Imóveis

Mercado imobiliário avalia que pandemia mudará Arquitetura

Juros baixos estimula a compra de imóveis, e consumidores devem priorizar o home office, a proximidade entre casa e trabalho e o automóvel particular

6 de junho de 2020
Conforto do home office: pandemia deve mudar hábitos e construções (Deposit Photos)

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A pandemia da Covid-19 deve aumentar a preocupação com a higiene e o distanciamento social nos projetos arquitetônicos. Ventilação, iluminação e espaços para descontaminação de sapatos e roupas devem ser itens em ascensão.

As apostas são de dois especialistas no mundo dos imóveis que participaram da live Os impactos da pandemia nos produtos imobiliários com os editores do DIÁRIO DO PORTO. Os investidores Marcelo Conde, presidente da STX Desenvolvimento Imobiliário, e Schalom Grimberg, sócio-diretor da SIG Engenharia, apontaram as tendências do “novo normal” das construções e reformas.

Schalom destacou o desafio de criar uma infraestrutura que não pese no bolso do comprador. “Antes da pandemia, o mercado imobiliário já vinha antecipando algumas tendências, como os apartamentos compactos e de compartilhamento, os chamados coliving. Eles oferecem áreas de conveniência e praticidade”, afirmou.

“Os compradores vão procurar imóveis com mais espaços de ventilação e iluminação. Os apartamentos, possivelmente, deverão ter uma área de transição para guardar sapatos, compras. O mesmo deve acontecer com as áreas sociais para uma descontaminação”, complementou Marcelo Conde.

 


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Schalom ressalta que, para alavancar a construção de imóveis residenciais na Região Portuária e a transferências de moradores para a área, é preciso ter mais incentivos fiscais e urbanísticos da Prefeitura e da Caixa Econômica Federal. “Uma cidade com viés turístico como a nossa precisa de um crescimento orgânico, liberdade de criação, leis de incentivo de atividades econômicas e mobilidade urbana.”

Juros baixos

O fato de o patamar de juros ser o menor da história estimulará a recuperação do setor imobiliário. “Estamos num excelente momento de boas oportunidades. Um eventual ajuste fiscal pode mudar cenário. Essa é hora de investir”, sugeriu Conde. As taxas do financiamento imobiliários variam de 6,5% a 8% ao ano nos grandes bancos.

A Caixa também anunciou uma carência de seis meses (180 dias) para o início do pagamento das prestações de financiamento de imóveis novos para todas as linhas de crédito habitacional do banco.

Mais procura por casas e por carros

O movimento crescente de pessoas procurando casas para alugar em bairros mais afastados e com espaços mais generosos, como a Barra da Tijuca no Rio de Janeiro, e cidades próximas, como as da Região Serrana, pode ser uma tendência de prazo mais longo do que a duração da pandemia.

Na avaliação dos debatedores, o isolamento deixou claro para muitos o desperdício diário de tempo no trânsito, o que tem como consequência a valorização da ideia do home office, de morar perto do trabalho e da internet de qualidade.

É provável também, na avaliação de Marcelo Conde, que o medo do contágio leve a uma volta do carro individual como objeto de consumo, desacelerando a tendência de uso de transporte compartilhado por aplicativo. “Não quer dizer que haverá necessariamente pressão por mais vagas de garagem nos novos prédios, mas pela criação de estacionamentos públicos”, afirmou Conde.