Industrializa RJ: estado quer se reindustrializar com gás natural | Diário do Porto

Energia

Industrializa RJ: estado quer se reindustrializar com gás natural

Governo Castro lança Industrializa RJ, uma ‘reindustrialização’ a partir do gás natural. Ponto de partida é cadeia de gás do pré-sal no Porto de Itaguaí

11 de maio de 2021


Unidade do Terminal de Cabiúnas (Tecab): Industrializa RJ aposta no potencial de gás natural do estado (Foto: Jussara Peruzzi / Agência Petrobras)


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Responsável por 61,2% da produção nacional de gás natural, o Rio de Janeiro aposta nessa fonte de energia como combustível para se reindustrializar e atrair investimentos e empregos. O Governo do Estado lançou nesta terça-feira 11 o projeto Industrializa RJ com o objetivo de impulsionar a retomada do setor. A ideia é mapear demandas, remover gargalos e destravar investimentos da indústria de gás.

A primeira reunião com os envolvidos nos empreendimentos dos diversos projetos de gás no estado foi focada na região do Porto de Itaguaí. O Governo do Estado acredita que o projeto Rota 4B, para escoamento da produção do gás do pré-sal via Porto de Itaguaí, vai melhorar a logística e acelerar a implantação de empresas no entorno.

O encontro reuniu, pela primeira vez, mais de 30 representantes de infraestrutura, ofertantes, demandantes e funding (agentes financeiros) do projeto Rota 4B. Participaram empresas como Equinor, Ternium, Braskem, Gerdau, Furnas, Natural Energia, Compass, Sepetiba Tecon e Shell, além do BNDES, principal financiador de infraestrutura no Brasil.

Para Pedro Teixeira, vice-presidente Jurídico e de Relações Institucionais da Ternium, a demanda de gás natural no Rio já é uma realidade. “Existe uma demanda potencial nos empreendimentos já instalados na região da Baía de Sepetiba capazes de viabilizar a rota para Sepetiba.”

 


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Thiago Martins, gerente de relações governamentais da petroleira norueguesa Equinor, também acredita no potencial do gás natural no RJ. “Vemos um futuro muito bom. Vai haver muita demanda para o gás natural no Estado”, afirmou.

‘Maior hub energético do país’

Segundo o diretor de Energia da Braskem, Gustavo Checcucci, só a indústria petroquímica do Rio pode consumir 18 milhões de metros cúbicos de gás. “Esse é o equivalente a uma rota inteira de escoamento. Temos uma demanda de gás natural firme, constante e de longo prazo”, garantiu.

O governador Cláudio Castro lembrou que o Rio de Janeiro é hoje o segundo maior estado brasileiro em exportações e importações, o terceiro maior em potencial de consumo, o segundo maior polo automotivo do país em número de empresas e ainda sedia o maior investimento privado na América Latina: o Porto do Açu. Segundo ele, o gás natural será o combustível para o crescimento do estado que é “o principal hub energético nacional”.

“É uma oportunidade concreta. Temos recebido muitas empresas multinacionais que veem no gás natural uma fonte de energia de transição para suas indústrias. Estamos trabalhando para criar as melhores condições para a chegada de novos empreendimentos e o crescimento daqueles que já estão em nosso estado”, afirmou.

Para o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Energia e Relações Internacionais, Leonardo Soares, a proximidade com as reservas de gás gera facilidade no escoamento. Isso já já se reflete no número de termelétricas instaladas no Norte Fluminense, que responde por 80% do petróleo nacional e tem potencial para atender às demandas da indústria local e de todo o estado.

“Existe uma falsa percepção, divulgada por alguns agentes do mercado, de que não existe demanda para empreendimentos de gás natural no Estado do Rio de Janeiro. Algo que não combina com as informações que temos de CEOs e executivos de indústrias de diversos e grandes setores com quem temos conversado”, afirmou Soares.

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Leonardo Soares
Leonardo Soares anunciou ações para atrair indústrias para Maricá (Foto: Divulgação)

“Também está nos pilares da nossa estratégia realizar ações relacionadas à atração de novos empreendimentos e a implantação de indústrias na região de Maricá, com o aproveitamento da Rota 3 do gás natural, que já leva a matéria-prima da Região Norte para ser manufaturada em Itaboraí”, explica Leonardo Soares. Segundo ele, o Industrializa RJ quer inserir o Estado na nova indústria 5.0 e ESG, visando à consolidação de uma indústria moderna e contemporânea.

Para o BNDES, o Governo do Rio está dando um importante passo, colocando a industrialização como estratégia de desenvolvimento. “Isso é algo que, certamente, vai atrair novos investimentos para o estado. Enxergamos um grande potencial e grandes oportunidades para o Rio de Janeiro”, afirmou Pedro Dias, representante do banco na reunião. “O gás natural é um tema importante e estratégico para o BNDES”, acrescentou.