Mais do que admiração, atletas paralímpicos merecem respeito | Diário do Porto


Nas esquinas de Tóquio

Mais do que admiração, atletas paralímpicos merecem respeito

E começaram os Jogos Paralímpicos de Tóquio. Brasil é potência paralímpica e pode chegar as 100 de medalhas de ouro no Japão

24 de agosto de 2021

Brasil na cerimônia de abertura da Paralimpíada de Tóquio (Wander Roberto/CPB)

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Nas esquinas de Tóquio

Vicente Dattoli

E estamos de volta! A pira dos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020/2021 ainda está quente e cá estamos agora para falar dos Jogos Paralímpicos.De saída, devo informar que a competição em território japonês, apesar de todos os problemas do mundo, irá superar a do Rio de Janeiro em número de países participantes. Isso mesmo.

Para a nossa Cidade Maravilhosa vieram 159; em Tóquio estariam presentes atletas de 162 países (o Afeganistão ainda não chegou com sua delegação) – o recorde, porém, continua com Londres, em 2012, quando 164 nações participaram das competições.

Com o apoio do programa de desenvolvimento do Comitê Paralímpico Internacional, cinco países irão estrear na Paralímpiada: Butão, Granada, Maldivas, São Vicente e Granadina e o vizinho Paraguai (com dois atletas e cinco dirigentes…). Outros 21 estão impedidos de enviar seus atletas por diversas razões.

Uma demonstração de força, sem dúvida alguma, do movimento paralímpico internacional, que tem como presidente o brasileiro Andrew Parsons. E não custa lembrar que, da mesma forma que ocorreu nos Jogos Olímpicos de Tóquio, também uma equipe de refugiados estará nas pistas, ginásios, ruas e piscinas.

Já pensaram nisso?

Talvez um dos atletas refugiados tenha se tornado atleta paralímpico por conta da situação que o levou ao refúgio. Quem sabe tenha sido perseguido politicamente. Ou culturalmente. Como saber?

Por isso, na abertura deste primeiro texto de nosso reencontro, afirmo: mais do que admiração pela superação, que será demonstrada a cada prova, os atletas paralímpicos merecem nosso respeito.

Respeito pela lição de vida que nos dão cada vez que há um tiro iniciando uma prova de atletismo; que a bola sobe para uma partida; que caem na água para superar mais um recorde.


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Respeito aos paralímpicos

Para finalizar este primeiro reencontro, vamos falar do Brasil, é claro. Nas Paralimpíadas somos top 10, ou seja, estamos entre os dez países que mais conquistam medalhas. E com os problemas que todos conhecemos de falta de apoio etc e tal. Nesta Paralimpíada de Tóquio, podemos chegar à centésima medalha de ouro. Já conquistamos 87, não é sonho inalcançável.

Claro que são universos diferentes. Mas para que se tenha uma ideia, com os sete ouros conquistados no Jogos Olímpicos recém-encerrados o Brasil conquistou 37 em sua história olímpica. E pensar que a primeira participação do Brasil em Paralimpíadas foi em 1972, nos Jogos deHeidelberg, na Alemanha Ocidental.

Fiquem atentos, e não se decepcionem, se alguns dos nossos grandes medalhistas não forem, digamos, tão vencedores no Japão: houve uma reclassificação de categorias e as mudanças, como sempre, causam inconvenientes. Mesmo assim, eles estarão lá, lutando pelo pódio, pela demonstração de vida.

Então, mais do que nunca, nossos atletas (e de todas as outras 161 nações) merecerão nosso respeito.