Diário do Porto

Livro sobre Dom Pedro II relança luz sobre a Coroa Imperial

Coroação de D. Pedro II pintura de François-René Moreaux acervo do Museu Imperial

D. Pedro II foi sagrado imperador aos 15 anos e a cerimônia foi retratada pelo pintor François-René Moreaux, em quadro que pertence ao Museu Imperial de Petrópolis (foto: reprodução da Internet com uso de IA)

O recente lançamento do livro Entre Nova Friburgo e a Corte: Ernst Hasenclever e a coroação de D. Pedro II não apenas revela ao público um testemunho inédito sobre um dos momentos marcantes da história do Brasil, como também recoloca em evidência a Coroa Imperial, a mais importante joia do patrimônio nacional. A peça, uma das maiores atrações do Museu Imperial de Petrópolis, já chegou a ser avaliada em US$ 14 milhões (cerca de R$ 70 milhões).

A publicação dedica espaço especial às vestes e aos objetos utilizados na cerimônia, incluindo a Coroa Imperial, o Cetro e o Traje Majestático. A coroa foi confeccionada em 1841 pelo ourives da Casa Imperial Carlos Marin especialmente para a coroação do último imperador brasileiro.

Resultado de uma parceria inédita entre o Museu Imperial e a Fundação D. João VI, o livro traz o relato do comerciante prussiano Ernst Hasenclever, que esteve no Rio de Janeiro e testemunhou a cerimônia de coroação de Dom Pedro II, realizada em 18 de julho de 1841, quando o imperador tinha apenas 15 anos. O livro integra as comemorações pelos 200 anos de nascimento do imperador e reúne ainda artigos do diretor do Museu Imperial, Maurício Vicente Ferreira Junior; da restauradora Eliane Marchesini Zanatta, responsável pelo restauro do traje majestático do imperador; e da pesquisadora Débora Bendocchi Alves, biógrafa de Hasenclever.

Em seu relato, o viajante alemão descreve a coroação do menino Dom Pedro II como um espetáculo grandioso, luxuoso e fascinante. Ao mesmo tempo, registra impressões sobre os excessos da pompa imperial, contrastando a magnificência da cerimônia com a realidade social brasileira da época, uma sociedade escravocrata e pobre.

Coroa Imperial de Dom Pedro II, avaliada em US$ 14 milhões

Produzida em ouro de 18 quilates, a peça feita por Carlos Marin incorpora diamantes da Coroa Imperial usada por Dom Pedro I e pérolas provenientes de um colar da imperatriz Leopoldina, mãe de Dom Pedro II. Sua estrutura reúne 639 diamantes e 77 pérolas, pesa aproximadamente 1,9 quilo e segue o padrão das coroas europeias, com oito semiarcos que convergem para o topo, onde se encontram o globo imperial e a Cruz de Cristo. Internamente, é revestida por veludo verde-escuro, a mesma cor do Manto Imperial.

Após a Proclamação da República, em 1889, a Coroa e os demais itens da Regalia Imperial passaram para a guarda do Estado brasileiro. Diferentemente do que ocorreu em diversos países que aboliram suas monarquias, as joias imperiais brasileiras não foram vendidas nem destruídas. Depois de permanecer por 44 anos no Tesouro Nacional, a Coroa foi transferida, em 1943, para o recém-criado Museu Imperial de Petrópolis, onde permanece até hoje sob rígidos protocolos de conservação e segurança.

Em avaliação realizada em 2007 pela gemóloga Jane Gama, especialista contratada na época pelo Museu Imperial, a Coroa de Dom Pedro II teve seu valor de mercado estimado em mais de US$ 14 milhões. Para a avaliadora, porém, a importância da peça ultrapassa qualquer cifra financeira, por representar um patrimônio histórico, cultural e artístico insubstituível para o Brasil.

Dom Pedro II e Nova Friburgo

Ao resgatar o olhar de um observador estrangeiro sobre a coroação de Dom Pedro II, o novo livro também contribui para ampliar o conhecimento sobre a relação entre o imperador e a cidade de Nova Friburgo.  Antes de testemunhar a coroação, Ernst Hasenclever permaneceu cerca de dois meses neste município, registrando impressões sobre a região, que recebeu colonização europeia. O livro destaca que Dom Pedro II visitou Nova Friburgo diversas vezes ao longo de sua vida, reforçando sua conexão com a antiga colônia de imigrantes.


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