Indústria de games cresce na crise, e Niterói se destaca | Diário do Porto


Inovação

Indústria de games cresce na crise, e Niterói se destaca

Enquanto setor naval está em crise, oportunidades de emprego na indústria de games vem crescendo na região metropolitana do Rio de Janeiro

15 de janeiro de 2019

Cursos profissionalizantes, como os da Zion, têm se mostrado alternativa viável para jovens ingressarem em mercado de games mais rapidamente (Foto: Divulgação)

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Jovens fazem cursos técnicos como os da Zion para ingressar no mercado da área de games
Cursos como os da Zion ajudam jovens a ingressarem no mercado de games (Foto: Divulgação)

Um polo de criatividade do outro lado da Baía de Guanabara pode inspirar jovens e empreendedores do Porto Maravilha. Em Niterói, onde o desemprego assola a indústria naval, a cultura geek (expressão em inglês para viciados em tecnologia) vem se consolidando. A cidade é a segunda mais nerd do país, perdendo apenas para Florianópolis, de acordo com o site Amazon.com.

No primeiro semestre de 2018, a indústria niteroiense, incluindo o setor naval, fechou 233 vagas, de acordo com o Ministério do Trabalho. Ao longo do ano, os números marcaram 743 desligamentos. Enquanto isso, a cultura geek surge como campo fértil de oportunidades.

 


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Este é o segundo ano consecutivo em que o município fica na vice-liderança como nerd atrás da capital catarinense, de acordo com a Amazon. Além de movimentar o mercado geek na internet, o niteroiense aquece um mercado local. Como resultado, novos espaços para jogos e eventos de encontro têm surgido. O mais recente point dos geeks é a ZION, no centro de Niterói.

A escola tem uma arena futurista de games aberta ao público. Sua proposta é apresentar aos alunos jogos que vão desde óculos de realidade aumentada a simuladores de corrida de alto padrão. Além disso, oferece um croma key para fotos e gravações, como nas técnicas dos filmes de Hollywood.

Oportunidades na área

A procura por profissionais na área cresce em Niterói. A empresa Z Talent, por exemplo, preencheu 80 vagas em apenas um fim de semana, de social media, web designer, designer gráfico, 3D e animação. As contratações variaram de sistema CLT, freelas e contratos temporários. Somente em outubro, mais de 30 empresas procuraram profissionais para as vagas de entretenimento digital.

Com isso, aumentou o interesse de aprender a profissão, de acordo com o coordenador de ensino da Zion, Rogério Felix. Segundo ele, o crescente mercado da indústria de games influencia a procura por cursos na área. Ele explica que a inserção nesse mercado específico não é mais exclusividade da classes sociais mais privilegiadas.

“Existem muitas oportunidades e cursos. Jogos abrem horizontes. Uma pessoa que cria o cenário de um GTA, por exemplo, pode ir para outras áreas, como arquitetura e construção. Não é um setor fechado. Ele abre várias possibilidades”, opina.

Números do Rio de Janeiro

Com o desenvolvimento da indústria de jogos eletrônicos, o número de ofertas de emprego no setor se elevou brutalmente. No Brasil, o total de vagas de emprego no setor subiu 73% de 2015 até hoje. Assim, a oferta de vagas na área de games se tornou maior do que a procura.

As oportunidades estão concentradas no estado de São Paulo (62%), seguido de Santa Catarina (8%), Rio de Janeiro (6%), Rio Grande do Sul (5%) e Amazonas (3,5%). A maior parte delas é preenchida por alunos de cursos profissionalizantes e técnicos. Eles têm se mostrado uma forma rápida de gerar receita e ajudar a família.

Segundo a Associação de Software de Entretenimento, esse setor de entretenimento já acumula receitas estimadas em US$ 36 bilhões no mundo. Nos Estados Unidos, em 2017, os ganhos de bilheteria dos campeonatos de games chegaram a pouco mais de US$ 11 bilhões.

Entre as oportunidades da área, estão vagas para designers de jogos, produtores, programadores e artistas, cargos corporativos, de vendas e marketing.


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