Metais pesados na Baía põem em risco a saúde no Rio | Diário do Porto

Saúde

Metais pesados na Baía põem em risco a saúde no Rio

Navios e indústrias no entorno da Baía de Guanabara liberam metais pesados que afetam peixes e podem provocar até câncer. O estudo é de três universidades

30 de setembro de 2019


Guindastes no Porto do Rio de Janeiro (Tania Rêgo/Agência Brasil)


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Quanto mais riqueza um porto gera em circulação de mercadorias, melhor é a qualidade de vida da cidade, em função da geração de emprego e renda. O problema é quando o efeito colateral da falta de critérios e de fiscalização destrói o meio ambiente, contamina peixes e prejudica a saúde humana. É o que está acontecendo hoje na Baía de Guanabara, maior riqueza do Porto Maravilha e paraíso desperdiçado na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

Uma pesquisa da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em parceria com a Universidade Federal Fluminense (UFF) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) constatou uma concentração inaceitável de metais pesados na Baía, como chumbo, zinco e cobre. A intensidade põe em risco os organismos aquáticos e a saúde pública.

As amostras coletadas nas atividades portuárias do Rio mostraram que a concentração de chumbo é 3,6 vezes maior do que o nível considerado seguro. Já o zinco está quatro vezes acima do índice máximo estipulado. As conclusões foram divulgadas recentemente pelo jornal O Globo.

Do lado de Niterói, a quantidade de cobre, metal e cromo na Baía também chamou a atenção dos biólogos. Essas substâncias, usadas em processos metalúrgicos, são liberadas das tintas anti-incrustantes usadas em embarcações e, posteriormente, absorvidas pelo organismo dos peixes.


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Há também despejo de esgoto doméstico, detritos de embarcações, vazamentos frequentes de combustíveis e transferência de agentes patogênicos. Em entrevista ao Globo, o biólogo marinho Bruno Galvão de Campos alertou que resíduos líquidos de atividades industriais, liberados sem o devido tratamento, gera efeitos danosos. “Cerca de 70% das indústrias estão ao redor da Baia. Se não houver tratamento de resíduos, impacta diretamente no ambiente marinho”, explicou.

O estudo resultou na publicação científica Marine pollution bulletin. Ele mostrou que o perigo não se restringe ao ambiente marinho, mas tem consequências para a saúde humana. A Baia ainda é um ambiente de pesca. O contato com esses organismos, transferidos ao longo da cadeia alimentar, pode provocar sérios danos à saúde, como câncer, cefaleias agudas, distúrbios mentais, anorexia e mal de Parkinson, entre outros.

‘Fiscalização em dia’

O presidente do Sindicato dos Operadores Portuários do Rio, Bruno Sá, disse ao Globo que todos os operadores do Porto do Rio cumprem os mais altos padrões da segurança ambiental.

Por meio de nota, a Companhia Docas, autoridade portuária do Rio, informou que a Superintendência de Meio Ambiente e Segurança do Trabalho realiza o monitoramento do ar, da água e do solo e fiscaliza as operações regulamente para assegurar o cumprimento da legislação.

Já o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) destacou que monitora a água em 21 pontos da Baía e fiscaliza as indústrias que operam no entorno. A Cedae afirmou que a região do Porto do Rio é atendida pelo sistema de esgotamento sanitário, tendo como destino final a Estação de Tratamento de Esgoto de Alegria, no Caju.