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Legalização do jogo no Brasil: por um cassino no coração da Cidade Maravilhosa

EDITORIAL – Com a possível legalização do jogo no Brasil, o Porto Maravilha, coração do Rio de Janeiro, é a região mais estratégica para receber um cassino. O exemplo de Buenos Aires merece atenção. Nos anos 90, estabelecimento foi montado dentro de um navio ancorado no Puerto Madero.

23 de março de 2018
The famous neighborhood of Puerto Madero in Buenos Aires, Argentina at night.

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Cassino turbinou o turismo no Puerto Madero, em Buenos Aires

EDITORIAL – O debate sobre a legalização do jogo no Brasil adormece há 72 anos. Foi proibido em função dos riscos do vício e do avanço de práticas como a lavagem de dinheiro. Setores historicamente contrários ao jogo, no entanto, têm sido batidos pelas evidências de que basta um smartphone na mão para tirar um cidadão do alcance da lei e da boa intenção de quem pensava agir para protegê-lo contra os maus hábitos. O jornal O Globo, por exemplo, sinalizou em editorial desta semana uma guinada radical em seu alinhamento com setores religiosos contrários aos jogos de azar. Não é pouca coisa.

O jornal citou a estimativa de um gasto per capita de US$ 18,53 de brasileiros com o jogo on line, o que gera em outros países impostos bilionários. Deixar de jogar luz sobre uma atividade ilegal que cresce diante da vista de todos passa a não ser inteligente em um país aberto. A corrente mais forte entre os lobbies pela legalização do jogo no Brasil propõe restringi-los a cidades turísticas e resorts. Um primeiro projeto, considerado permissivo demais, foi rejeitado pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado, mas o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, já anunciou que espera aprovar este ano a regularização dos cassinos de forma integrada ao complexo turístico do país.

Caso a legalização do jogo no Brasil seja aprovada, o potencial de atração de turistas e geração de empregos torna estratégica a escolha dos locais das construções. Os players econômicos do Porto Maravilha precisam se articular para mostrar o óbvio às autoridades responsáveis pelas decisões. As âncoras culturais e de entretenimento fizeram da região, em pouco tempo, um dos pontos turísticos mais visitados do país.

O exemplo de Buenos Aires merece atenção. No fim dos anos 90, empresários argentinos montaram um cassino em um navio ancorado no Puerto Madero – ou seja, na água, fora do solo. Foi um drible para lá de polêmico na constituição argentina, mas o fato é que o Casino Puerto Madero ajudou a transformar o porto revitalizado no principal ponto turístico portenho. O navio de jogos tem três andares e funciona 24 horas por dia, sem descanso. A entrada é grátis, o que atrai ainda mais os turistas.

Falta muito para reverter o resultado das décadas de desinvestimento e miopia diante do potencial da Região Portuária, tão estratégica para a economia carioca. O mínimo que se pode esperar, agora que os primeiros passos da reurbanização foram dados, é que a cidade não perca novas oportunidades para consolidar este polo vigoroso de transformação urbana. A possível legalização do jogo no Brasil é uma delas. 

Poucas áreas no país têm mais estrutura para sediar um cassino de grandes proporções do que o Porto Maravilha. Há terrenos de grandes dimensões, acesso rápido a dois aeroportos e a todos os modais de transporte, vistas invejáveis para a Baía de Guanabara e mão de obra abundante. A ideia depende de um projeto consistente e sedutor e do engajamento dos agentes econômicos que têm negócios na região, dos políticos e dos urbanistas cariocas. Todos têm perfeita noção da importância crucial da ocupação da Zona Portuária para o desenvolvimento e a integração da cidade inteira.

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