Luz, câmera, ação: Porto bomba como cenário de filmes | Diário do Porto


Negócios

Luz, câmera, ação: Porto bomba como cenário de filmes

Pedidos para usar a Região Portuária como cenário de filmes triplicaram de 2017 para o ano passado, e 82% das solicitações foram para gravar fora da Orla Conde

24 de janeiro de 2019

Gravação de cena da novela 'Tempo de amar' no Cais do porto do Rio (Foto: Estevam Avellar/TV Globo)

Compartilhe essa notícia:


O número de pedidos para usar o Porto Maravilha como cenário de filmes mais do que triplicou em um ano. Em 2017, 63 solicitações oficiais para gravar em espaços públicos da região foram apresentadas ao portal Carioca Digital. Era o ano seguinte ao da Olimpíada, quando a região começou a ficar conhecida internacionalmente. No ano passado, as locações na região chegaram a 207, um aumento de 328%.

Os pedidos precisam ser feitos  e aprovados pela Cdurp (Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro). Isso, quando o set de filmagem interfere na rotina da rua ou do bairro. Ou seja, em cenários de filmes, novelas e produções audiovisuais complexas. As gravações mais simples, que não atrapalham o fluxo, não ocupam faixas de trânsito ou vagas públicas, não precisam de autorização. E têm sido incontáveis.

Você deve estar imaginando que os pedidos foram para filmagens na Orla Conde, com grafites gigantes e o contraste do VLT com os antigos armazéns, certo? Errado. Apenas 37 das 2017 solicitações foram para a montagem de sets nessa parte modernosa do Porto Maravilha. Ou seja,  18%. Oitenta e dois por cento foram filmes no interior dos bairros de Santo Cristo, Gamboa e Saúde.

Gravações de cinema na Gamboa, Região Portuária do Rio
O curta da NBA ‘Pense fora do garrafão’ foi gravado no Galpão da Gamboa (Divulgação)

‘Diferença do passado é gritante’

O sociólogo e mestre em Economia Rilden Albuquerque, de 36 anos, tem dois motivos especiais para comemorar esse aumento do interesse pelo Porto como cenário de filmes. Primeiro, por ser o gerente de Desenvolvimento Econômico e Social da Cdurp. Segundo, por ter passado a maior parte da vida na região: morou nas ruas Conselheiro Zacarias, Pedro Ernesto e do Livramento.

Rilden Albuquerque
Rilden Albuquerque: sociólogo viveu o Porto antes e depois da reurbanização

“A diferença do passado é gritante. Antes, a região só era procurada para reportagens e cenas sobre degradação. Agora é procurada pela nova ambiência. Aos poucos, a cidade vai descobrindo o novo padrão urbanístico e uma população acessível, hospitaleira. É um lugar que não dá medo”, compara Rilden.

A Orla Conde, que ficou conhecida em 2016 como Boulevard Olímpico, concorre, como cenário de filmes, com os túneis Marcello Alencar e Rio 450 e com locais mais intimistas, com “cara de bairro”. É o caso da simpática Praça da Harmonia, assim como de ruas como a Pedro Ernesto e a Silvino Montenegro Gamboa) e dos morros da Conceição (Saúde) e do Pinto (Santo Cristo).

“A Praça Mauá e a Orla Conde surgiram para o mundo em 2016. Desde então, os produtores foram descobrindo aos poucos a Região Portuária como cenário de filmes. A Cdurp se preocupou em estabelecer bom padrão de serviços públicos. Isso deixa as pessoas mais à vontade no interior dos bairros. Tudo é muito bacana”, orgulha-se Rilden.

Entre os atrativos da região estão a arquitetura preservada em muitas áreas. Há construções como o Centro Cultural José Bonifácio, instituições como o Instituto Pretos Novos, o padrão urbanístico alterado e a “receptividade surpreendente das pessoas”. Tudo isso contribui para reduzir preconceitos.

“Antigamente, quando um amigo vinha me visitar, o trajeto era recheado de receios. Hoje, as pessoas vêm conhecer a área com outro ânimo. Além da facilidade de locomoção, o trajeto do VLT abriu o olhar carioca para redescobrir os bairros por dentro”, explica Rilden.

 


VEJA TAMBÉM:

Feiras no Porto Maravilha: conheça as regras para expor

Procura-se supermercado em Santo Cristo, Saúde e Gamboa

ONU oficializa Valongo como Patrimônio da Humanidade


Foto das gravações da campanha da Melissa na Zona Portuária do Rio
Campanha da marca Melissa foi gravada na Fábrica Bhering (Foto: L’officiel Brasil)

Entre as produções audiovisuais encenadas na região no ano passado estão De pernas para o ar 3, O mecanismo, muitos comerciais de cerveja e carro, Porta dos Fundos e Sob pressão.

A Fábrica Bhering, na subida do Morro do Pinto, é um cenário e tanto para filmes. Do Morro da Conceição, com visual que lembra bairros de Lisboa, nem se fala. São áreas que não tiveram a rotina alterada pelo avanço da violência. O mesmo, infelizmente, não ocorre no Morro da Providência, onde a violência armada é um problema difícil de resolver. Fácil é imaginar como seria bom, para moradores e comerciantes locais, atrair a cidade para os pontos de visual panorâmico, a riqueza histórica e a cultura da primeira favela carioca.


/