Livro retrata trajetória das grandes passistas do Carnaval do Rio | Diário do Porto


Literatura

Livro retrata trajetória das grandes passistas do Carnaval do Rio

Obra da jornalista Bárbara Pereira discute feminismo a partir do depoimento de grandes passistas. Lançamento será na próxima quarta-feira

21 de fevereiro de 2022

Maria Lata D'Água é umas passistas retratadas em ""Pé, cadeira e cadência: trajetórias e memórias de passistas do carnaval carioca"(divulgação/ed. Carnavalize)

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Figuras de destaque no Carnaval, as passistas se tornaram símbolos das escolas de samba do País. Muitas delas fizeram carreira internacional, ganharam a mídia e o centro das atenções na Sapucaí. Há, contraditoriamente, uma espécie de ofuscamento do feminino num universo em que elas aparecem como importantes elementos visuais das variadas composições cênicas existentes num desfile. O debate sobre que lugar essas dançarinas ocupam na cultura brasileira é aprofundado na nova obra do Carnavalize, único selo especializado em Carnaval no mercado editorial brasileiro, “Pé, cadeira e cadência: trajetórias e memórias de passistas do carnaval carioca”.

A pesquisa é resultado da tese de doutorado em Memória Social da jornalista Bárbara Pereira, que ao longo dos últimos anos entrevistou diversas passistas de diferentes idades e gerações. Investigando o surgimento do termo “passista” e a forma de dançar o samba, surgem as histórias de figuras emblemáticas como Paula do Salgueiro e Maria Lata D’Água, chegando até artistas mais recentes como Nilce Fran, Aldione Sena e Soninha Capeta.

A obra percorre ainda os avanços e os desafios de ser mulher na folia carioca em seus diferentes contextos históricos, assim como as permanências e alternâncias na dança do samba como manifestação cultural. Ao longo dos anos, as passistas femininas se posicionaram como corpos resistentes e conscientes de suas próprias histórias.

Passistas estão no imaginário do Carnaval carioca

Rejeitando padrões estabelecidos, essas mulheres atravessaram a barreira da objetificação e continuam expondo seus corpos reafirmando pressupostos de lutas feministas: meu corpo, minhas regras, meu prazer.

O prefácio do livro é de autoria do jornalista especialista em escolas de samba Aydano André Motta, que revela uma história curiosa envolvendo uma das homenageadas do livro, a sambista Soninha Capeta, que por anos brilhou como rainha de bateria na Beija-Flor. A “orelha” é assinada por Rafaela Bastos, ex-musa da Mangueira e atual presidente da Presidente da Fundação João Goulart. Com lugar de fala sobre o tema, a sambista afirma: “É um livro que documenta e resgata a reflexão sobre o que é o sambar no pé a partir de quem samba. Ao passo que revela o segmento passista de forma transgressora, nos presenteia também com um importante registro dessa ala que nada mais é do que a expressão autêntica da dança do samba. Bárbara Pereira, literalmente imersa, se entrega às provocações, se coloca diante de várias percepções e nos brinda com um recorte histórico do que é ser passista”.

O lançamento do livro, com a presença da autora autografando os exemplares, será na próxima quarta-feira, dia 23 de fevereiro, às 19h, no Baródromo, bar temático do Carnaval carioca.

Serviço

Lançamento de “Pé, cadeira e cadência”, de Bárbara Pereira

Dia 23/02

A partir das 19h

 Baródromo – Rua Zulmira, 41 – Maracanã


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