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Inteligência Artificial é o novo petróleo do Rio

Para Maria Luiza Reis, presidente da Assespro-RJ, centros de excelência em inteligência artificial abrem oportunidade igual à da tecnologia de óleo e gás

5 de janeiro de 2021
O RJ larga na frente em Inteligência Artificial (Foto Gerd Altmann/Pixabay)

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Maria Luiza Reis 

Presidente da Assespro RJ e CEO Lab245 Software

Maria Luiza Reis

Nos últimos 40 anos, o Rio de Janeiro passou de estado agrícola pobre, reunido ao então Distrito Federal, a uma economia forte em relação ao restante do País. Essa grande virada teve a tecnologia como principal elemento propulsor. Até os anos 1970, o Rio de Janeiro não tinha petróleo, e a viabilidade econômica de sua exploração viável só foi possível por conta do desenvolvimento de tecnologia nacional na exploração em águas profundas.

Diferentemente do Oriente Médio e do Texas, nos Estados Unidos, aqui no Brasil o ouro negro não brota no solo; Foi preciso muita tecnologia para chegar ao sucesso da produção em poços economicamente viáveis. Recentemente chegamos à camada pré-sal, graças a uma tecnologia que só o Brasil havia desenvolvido. Desafiamos os incrédulos, e hoje a produção do pré-sal é a mais rentável do país.

O Rio de Janeiro está agora diante de uma nova oportunidade de desafiar os céticos e usar os recursos que tem de sobra para assumir um novo papel na economia nacional: ser um centro de desenvolvimento de tecnologia em inteligência artificial. E por que o Rio de Janeiro é o local perfeito para isso? Porque nele se encontra uma concentração única de centros de tecnologia, pesquisa e ensino, instituições de renome internacional, com produção científica numerosa e instalações computacionais com alto poder de processamento.*

Assespro-RJ e a Inteligência Artificial

O ano de 2020 começou com a promessa de ser o ano da Inteligência Artificial. Tivemos o primeiro grande evento do Brasil em IA organizado pela Assespro-RJ (Federação das Associações das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação). Foi no Museu do Amanhã, em março de 2020, pouco antes da pandemia. Com a Covid 19, o foco em inteligência artificial mudou rapidamente para Saúde e socorro à economia, mas a tecnologia ampliou sua importância em uma sociedade cada vez mais digital. Empresas digitais ultrapassaram mineradoras, petrolíferas e bancos em valor de mercado.

As sérias dificuldades que o Brasil está enfrentando nos forçou a reagir e pensar em alternativas e novos formatos de arranjos produtivos, unindo o setor privado com o ensino e a pesquisa para conquistar esse espaço que é considerado o novo petróleo: o serviço de dados.

Diferentemente de outras ocasiões, o momento não é de apostar todas as fichas em grandes estatais que estiveram à frente no passado. Agora o foco é na multiplicação de oportunidades, convocando empresas de todos os portes a participarem de redes de Inteligência Artificial. Essas empresas de tecnologia poderão atender às empresas com sede no Rio de Janeiro ou em qualquer outro lugar do Brasil e do mundo, multiplicando riqueza e atraindo investimentos estrangeiros. O Rio de Janeiro possui essa força. Com seu grande número de mestres e doutores, tem um grande potencial de inovação e empreendedorismo e será um empregador de mão de obra altamente qualificada.

A criação do Porto 21

Algumas iniciativas de prefeituras e do governo estadual vêm ao encontro da formação de núcleos de tecnologia. Podemos citar, por exemplo, o edital de apoio a três redes de Inteligência Artificial no Rio de Janeiro pela Faperj e a Lei 6788 de outubro de 2020, que concebe o Distrito Criativo do Porto 21, no Porto Maravilha. A área conta com prédios de arquitetura moderna, infraestrutura de internet e VLT, transporte não poluente que une aeroporto, rodoviária, trens, metrô e barcas. Outra vantagem competitiva é a proximidade do Centro mais antigo com grandes empresas privadas e estatais.

O Rio de Janeiro tem essa força e precisa abraçar a oportunidade. Ela não depende do fim da pandemia nem das vacinas, tão esperadas.  

*Exemplos de instituições públicas de ensino e pesquisa com padrão internacional: UFRJ com seu super computador Lobo Carneiro, Uerj, IME, UFF, UFRRJ, Cefet, Uezo, Uenf, IFRJ, Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) e seu super computador Santos Dumont, Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa), Centro Brasileiro de Pesquisa Física (CBPF), Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Instituto Nacional de Metrologia (Inmetro), entre tantos outros. Temos ainda centros de ensino e pesquisa superior com iniciativas pioneiras e reconhecimento internacional, como PUC-Rio, e com enfoque no empreendedorismo, como UVA e Unisuam.


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