Ilha do Brocoió: o paraíso esquecido da Baía de Guanabara | Diário do Porto


História

Ilha do Brocoió: o paraíso esquecido da Baía de Guanabara

Sede do futuro campus da Universidade do Mar da Baía de Guanabara, a Ilha do Brocoió já foi refúgio de Nicolau de Villegagnon e gabinete de Carlos Lacerda

29 de março de 2022

Construída pelo milionário Octavio Guinle, a mansão da Ilha do Brocoió é a única em estilo normando da América Latina (divulgação/Movimento Baía Viva)

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Futuro campus da Universidade do Mar da Baía de Guanabara, iniciativa da Uerj que conta com o apoio do Movimento Baía Viva e da Morena – Associação de Moradores da Ilha de Paquetá, a Ilha do Brocoió fica a 300 metros de Paquetá. Em tupi-guarani, a palavra significa “sussurro”. Acredita-se que, antes da colonização portuguesa, servisse como local de exílio para índios rebelados. Durante a escravidão, o lugar era usado como uma das paradas de quarentena antes que os negros cativos da África desembarcassem na cidade.

Durante o período colonial – quando a cal, misturada ao óleo de baleia, servia de base para as construções –, a ilha também serviu para a produção caieira. Segundo historiadores, ela foi descoberta por André Thevet, cosmógrafo da expedição do almirante bretão Nicolas Durand de Villegagnon, que, em 1555, fundou no Rio a França Antártica. Inclusive teria sido o último local de residência do cavaleiro da Ordem de Malta no Rio antes da expulsão pelos portugueses. Brocoió inclusive ficou conhecida como a Ilha de Villegagnon.

Mas foi após a aquisição do local pelo empresário brasileiro Octavio Guinle que Brocoió atingiu seu apogeu. O magnata encomendou ao renomado arquiteto francês Joseph Gire o projeto de uma imponente mansão que ficou pronta em 1932 e até hoje é a única em estilo normando em toda a América Latina. Os materiais utilizados em sua construção vieram da França e de Portugal.

Um enorme órgão, que possui um mecanismo capaz de executar sozinho um grande acervo de partituras clássicas, foi trazido da Alemanha. Além dos dois andares residenciais, a edificação tem também um sótão e um porão. Ainda fazem parte do complexo uma casa para o administrador, um depósito, uma estufa, um abrigo para lanchas, um píer, um viveiro de peixes e um lago.

Em 1944, durante a gestão de Henrique Dodsworth, a ilha foi comprada por seis milhões de cruzeiros pela Prefeitura do Distrito Federal. Durante muito tempo, o local foi frequentado por faisões e pavões, que passeavam soltos no jardim projetado por Joseph Gire. Mas também por políticos, e não apenas para comemoração ou descanso.

Nos anos 1960, por exemplo, o governador Carlos Lacerda costumava despachar do escritório da suíte com vista privilegiada para a Cidade Maravilhosa. O banheiro do cômodo é uma verdadeira obra de arte. Numa mescla dos estilos art déco e art nouveau, a banheira e as pias foram esculpidas em blocos únicos de mármore de Lioz em tom amarelo e adornadas com torneiras de bronze em forma de pássaros.

Transferida para o Governo do Estado, a propriedade serviu como residência de verão para algumas autoridades e, em 2016, foi repassada para o Rioprevidência, deixando de ser propriedade do Poder Executivo. A promessa de que o local seria aberto à visitação pública, repetida por muitos governantes desde então, jamais se realizou.  Com o acesso marítimo desativado, a única maneira de se chegar à ilha hoje atualmente é de helicóptero. Com a implantação da futura Universidade do Mar, a Ilha do Brocoió vai iniciar uma nova era: a do conhecimento em defesa da preservação da Baía de Guanabara.


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