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Marinha faz submarino convencional e sofre pelo nuclear

Riachuelo, primeiro submarino resultante do acordo com a França, será entregue à Marinha, que tem dificuldades para desenvolver o submarino nuclear

25 de abril de 2022

Marinha testa o submarino Riachuelo, na Baía de Sepetiba (Foto: ICN / reprodução da Internet)

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Em 2008, no governo do então presidente Lula, o Brasil firmou um acordo com a França para a transferência de tecnologia que seria usada na construção de quatro submarinos convencionais e um movido a energia nuclear. O primeiro desses submarinos convencionais, o Riachuelo, está pronto e passa por testes finais para ser incorporado pela Marinha brasileira. Já o nuclear virou um desafio cada vez mais difícil de ser executado.

O objetivo da esquadra de submarinos é, principalmente, defender e vigiar o mar territorial brasileiro no qual é retirado 95% do petróleo, 80% do gás natural e 45% do pescado produzido no país. Também é por rotas marítimas que fluem 95% do comércio exterior do Brasil.

Os submarinos resultantes do acordo com a França são produzidos em Itaguaí, no Sul do Estado do Rio, em modernas instalações construídas pela Marinha e operadas pela Itaguaí Construções Navais (ICN). O primeiro movido por motor diesel elétrico é o Riachuelo, lançado ao mar em dezembro de 2018 e desde lá passando por testes, que devem ser concluídos em breve, segundo a ICN. Os outros três convencionais estão em diferentes estágios de construção, sendo que um deles, o Humaitá, também já está realizando testes no mar.

Porém há dúvidas quanto à conclusão do principal projeto da Marinha, o Submarino Convencional de Propulsão Nuclear (SCPN) Álvaro Alberto. Atualmente, essa tecnologia só é dominada pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, China, Rússia, França e Reino Unido) e também pela Índia.

Marinha terá submarino sem armas nucleares

Pelo projeto brasileiro, o submarino de propulsão nuclear não terá armas atômicas, mas sim convencionais, como mísseis, torpedos e minas. Para a conclusão desse tipo de embarcação, o acordo com a França fornece a tecnologia para a construção do casco, cabendo ao Brasil a construção do reator e motor nuclear, além de todos os sistemas para que essa estrutura seja embarcada com segurança.

Hoje, o Brasil não tem indústrias que detenham o conhecimento e capacidade para a produção de todos os componentes necessários para a propulsão nuclear. Os países que possuem esses recursos não estão dispostos a compartilhar, pois há muito receio em nível internacional de que essa tecnologia seja dominada por um grupo maior de nações.

Para piorar o cenário, a invasão da Ucrânia pela Rússia trouxe ainda mais instabilidades no cenário mundial. O que se soma às dificuldades orçamentárias vividas pelo projeto brasileiro nos últimos anos. A partir de 2009 houve um grande impulso inicial ao Prosub (Programa de Desenvolvimento de Submarinos), porém a crise econômica, principalmente depois de 2016, tem causado sucessivos cortes e atrasos ao planejamento da Marinha.

Recentemente, um fato que chamou a atenção são as restrições ainda maiores dos Estados Unidos para que suas empresas e de outros países possam fornecer tecnologia sensível a terceiros. Esses impedimentos incluem o Brasil, mas não a Austrália que, no ano passado, firmou um acordo para ter submarinos de propulsão nuclear. A tecnologia virá dos EUA e da Inglaterra, em um plano que visa neutralizar a influência militar da China no oceano Pacífico.


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