Macaé tem promessa para retomar VLT e ganhar fábrica de trens | Diário do Porto


Investimentos

Macaé tem promessa para retomar VLT e ganhar fábrica de trens

Empresa privada faz proposta inicial para Macaé concluir o VLT, paralisado desde 2014. Também seria construída fábrica para locomotivas

31 de maio de 2021

Abandonado desde 2014, o VLT de Macaé pode ser resgatado por empresa belga (Foto: Divulgação)

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O antigo sonho da cidade de Macaé de contar com um metrô – o primeiro no interior do Estado do Rio de Janeiro – ganha uma nova esperança. A empresa belga John Cockerill, que tem base instalada no município, estuda a viabilidade de colocar em operação o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), parado desde 2014. A empresa também procurou a prefeitura para apresentar um projeto da instalação de uma fábrica de locomotivas na cidade.

Em reunião com o prefeito de Macaé, Welberth Rezende, o gerente da Divisão Oil & Gás, Marcelo Amado, e o CEO da John Cockerill no Brasil, Jean-Noël OTT, fizeram uma breve apresentação das principais atividades da empresa. “A John Cockerill atua nas áreas de Energia, Defesa, Ambiental, Serviços, Transportes, entre outras. A ideia é termos uma fábrica de locomotivas funcionando em nossa base em Macaé, e posteriormente, poderemos exportar o nosso produto para outros países”, explicou o gerente.

Outra proposta apresentada durante a reunião foi a possibilidade de colocar em operação o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). De acordo com Marcelo Amado, a empresa realizaria um estudo para traçar a melhor estratégia de colocar em funcionamento esse meio de transporte. O secretário de Mobilidade Urbana, Jayme Muniz, disse ver a parceria com a John Cockerill com otimismo: “Vamos verificar as questões técnicas, operacionais e sobretudo financeiras para colocar o VLT funcionando”.

O prefeito Welberth Rezende destacou a importância das parcerias com o foco no crescimento e desenvolvimento do município. Ele acrescentou, ainda, que a prefeitura está de “portas abertas”, para receber as empresas que têm o objetivo de investir na cidade. “Queremos facilitar todo o processo”, enfatizou.

“Tivemos grandes avanços nesses 5 meses, com projetos licenciados para que novas empresas possam se instalar em nossa cidade gerando empregos. Podemos destacar também o processo de instalação do Terminal Portuário (Tepor) e investimentos no Aeroporto de Macaé, possibilitando uma maior infraestrutura’, pontuou o prefeito.

O secretário de Desenvolvimento Econômico, Rodrigo Vianna, ressaltou que os técnicos da pasta estarão prontos para atender às empresas que têm o objetivo de se instalar no município. “Seja para a concessão de licenciamentos ou até mesmo criar as condições favoráveis para que o VLT tenha um formato adequado para operar”, concluiu.

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Reunião do prefeito e secretários de Macaé
Reunião do prefeito de Macaé com representantes de emprega belga John Cockerill (Foto: Divulgação)

Projeto começou em 2009

Os trens de passageiros que ligavam Niterói, Rio de Janeiro e Vitória, no Espirito Santo deixaram de circular no início dos anos 1980. Mas até hoje a Região Norte Fluminense ainda conta com um leito ferroviário, que fazia parte da Estrada de Ferro Macaé e Campos. A linha funciona exclusivamente para cargueiros e é operada pela Ferrovia Centro-Atlântica desde 1996.

Em março de 2009, com apoio da Agência Nacional de Transportes Terrestres e da FCA, foram iniciados estudos para um projeto pioneiro no interior do estado: a implantação do Metrô Macaé, que operaria em um trecho da antiga ferrovia com trens a diesel, como ocorre em diversas capitais brasileiras.

Desde 2012, no entanto, a cidade tenta implantar o meio de transporte, em conjunto com a Companhia Brasileira de Trens Urbanos – CBTU. Duas composições do Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT), com dois vagões cada uma, chegaram a iniciar a fase de testes em 2012. As composições, movidas a diesel e equipadas com ar condicionado, têm capacidade para atender 368 passageiros cada uma.

A proposta era ampliar a oferta de transporte coletivo no município, que conta com cerca de 120 mil passageiros por dia. O projeto original previa que o VLT percorreria 23 quilômetros de linha férrea, ligando os bairros de Lagomar e Parque de Tubos, dois importantes polos industriais da cidade. Depois de totalmente implantado, o VLT seria ligado ao Sistema Integrado de Transporte do município.

O objetivo da prefeitura era usar o metrô e os ônibus pagando apenas uma passagem. Os investimentos para aquisição dos veículos e obras operacionais foram feitos pelo município, com verba do governo federal, no valor de R$ 47 milhões. Em outubro de 2013, no entanto, a prefeitura suspendeu o antigo projeto do VLT, que acabou sendo abandonado de vez em 2014.