Mais uma anta nasce em reserva natural do Rio | Diário do Porto


Sustentabilidade

Mais uma anta nasce em reserva natural do Rio

Anta nasceu no Parque Estadual dos Três Picos, a partir de projeto que reintroduziu esses animais na região. A anta ajuda a dispersar sementes na mata

30 de abril de 2022

Anta filhote fotografada em 2021 pelo projeto Refauna no rio Guapiaçu (foto: Acervo)

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As equipes dos projetos ANTologia, Guapiaçu e Refauna, que trabalham com reintrodução e monitoramento de fauna e reflorestamento de áreas de Mata Atlântica no Estado do Rio de Janeiro estão em festa. Às vésperas do Dia da Anta, comemorado em 27 de abril, eles descobriram um novo bebê da espécie Tapirus terrestris caminhando pelas matas do Parque Estadual dos Três Picos, na Região Serrana.

Ele é o primeiro filhote da anta Jasmin, nascida no zoológico de Guarullhos (SP) e solta na reserva em outubro de 2020, quando tinha um ano e meio de idade. O parque, que tem esse nome devido aos Três Picos de Nova Friburgo, também abrange áreas dos municípios de Cachoeiras de Macacu, Teresópolis, Silva Jardim e Guapimirim.

Imagens capturadas pelo monitoramento feito pelo Projeto Antologia, patrocinado por Furnas, mostram Jasmin e o bebê, nascido provavelmente no mês de janeiro, caminhando à noite pela floresta. “Esse é mais um momento incrível para o projeto. É o terceiro filhote que nasce na natureza nessa região, sinal que a reintrodução está caminhando bem. Os animais só conseguem se reproduzir quando o ambiente é adequado para eles”, diz o professor do IFRJ Maron Galliez, coordenador da reintrodução de antas.

A espécie de anta da qual Jasmim faz parte foi extinta há mais de 100 anos no Estado do Rio de Janeiro devido à caça predatória e ao desmatamento. Sua reintrodução na região dos Três Picos teve início em 2017, com a chegada de três animais. Devido à parceria entre os projetos Guapiaçu (patrocinado pela Petrobras e pelo Governo Federal) e Refauna, foram devolvidos ao seu habitat natural 14 antas e já há registros de que outros dois filhotes nasceram livres na região. Apesar de seis animais terem morrido, os restantes estão adaptados e contam com o apoio, inclusive, dos moradores do entorno da reserva.

Primeira anta filhote foi vista no ano passado

No ano passado, em julho, os pesquisadores já haviam anunciado o nascimento de um filhote da anta Flora, que havia sido solta em áreas da bacia do rio Guapiaçu, em Cachoeiras de Macacu, o que foi comemorado como um sucesso no lento processo de recuperação ambiental.

O objetivo da parceria entre os projetos é restaurar as relações ecológicas perdidas com o desaparecimento de mamíferos silvestres na Mata Atlântica. Conhecidas como “jardineiras da floresta”, as antas têm uma dieta que inclui frutas de diferentes tamanhos e uma enorme habilidade de dispersar sementes, misturadas aos seus excrementos.

Devido ao seu grande porte, necessitam de uma quantidade elevada de alimento e percorrem extensas áreas. Por isso, são capazes de favorecer a regeneração florestal. A longo prazo, esse movimento garante segurança hídrica e aumenta o sequestro de carbono atmosférico, combatendo o aquecimento global.

Assim, acreditam os pesquisadores, será estabelecida uma população viável destes animais que, com o tempo, se dispersarão pelo Parque Estadual dos Três Picos e outras áreas adjacentes, colonizando a região mais densamente florestada do estado, o Mosaico da Mata Atlântica Central Fluminense.


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