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Listinha de Natal literária: a missão

Na semana do Natal, nossa crítica literária Olga de Mello indica oito livros para presente, Tem obras de todos os gêneros e para todos os gostos

22 de dezembro de 2021

Olga de Mello indica oito livros para presentear nesse Natal (reprodução/internet)

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Para ler na rede “Especial Natal”

                                                              Olga de Mello

Olga de Mello

Entramos na semana dos amigos ocultos, festa de fim de ano da firma, das compras de última hora, tudo graças à vacinação que permitirá os congraçamentos para os festejos de Natal e a recuperação do comércio! Como livro é presente  sempre apropriado, aqui vão algumas sugestões para diferentes tipos de leitores.

O primo que está saudoso de um bom encontro de bambas na Pedra do Sal  vai se encantar com “Canto de Rainhas – O poder das mulheres que escreveram a história do samba” (Agir, R$  64,16), de Leonardo Bruno. A obra retrata a trajetória de cinco figuras emblemáticas da música brasileira: Alcione, Beth Carvalho, Clara Nunes, Elza Soares e Dona Ivone Lara. As origens são bastante diversas. Alcione aprendeu a tocar trompete com o pai, músico, mas deveria ter seguido a carreira no magistério, como convinha a uma jovem de família maranhense; a mineira Clara deixou o interior de Minas para tentar a sorte no Rio de Janeiro. Já três cariocas tiveram histórias muito diferentes que levaram ao mesmo mundo. Mocinha da Zona Sul, Beth, inicialmente precisou enfrentar a família ao se interessar pelo samba, enquanto a adolescente Elza viu no canto a forma de sustentar os filhos e a enfermeira Ivone conseguiu romper com o domínio masculino dos compositores. Uma pesquisa detalhada sobre mulheres importantíssimas no universo musical do país.

Já aquele tio que sente saudade dos anos de chumbo pode se interessar pelas recordações de uma infância ficcional na Zona Norte do Rio nos anos 60/70 em “Elefantes no céu de Piedade” (Patuá, R$ 45), de Fernando Molica. A rotina de um menino se transforma quando sua família de classe média típica precisa abrigar um parente que se tranca na casa e esconde um passado misterioso. O menino observar as estranhezas do comportamento dos adultos, que não comentam também a prisão de um tio depois do assalto ao banco em que ele trabalhava. Um trabalho sensível e primoroso de reconstituição de uma época em que pequenos e grandes segredos turvam a inocência das crianças.

Ao longo da pandemia, o produtor cultural Paulo Sabino sugeria em seu site a leitura de poemas de autores consagrados e de outros menos conhecidos. Imaginava que seriam leituras inspiradoras para três meses de isolamento social que se desdobraram em mais de um ano. “Poesia para Pandemia” (Autografia, R$ 69,90) reúne 142 poemas e textos, que tratam de preconceitos sociais, as dúvidas sobre o futuro, migrações, angústias, esperança e, naturalmente, amor. Para refletir sobre os tempos estranhos que vivemos e pensar no que virá a seguir.

A inesperada morte do mestre da gastronomia Anthony Bourdain, no auge da fama, deixou órfãos milhões de admiradores que podem aproveitar “sobras” de suas observações sobre restaurantes ao redor do planeta em “Volta ao mundo – Um guia Irreverente” (Intrínseca, R$  72,90), que foi planejado e discutido por ele e sua editora, Laurie Woolever, em março de 2017. A depressão levou Bourdain pouco mais de um ano depois, mas os rascunhos do livro já estavam traçados, tratando de bons pontos para provar delícias de cada lugar, além de dicas sobre deslocamentos, aeroportos e hotéis. Do Brasil, Bourdain só fala sobre Salvador, na Bahia. Em compensação, os Estados Unidos merecem mais de 90 páginas a respeito de 17 cidades destacadas como centros de referência gastronômica. A França só ganhou meras 24 páginas tratando da culinária de Paris, dos Alpes, Lyon e Marselha. O alentado volume, ricamente ilustrado, é exatamente o que expressa o subtítulo: um guia irreverente como o autor.

Radicada na Dinamarca, a jornalista inglesa Helen Russell, autora de um best-seller sobre a qualidade de vida dinamarquesa, usa o país como cenário de seu primeiro romance ficcional, “Virando Viking” (Leya, R$ 44). A chick-lit é protagonizada por uma dentista, mãe de duas crianças, num casamento morno, que aceita o convite da irmã para se embrenhar numa floresta e participar de um acampamento viking, onde terá que forjar suas próprias armas para caçar a comida que pretender ingerir, encontrando assim sua “guerreira interior”. Bom presente para a amiga que anda desanimada com o isolamento social e as relações difíceis das famílias obrigadas a conviver intensamente durante a pandemia e agora no Natal.

Um título menos badalado, mas nem por isso pouco relevante, de Ariano Suassuna, “O Casamento Suspeitoso” (Nova Fronteira, R$  37,90) trata dos temas recorrentes do autor: a esperteza, a ganância e a corrupção social levadas para um lugarejo interiorano que representa a multiplicidade de todo o país. Duas vigaristas, mãe e filha, querem promover o casamento da jovem com um ricaço ingênuo da região. Uma dupla de amigos pobretões, mas fiéis ao noivo, decide armar uma farsa e impedir o enlace, tomando o lugar de um sacerdote e de um juiz. Uma comédia de erros que denuncia, com muito humor, a falta de escrúpulos inerente ao ser humano. Perfeito para quem não sabe o que dar àquele tio mais velho e turrão, que reclama muito da falta de ética da atualidade.

 

Leituras de Natal

Definir “O último Duelo” (Intrínseca, R$ 43,90) como romance histórico é reduzir uma excelente  crônica de costumes medievais a um gênero que não encerra a alentada pesquisa de Eric Jager. Crítico literário especializado em literatura medieval, Jager se detém sobre um caso de justiça do século XIV, na França. Um cavaleiro normando volta da frente de batalha, em plena Guerra dos Cem Anos, entre França e Inglaterra, e denuncia um escudeiro pelo estupro de sua mulher. O julgamento é por combate ao ar livre, com público, em Paris. Se o marido perder, a mulher será queimada em fogueira por falso testemunho.  O duelo aconteceu alguns dias depois do Natal de 1386 e foi o último autorizado pelo Parlamento de Paris, acompanhado por nobres, entre eles o Rei Carlos VI. Ganhou recente adaptação cinematográfica, estrelada por Matt Damon e Adam Driver, de Ridley Scott. Também serve como presente de Natal para os que resmungam contra a deturpação dos valores morais contemporâneos.

Se Natal é época de festejar o congraçamento familiar, “Angelina Purpurina” (Faro Editorial/Milk Shakespeare, R$ 20), da francesa Fanny Joly, vem lembrar que a vida pode ser bem difícil desde a primeira infância, principalmente para menininhas com endiabrados irmãos mais velhos. Angelina, a jovem protagonista, é a caçula numa família contemporânea, com pai e mãe dedicados ao trabalho e dividindo as tarefas da casa com os filhos. Atormentada pelos irmãos, apaixonada por um colega, protegida pela bela melhor amiga, Angelina está sempre alerta para a próxima peça de que pode ser vítima, quando conta com a proteção de pais atentos e amorosos. Um leitura bem divertida para qualquer idade. Bom Natal e boas leituras.

 


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