Lagoa tem vazamento de esgoto e morte de capivara | Diário do Porto

Meio Ambiente

Lagoa tem vazamento de esgoto e morte de capivara

Grupo de capivaras foi visto na Lagoa Rodrigo de Freitas, em meio a vazamento de esgoto. Um animal apareceu morto no dia seguinte

19 de setembro de 2021


Na Lagoa Rodrigo de Freitas, um grupo de capivaras foi visto no meio de um vazamento de esgotos (foto: Mario Moscatelli / Facebook)


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Uma capivara foi encontrada morta nas margens da Lagoa Rodrigo de Freitas (Zona Sul) nesse domingo, próxima do local em que no dia anterior um grupo desses animais foi visto no meio de dejetos lançados por uma saída clandestina de esgoto. Esse vazamento ocorre periodicamente ao lado do heliponto municipal.

O biólogo Mario Moscatelli, que no próximo mês completa 32 anos de trabalho para a recuperação ambiental da Lagoa, disse nas redes sociais não saber as causas da morte do animal, mas colocou como uma das hipóteses a possível intoxicação com os dejetos. Moscatelli afirma que o despejo de esgotos acontece pelo menos há 20 anos nesse ponto, sem que as autoridades consigam resolver o problema.

O despejo de esgotos e a morte da capivara comprovam a fragilidade ambiental da Lagoa, um ecossistema urbano alimentado por cursos de água doce que correm da Floresta da Tijuca e pela entrada de águas do mar, no Jardim de Alá.

Em fevereiro, a Prefeitura multou a Cedae (Companhia Estadual de Águas e Esgotos) por causa de vazamentos de esgotos no rio dos Macacos, um dos que desembocam na Lagoa. Na época, a empresa prometeu realizar obras para resolver o problema definitivamente.

A poluição por lançamentos de esgotos na Lagoa já foi bem maior, sendo a causa frequente de mortandades de peixe e do mal cheiro no entorno. A situação começou a mudar gradualmente a partir de 1989, quando Moscatelli iniciou um trabalho solitário de recuperação do manguezal nas margens da Rodrigo de Freitas. Essa ação colaborou para fortalecer a consciência sobre a importância ambiental da Lagoa e a pressionar os órgãos públicos a trabalhar por sua despoluição e preservação.

O biólogo foi ao longo dos anos plantando mudas nas margens degradadas que, inicialmente, ele trazia de Angra dos Reis. Moscatelli estima ter plantado mais de 4.500 plantas e algumas hoje têm até oito metros de altura. O manguezal formou o ambiente para volta de caranguejos, frangos d´água, garças, capivaras e, mais recentemente, de colhereiros – grandes pássaros cor de rosa.

O aparecimento dessas aves foi visto como mais um sinal da lenta recuperação ambiental da Lagoa. Elas são filtradoras de plânctons e crustáceos, cuja cor é mais intensa quanto maior for a quantidade de alimento ingerida.

Mas a morte da capivara, após o vazamento do esgoto, acendeu novamente a luz de alerta. A recuperação ambiental da Lagoa Rodrigo de Freitas é um trabalho permanente. Para ter resultados positivos, não pode parar.


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