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Juízas e juízes vencem o Desafio Lideranças Públicas Negras

Lideranças públicas negras participaram do prêmio que reconhece quem promove a igualdade racial no setor público. Doze mil pessoas votaram

3 de fevereiro de 2021
Desafio Lideranças Públicas Negras premiou o projeto ENAJUN - Encontro Nacional de Juízas e Juízes Negros (foto: Divulgação)


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O Encontro e Fórum Nacional de Juízas e Juízes Negros (Enajun/Fonajurd) foi o primeiro colocado no Desafio Lideranças Públicas Negras, uma parceria da Arapyaú, Humanize, Fundação Lemann e República.org. O concurso reconhece e impulsiona o trabalho de quem promove a igualdade racial no setor público.

Fábio Francisco Esteves, um dos idealizadores do Enajun, afirma que “o Prêmio Desafio Lideranças Públicas Negras revela que a sociedade demanda por igualdade racial no serviço público. Com este reconhecimento, o Enajun se fortalece como iniciativa que promove o aumento do acesso e do desenvolvimento profissional de juízes e juízas negros, além de contribuir para atuação do Poder Judiciário no enfrentamento das discriminações raciais”.

O Desafio foi lançado em novembro de 2020 e contou com a inscrição de 21 iniciativas. Destas, 5 entidades foram selecionadas por gerarem melhores oportunidades em posições de liderança para profissionais negros no setor público. A eleição entre os finalistas, feita pela internet, contou com mais de 12 mil votos. O “Enajun/Fonajurd” venceu com aprovação de 41,7%.

Em segundo e terceiro lugares ficaram respectivamente “Abayomi Juristas Negras”, com 40,7%, e “Rede Mulher Ações Neabi-Ufac”, com 7,8%. Os outros dois participantes foram “Ações Afirmativas no Serviço Público: uma Urgência”, com 6,4%, e “Criação da Coordenação de Promoção da Equidade Racial na Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro”, com 3,3%. O “Enajun/Fonajurd”, iniciativa vencedora, receberá um prêmio de R$ 10 mil. Além disso, os três primeiros colocados terão a possibilidade de fazer parte da rede de profissionais que participam de diversos projetos com a República.org.

Criado em 2016, o Enajun/Fonajurd discute a identidade da magistratura brasileira e os impactos do racismo estrutural no Poder Judiciário. A motivação é a pequena quantidade de magistrados pretos e pardos no país: 18,01% do total de quase 19 mil juízes e juízas.

Composto por membros das magistraturas estadual, federal e trabalhista, o Enajun é promovido por juízes e juízas negros com os demais membros do Poder Judiciário, instituições e a sociedade. Além do evento anual que envolve palestras, atividades científicas e manifestações institucionais, a iniciativa participa ainda de uma série de outras atividades que buscam reduzir as desigualdades raciais no Poder Judiciário.

Lideranças Públicas Negras integram campanha

O Desafio é parte da campanha “Onde estão os negros no serviço público?” que promove o debate em torno do tema e propõe medidas para aumentar a representatividade do setor. Negras e negros são 54% da população brasileira, mas estão longe de ocupar a mesma proporção em cargos do serviço público. No Governo Federal, por exemplo, são apenas 35,6% dos servidores. O percentual de representatividade dos negros é ainda menor quanto mais alto o escalão. Somente 5,9% dos diplomatas brasileiros, por exemplo, são negros.


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