Exposição

Mais de 175 mil já viram Basquiat no CCBB. E você?

Exposição com mais de 80 obras do pintor norte-americano é sucesso entre o público carioca. Coleção está disponível até 7 de janeiro, com entrada gratuita

22 de novembro de 2018
"Sem título", obra mais cara norte-americana é de Basquiat

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Obra de Jean-Michel Basquiat
“Coelho Vermelho”, de Jean-Michel Basquiat (Foto: Divulgação)

Desde outubro, não se fala em outra coisa no Rio: a mostra Jean-Michel Basquiat – Obras da Coleção Mugrabi está em todas as bocas. Exposta no Centro Cultural Banco do Brasil, a peça atingiu a marca de 175 mil visitantes nesta semana. O prédio histórico da instituição abriga, até 7 janeiro, mais de 80 obras de um dos mais famosos pintores norte-americanos. Com entrada gratuita, é possível conferir quadros, gravuras, desenhos e pratos pintados pelo artista, referência em cultura pop.

A seleção das obras, de curadoria de Pieter Tjabbes, tem uma grande parcela de culpa no sucesso da exposição, a maior de Basquiat já realizada na América Latina. Ela está em turnê pelas quatro unidades dos centros culturais do Banco do Brasil desde o início do ano. Sua passagem pelos CCBB de São Paulo, Brasília e Belo Horizonte foi motivo de sucesso de público e de crítica.

Peças raras

As peças de Jean-Michel Basquiat vêm da família Mugrabi, dona das maiores coleções do artista. No acervo da família, também há coleções de Andy Warhol, amigo e influenciador com quem produziu obras em parceria. Do trabalho conjunto, o público carioca pode ver de perto Heart Attack (Infarto, 1984), Thin Lips (Lábios Finos, 1984/85) e Two Dogs (Dois Cachorros, 1984).

A vinda desse acervo para quatro capitais brasileiras levou cerca de dois anos de negociações e envolveu uma disputa de vários países; como Coreia do Sul, Japão e Rússia. A exposição tem patrocínio da BB SEGUROS, da BRASILCAP e do GRUPO SEGURADOR BANCO DO BRASIL E MAPFRE.

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“A iniciativa de apresentar a maior retrospectiva do trabalho de Basquiat na América Latina, em quatro capitais brasileiras, ao longo de um ano, com ingressos gratuitos, reforça o compromisso do Banco do Brasil na formação do público para as artes visuais, no acesso à cultura e no valor da diversidade”, afirma Alexandre Alves de Souza, diretor de Marketing do Banco do Brasil.

"Sem Título" de Jean-Michel Basquiat
“Sem título”, obra mais cara norte-americana é de Basquiat (Foto: Divulgação)

Vida curta, produção longa

Filho de imigrantes afro-caribenhos, Jean-Michel Basquiat (1960-1988) personificou as transformações de Nova Iorque nas décadas de 1970 e 1980. Sua técnica inovadora mesclava colagens, cópias reprográficas, palavras e imagens da anatomia humanas. O resultado são obras que refletem a vida urbana nova iorquina, sintetizando o discurso artístico, musical, literário e político da época.

Basquiat tornou-se celebridade e ganhou notoriedade nas maiores galerias do mundo. Antes mesmo de sua morte súbita, já era comparado a gênios como Picasso, Pollock e Warhol. Em 2017, sua tela “Sem título” (1982) foi leiloada por US$ 110 milhões, a mais cara obra de arte americana.

Arte de resistência

Basquiat foi um dos raros artistas negros de sucesso nas artes plásticas. Em sua carreira, trouxe à tona a negritude e traumas experimentados pelos negros nos EUA. Eles eram os protagonistas da maioria de suas pinturas. Um dos elementos essenciais na sua obra é sua composição multi-idiomas. A justaposição de inglês e espanhol é um dos muitos contrastes culturais dentro da arte. Ele incorporava todos os diversos elementos de sua formação cultural e do seu auto aprendizado para dentro de pinturas.

“O CCBB traz Basquiat nos seus 29 anos como um presente para a cidade e seus visitantes. Esse evento dialoga com outros projetos de 2018, como Ex Africa, a peça de teatro Preto, a mostra de cinema John Akomfrah – Espectros da Diáspora e o projeto musical Madrugada no Centro – Edição Hip Hop, que celebram e destacam elementos ligados à cultura negra. Com temáticas e situações variadas, esta transversalidade oferece ao visitante um espaço propício à reflexão crítica sobre a arte contemporânea e o seu papel na construção de uma sociedade mais igualitária, que promova o respeito à diversidade”, destaca Marcelo Fernandes, gerente do CCBB Rio.

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