Justiça manda que Cedae explique poluição da Baía de Guanabara | Diário do Porto

Justiça

Justiça manda que Cedae explique poluição da Baía de Guanabara

Cedae também é responsável pela crise da água com mau cheiro no Rio. Alvo de privatização, a empresa vem apresentando lucro para atrair investidores

29 de janeiro de 2020


Lagoas da Barra da Tijuca e a Baía da Guanabara recebem esgotos sem tratamento (foto: Divulgação/MPF)


Compartilhe essa notícia:


A Cedae (Companhia Estadual de Águas e Esgoto), seus ex-diretores e um gerente têm dez dias para apresentar suas defesas em processo em que são acusados de poluírem a Baía de Guanabara e a Barra da Tijuca, pelo despejo de esgoto sem tratamento. Essa decisão foi tomada pelo Juízo da 5ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, que aceitou denúncia oferecida pelo MPF (Ministério Público Federal).

A decisão da Justiça chega ao mesmo tempo em que a Cedae está no centro da crise do fornecimento de água com mau cheiro e coloração alterada, problema que afeta milhões de moradores do Rio e na Baixada Fluminense desde o início do ano.

As duas notícias são observadas com atenção por possíveis investidores na privatização da empresa. Há expectativa do mercado pelo anúncio do desempenho financeiro da Cedae em 2019 e é esperado crescimento do lucro, que em 2018 ficou em R$ 832 milhões.

O que não fica claro é o quanto desse lucro da empresa é devido ao fato de a mesma não estar realizando obras e serviços para cumprir perfeitamente suas obrigações em abastecimento de água e saneamento básico. Ou seja, os bons resultados financeiros parecem ser fruto de omissão e não de boa administração.


LEIA TAMBÉM:

Píer Mauá se prepara para o Congresso Mundial de Arquitetos

UERJ terá navio de pesquisa e vai monitorar Baía de Guanabara

Corte de verba acaba com terça gratuita no Museu do Amanhã


Na ação penal sobre o despejo de esgotos sem tratamento no meio ambiente, segundo laudos que constam no processo, foram colhidas amostras das águas que saem das Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) em São Gonçalo, Penha, Pavuna e Sarapuí.

Em todas elas se constatou que a empresa despeja efluentes poluídos que acabam na Baía de Guanabara. A mesma situação foi constatada nos efluentes da ETE da Barra da Tijuca.

Os laudos periciais elaborados pela Polícia Federal, com o auxílio do Instituto de Biologia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), registraram que a Cedae estava lançando concentrações de matéria orgânica até 9 vezes maiores do que o permitido. Em dezembro, após a denúncia do MPF, a Cedae declarou que já firmou acordo com o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro para ampliar “a prestação de serviço de esgotamento sanitário no entorno da Baía de Guanabara”. Além disso, a empresa também está procurando firmar outro acordo específico para áreas da Barra da Tijuca e Jacarepaguá.

Quase um mês após o início da crise no fornecimento de água, a empresa anunciou na semana passada que vai iniciar procedimento licitatório para obras de proteção da tomada de água da Estação de Tratamento de Água do Guandu. “O objetivo é impedir que os rios Ipiranga, Queimados e Poços misturem suas águas ao Rio Guandu, próximo à captação da ETA Guandu. As obras representarão investimentos de cerca de R$ 90 milhões e, após a contratação da empresa, devem ser executadas em até 720 dias”, publicou a Cedae em nota em seu site.