Mangue da Lagoa faz 30 anos e Moscatelli cobra atitudes | Diário do Porto


Sustentabilidade

Mangue da Lagoa faz 30 anos e Moscatelli cobra atitudes

Trajetória de Moscatelli é inspiradora também para empresas e instituições: não basta ficar esperando os resultados do trabalho alheio. É preciso agir

17 de outubro de 2019

Moscatelli plantou 4.500 mudas de mangue, em 30 anos, na Lagoa (foto: acervo pessoal)

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Em 1989, a Lagoa Rodrigo de Freitas, no coração da zona sul do Rio, era um cenário degradado, com tubulações despejando esgotos domésticos e líquidos poluentes dos postos de gasolina. Muitas pessoas olhavam estarrecidas e se perguntavam por que ninguém tomava uma providência. Um jovem biólogo recém-formado resolveu não esperar respostas. Arregaçou as mangas e começou a plantar um manguezal.

Trinta anos depois, a obra iniciada por Mario Moscatelli, 55, é visível em todos os ângulos belíssimos da Lagoa. A vegetação de mangue ocupa as margens em que antes só havia gramíneas. Árvores com até 8 metros de altura dão abrigo a uma fauna variada, principalmente de aves e crustáceos.

A trajetória de Moscatelli é inspiradora não só para as pessoas, mas também para empresas e instituições. Quem quer fazer a diferença e mudar uma situação, não pode ficar só esperando o movimento alheio, torcendo para se beneficiar com as mudanças provocadas por terceiros.

Em 3 décadas, 4.500 plantas

Desde as primeiras mudas que trouxe de Angra dos Reis, Moscatelli calcula que plantou cerca de 4.500 plantas no entorno da Lagoa, ao longo de 3 décadas. Seu trabalho, solitário nos primeiros anos, chamava a atenção de quem o via enfiado no meio da lama e muitas vezes foi taxado de louco.

Com o tempo, ganhou apoios e viu mudanças efetivas na proteção da Lagoa, como a construção de redes de saneamento e novas estações elevatórias. Muita coisa ainda falta por fazer, mas a poluição que antes era tolerada e vista como inevitável, hoje causa repulsa da maioria das pessoas e os governantes são constrangidos a medidas imediatas.

A mesma transformação ele acredita que pode ocorrer em relação à Baía de Guanabara, onde também tem projetos de replantio de manguezais que já recuperaram cerca de 2 milhões de metros², no Canal do Cunha, na zona norte, e nas bordas do extinto lixão de Gramacho, em Duque de Caxias.


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Porém sua maior decepção é não ver nenhuma melhora em relação ao complexo lagunar de Jacarepaguá e da Barra da Tijuca, na zona oeste. Moscatelli considera que a sociedade carioca perdeu a grande oportunidade dos mega eventos esportivos (Jogos Pan-Americanos, Copa do Mundo e Olimpíadas) para cobrar ações efetivas que solucionassem as 3 vertentes principais da degradação ambiental: crescimento desordenado, falta de saneamento e falta de política habitacional.

Em palestra do TED-X Talks, disponível em https://www.youtube.com/watch?v=3InsftoIuw0, Moscatelli critica as falhas sequentes dos governantes, mas também dá seu recado direto à sociedade.

A tragédia que vivemos no Rio de Janeiro, seja no ambiente, seja na educação, seja na saúde, é nossa culpa. Nós é que elegemos essa gente e somos nós que não exigimos dessa gente qualidade na prestação de serviços”, afirma o biólogo, que cobra de cada um atitudes para transformar a realidade.


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