'Mãos Gigantes' se juntam no Centro e em Botafogo | Diário do Porto

Arte

‘Mãos Gigantes’ se juntam no Centro e em Botafogo

As dez obras “Mãos gigantes” são do projeto “Rio de Mãos Dadas”, do Sistema Fecomércio RJ, e ffcarão no Palácio da Cidade e no Centro Administrativo

16 de maio de 2021


Uma das esculturas Mãos Gigantes, no Largo da Carioca (Hélio Melo/Divulgação)


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O Palácio da Cidade, em Botafogo, e a sede administrativa da Prefeitura do Rio de Janeiro, no Centro, exibem, a partir desta segunda-feira, 17 de maio, as “mãos gigantes” da campanha Rio de Mãos Dadas, conjunto de iniciativas do Sistema Fecomércio RJ (Sesc RJ e Senac RJ) que visam a envolver as pessoas em um clima de positividade em 2021 para superar o difícil ano que passou.
A mostra fica até o dia 26 de maio e, assim como nas fases anteriores da intervenção, que já percorreu bairros e pontos turísticos da cidade, as mãos serão posicionadas, primeiramente, separadas, simbolizando as privações impostas pela pandemia; e, posteriormente, serão unidas, representando a esperança da retomada de contatos, planos e afetos este ano.
Confeccionadas com fibra de vidro, cada obra tem mais de 2 metros de altura e o formato de duas mãos, trabalhadas por dez artistas locais. São eles: Agrade Camíz, Bruno Awful, Cláudia Lyrio, Igor Nunes, LooStavale, Márcia Falcão, Maria Amélia Diegues, Mario Band´s, Robnei Bonifácio e Yhuri Cruz.
Além da intervenção urbana, a campanha Rio de Mãos Dadas prevê para este ano exposições itinerantes, maratonas virtuais, cursos adaptados ao “novo normal”, Prêmio Fecomércio de Cultura e uma Edição Especial do Prêmio Visão Consciente, entre outras atividades.

SOBRE AS OBRAS E OS ARTISTAS

Rio de Mãos Dadas – Mãos Gigantes

De 17 a 26 de maio
Palácio da Cidade – Rua São Clemente, 360 – Botafogo | Obras: Coadunação, A Vida Presente, Fuga e Fúria
Prefeitura do Rio de Janeiro – Rua Afonso Cavalcanti, 455 – Cidade Nova | Obras: Cuida, Fluxos, Manifesto Pós-Vandalismo, Feito com Carinho, Cultura da Borda na Palma da Mão, Nas Nossas Mãos, Hinterlândia é o Centro.

PALÁCIO DA CIDADE (3 obras)

Obra: COADUNAÇÃO
Conceito: “O que vemos dentro das mãos, na sucessão de formas encaixadas, é uma espécie de “janela abstrata” que remete às profundezas que possam habitar a interioridade destas mãos.”
Material: pintura mista
Artista: Mario Band´s – indicado ao Prêmio Pipa 2017, realiza obras marcadas pelo intenso uso da geometria e precisão no trabalho das cores, luzes e sombras. Utiliza a técnica do Grafitti para deslocar elementos, atrair, confundir e trair o olhar do espectador com a inserção de novas formas, nos diversos suportes que utiliza.
Obra: A VIDA PRESENTE
Conceito: obra intitulada a partir do último verso do poema “Mãos Dadas”, de Carlos Drummond de Andrade.
Material: pintura mista

Artista: Cláudia Lyrio – a artista natural do Rio de Janeiro, pesquisa o ciclo da vida e a natureza em uma narrativa onde a paisagem emerge como protagonista e o pensamento da cor é um dos eixos de significado. É formada em Pintura e Letras (ambas pela UFRJ), tem Especialização em História da Arte e Arquitetura no Brasil (PUC-Rio) e Mestrado em Literatura Brasileira (UFRJ).

Obra: FUGA E FÚRIA
Conceito: inspirado nos estudos de quiromancia, reflexologia e mapa das mãos para traçar paralelos com historiografias e subjetividades afro-diaspóricas.
Material: pintura mista

Artista: Yhuri Cruz – artista visual e escritor, nascido em Olaria, no RJ, em uma família de matriz afro-brasileira. Seu trabalho consiste em promover a intersecção entre sua herança ética e estética familiar, anticolonialidades e esferas privilegiadas e transgressoras do campo artístico. Desenvolve sua prática a partir de criações textuais, visuais e proposições instalativas e performativas, que dialogam com sistemas de poder, crítica institucional, relações de opressão, encenações de cura, resgates subjetivos e violências sociais reprimidas ou não resolvidas.

PREFEITURA DO RIO DE JANEIRO (7 obras)

 

Obra: CUIDA
Conceito: mãos pintadas de preto, com a palavra “você” pintada de branco nas palmas e na parte de fora das duas mãos.
Material: pintura em spray

Artista: Agrade Camíz (Camila) – cresceu no conjunto habitacional IAPC, localizado às margens da favela do Jacaré na Zona Norte carioca e produz intervenções na rua há 9 anos, pintando murais, graffitis, passando inicialmente pela pichação. Atualmente desenvolve pesquisa sobre estética do subúrbio do Rio de Janeiro, utilizando expressões, formas e signos da cultura local e da habitação popular.

Obra: MANIFESTO PÓS-VANDALISMO
Conceito: envelopamento das “mãos” por meio de uma grade de ferro, cortada na altura dos dedos e um pouco na base, transmitindo uma ideia de rompimento, de quebra de ordem.
Material: pintura mista
Artista: Igor Nunes – graduado em Design Gráfico pela ESPM, no Rio de Janeiro, e em Pintura e Desenho, pela A.R.C.O., em Lisboa, Portugal. Integrou diversas exposições coletivas nos dois países. Em 2015 ganhou o prêmio Spoleto ArtRua e em 2020 pintou um mural em um antigo armazém tombado na Zona Portuária do Rio. O artista investiga o que há para além do muro, explora o espaço urbano, questões relacionadas à subversividade, a quebra de ordens pré-estabelecidas, o deslocamento geográfico e a crítica social.
Obra: FEITO COM CARINHO
Conceito: projeto que debruça o olhar sobre os impressos que permeiam o cotidiano coletivo, relembrando os passeios na praça, as festas de rua, os parques de diversão itinerantes.
Material: pintura acrílica
Artista: LooStavale – artista, mestranda em Processos Artísticos Contemporâneos pela UERJ, bacharel em Gravura pela Escola de Belas Artes/UFRJ. Participou de ações e exposições como ArtRua – Mostra de Arte Urbana, ocupação periódica do muro do Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto, Boreart, Sesc Tijuca e Festival de Inverno no Sesc Teresópolis, Deu na Telha no Complexo do Alemão, CMHO, entre outras.
Obra: FLUXOS
Conceito: Coração; Raízes; Olhos (mãos que tocam, suportam, apoiam; olhos que veem, observam, cuidam; raízes que fincam, procuram, firmam-se).
Material: pintura mista
Artista: Bruno Awful – graduando em Artes Visuais pela UERJ, desenvolve uma produção visual que formaliza seu olhar sobre relações de fissuras entre cidade, humanidade, corpo e poder em artifícios visuais viscerais, por meio da pintura, gravura e da produção de objetos.
Obra: CULTURA NA BORDA DA PALMA DA MÃO
Conceito: A pintura será feita de tal maneira que no momento do encontro das mãos, os casais “dancem” unindo essas duas potências culturais tão marcantes para os movimentos negros da cidade, trazendo a ideia de união e harmonia pela cultura.
Material: pintura acrílica e resina
Artista: Márcia Falcão – artista plástica graduada em Pintura pela UFRJ. Um dos temas recorrentes em seus trabalhos tem sido a problemática feminina vista através de experiências pessoais tendo o Rio de Janeiro como cenário, ora belo e poético, ora violento e assustador. Passeando pelo grotesco assume a linguagem figurativa como meio para transmitir críticas à contemporaneidade.
Obra: NAS NOSSAS MÃOS
Conceito: representação da beleza natureza através da flora e fauna marinha e terrestre, e na responsabilidade que temos com o Planeta.
Material: pintura mista
Artista: Maria Amélia Diegues – formada em Paisagismo pela escola de Belas Artes da UFRJ, transita por diversas técnicas, algumas artesanais como aquarela, lápis de cor, serigrafia, assim como em computação gráfica. Seu trabalho é colorido e de formas orgânicas ligadas à natureza como flores, vegetais e animais. Influência da sua formação original e de sua vivência com as coisas da cozinha e confeitaria muito presentes em sua vida.
Obra: HINTERLÂNDIA É O CENTRO
Conceito: “Com as cores da bandeira da cidade do Rio de Janeiro, usarei os nomes de diferentes bairros para comentar sobre zonas da cidade que até têm algum contato, mas nem sempre se encontram.”
Material: pintura acrílica
Artista: Robnei Bonifácio – Formado em Gravura pela Escola de Belas Artes da UFRJ e mestre em Linguagens Visuais pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da UFRJ, vive, trabalha e transita entre Rio e Nova Iguaçu. Em seu trabalho investiga maneiras de dialogar com espaço urbano por meio de desenhos, pinturas, propostas educativas e intersociais, abordando o subúrbio como território central para a produção de afetos