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Intervenção no Rio não reduziu crimes no Porto e no Centro

O DIÁRIO DO PORTO pesquisou os índices de roubos, homicídios e furtos na região onde ficou o QG dos generais da Intervenção no Rio. Confira o resultado.

27 de dezembro de 2018

Solenidade do fim da Intervenção Federal no Rio de Janeiro, no Palácio Duque de Caxias, na Região Portuária

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Solenidade do fim da Intervenção Federal no Rio de Janeiro, no Palácio Duque de Caxias
Solenidade do fim da Intervenção, no Comando Militar do Leste, Região Portuária (foto Tânia Rego, EBC)

Dizem que santo de casa não faz milagre. E a Intervenção Federal na Segurança Pública do Rio de Janeiro confirma o ditado. A presença dos generais Walter Braga Netto no Palácio Duque de Caxias e Richard Nunes no prédio da Central do Brasil não intimidou a bandidagem na região. Pelo contrário: nos nove meses de intervenção no Rio, os crimes de roubo e furto aumentaram na Região Portuária (Gamboa, Santo Cristo e Saúde) e no Centro.

Os dados são do Instituto de Segurança Pública (ISP), também sediado no prédio da Central do Brasil. O ISP divide o estado em Circunscrições Integradas de Segurança Pública (Cisp). De modo geral, a Cisp corresponde à área de responsabilidade da Delegacia de Polícia. Na Cisp 4, que compreende os três bairros do Porto Maravilha (Saúde, Gamboa e Santo Cristo), os roubos de rua subiram 17% no período da Intervenção Federal, de 890 para 1.045. É exatamente onde ficam os prédios da Secretaria de Segurança e do Comando Militar do Leste, ou seja, o QG da Intervenção no Rio.

 

Prédios do Comando Militar do Leste e da Central do Brasil
Prédios do Comando Militar do Leste e da Central do Brasil: o QG da Intervenção (foto Inepac)

 

Na vizinha Cisp 1 (Centro), o percentual de crescimento do roubo de rua foi pior: de 567 para 831 casos (+ 47%). Na Lapa (Cisp 5), que teve o reforço do programa Lapa Presente, bancado em grande parte pela Fecomércio-RJ, houve uma redução de 16%, mas os números continuam incompatíveis com os esforços para estimular o turismo na região: 1.635 casos registrados no período de 2017 e 1.377 em 2018.

O DIÁRIO DO PORTO fez o comparativo, conforme orientação do ISP, considerando o períodos de abril a novembro de 2017 em comparação com o mesmo período em 2018. Isso porque, apesar de ter sido decretada em fevereiro de 2017, a Intervenção no Rio, segundo o ISP, só começou a atuar efetivamente em abril. Além disso, o movimento grevista da Polícia Civil de janeiro a março de 2017 provocou uma redução de registros que afeta a base de comparação.

Os casos de homicídios dolosos também subiram na Região Portuária, que engloba o entorno degradado do Palácio Duque de Caxias e da Central do Brasil. Passaram de 11 para 17 casos, um aumento de 55%. Na Cisp 1 (Centro), que não registrou esse tipo de crime em 2017, foram dois em 2018. Na região da Lapa (Cisp 5), os casos caíram pela metade, de oito para quatro.

 


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O roubo em coletivo, quando há ameaça do bandido ao passageiro, cresceu bastante no período dos generais nas três áreas analisadas pelo DIÁRIO. Na Região Portuária, QG da Intervenção no Rio, o aumento foi de 24%: de 156 para 194 casos. O percentual de crescimento foi ainda maior na Cisp 5 (Lapa), de 64 para 90, ou seja, 41%. Na área mais central (Cisp 1), foi de 40 para 54 casos (35%).

No item furto em coletivo, quando não há ameaça, mas o marginal surrupia algum objeto sem que a vítima perceba, só a área da Lapa (Cisp 5) registrou queda (de 9%). Eles caíram de 102 para 93 casos. Na Região Portuária, a modalidade subiu 12%, de 172 para 193. No Centro, o crescimento foi o maior: 61%, de 76 casos para 122.

O total de roubos, de um modo geral, caiu 9% no Estado, de 168.597 casos para 152.767, mas explodiu na área da Cisp 1, o Centro da cidade: 41% de aumento, passando de 723 para 1.021 registros. Na Região Portuária, também subiu (11%), de 1.202 para 1.331. Na área da Cisp 5 (Lapa), houve redução de 8%: de 2.177 para 2.000 episódios registrados.

Para não terminar sem uma boa notícia, essa vai para quem gosta de pedalar. A redução no furto de bicicletas foi bem significativa. No Centro (Cisp 1), o índice caiu 76%: de 25 casos em 2017 para seis em 2018. Na Cisp 5 (Lapa), caiu ainda mais, de 35 para seis casos (menos 83%). Na Região Portuária, o número se manteve em seis casos. Houve raros registros de roubo de bicicleta: um caso na Cisp 1 (zero em 2017), nenhum na Região Portuária (como em 2017) e três na Cisp 5 (dois em 2017).


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