Itaguaí protege mangues e rejeita exportação de ferro | Diário do Porto


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Itaguaí protege mangues e rejeita exportação de ferro

Prefeitura de Itaguaí começou a plantar 13 mil mudas nativas de manguezais. Ao mesmo tempo rejeita expandir exportações da CSN e Vale

1 de agosto de 2022

Itaguaí começa a restaurar manguezais no bairro de Coroa Grande (foto: Prefeitura de Itaguaí / Divulgação)

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A Prefeitura de Itaguaí, no litoral Sul do Estado do Rio, iniciou um programa de restauração de manguezais, em uma área que deve chegar a 6 mil hectares, cerca de 6 mil campos de futebol. O projeto acontece ao mesmo tempo em que o prefeito Rubem Vieira vem se movimentando para impedir a instalação de um novo terminal de exportação de minério de ferro no município.

O prefeito considera que as movimentações de ferro são uma das principais causas da poluição ambiental na Baía de Sepetiba, onde fica o Porto de Itaguaí, que serve para exportar o minério trazido de Minas Gerais pela Vale e CSN. A atividade não gera arrecadação de impostos no Rio e, sim no Estado de origem. Além disso, segundo a Prefeitura, também não compensa pelos poucos empregos criados localmente.

Em live disponível nas redes sociais, Rubem Vieira faz severas críticas ao projeto do novo terminal. “Eu não sou contra o desenvolvimento. Precisamos de emprego, precisamos gerar renda. Só que o Porto de Itaguaí não aguenta mais tanta poluição. Não aguenta mais o absurdo que é o minério, que paga seus impostos em Minas Gerais, e o Estado do Rio de janeiro fica para trás. A população local fica só com a herança maldita ambiental. Estamos perdendo arrecadação, perdendo empregos e a nossa natureza”, esbravejou o prefeito.

O programa de recuperação dos manguezais está começando por uma área pequena de um hectare (cerca de um campo de futebol), localizado no Frontal das lhas, no bairro de Coroa Grande. É um terreno de propriedade do próprio município, no qual serão plantados cerca de 13 mil mudas de espécies nativas de mangue.

Itaguaí quer reagir contra degradação ambiental

Para secretária municipal de Meio Ambiente, Shayene Barreto, o programa é importante para a preservação da biodiversidade e para a recuperação da Baía de Sepetiba, que há anos vem sofrendo com a degradação ambiental.

Presente em 338 municípios brasileiros, os manguezais são ecossistemas costeiros de transição entre os ambientes terrestre e marinho. Devido a sua elevada biodiversidade, as áreas onde se localizam os mangues são grandes berçários naturais para aves, peixes, moluscos e crustáceos, além de ser um ecossistema importante para combater mudanças climáticas.

Para proteger a riqueza ambiental do município, o prefeito Rubem Vieira diz que não irá permitir a expansão do Porto de Itaguaí, operado pela Companhia Docas do Rio de Janeiro (CDRJ). Ele critica o atual funcionamento do terminal, dizendo que as operações são realizadas com licenças precárias. “Nós temos uma empresa, a CSN que está com o alvará ambiental no protocolo, porque foi vencido em 2012 e até hoje não saiu. Temos outra empresa, a CBPS, que é da Vale e que está funcionando com protocolo, já que a licença ambiental não saiu desde 2012. Temos uma outra licença do Porto Sudeste, que é um outro protocolo. Como é que funciona? Eles dão entrada no Protocolo e trabalham. Não importa se tem a licença ou não”, conclui.


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