimes.

A situação foi debatida pelo Conselho de Segurança Pública da Firjan em um seminário com o objetivo de aproximar empresários e forças de segurança do Estado, em busca de soluções.

Para o delegado Flávio Brito, subsecretário de Inteligência da Secretaria de Estado de Polícia Civil (Sepol), é necessário fortalecer a prisão das lideranças e asfixiar as atividades financeiras que fazem a milícia lucrar. “Identificamos que a milícia é tão criminosa quanto os traficantes, e merece ser combatida da mesma forma”, afirmou no seminário.

A atuação de grupos paramilitares na Baía de Guanabara foi confirmada já no ano passado, quando pescadores foram detidos e levados para a favela Roquete Pinto. Essa seria a única área do Complexo da Maré sob domínio da milícia e não de traficantes. Os pescadores sofreram ameaças e chegaram a pagar taxas para poder liberar barcos e redes.


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