Fechada, igreja foi restaurada com recursos públicos | Diário do Porto

História

Fechada, igreja foi restaurada com recursos públicos

Com as portas fechadas na pandemia, Igreja São Francisco da Prainha teve reforma financiada com receita da venda de certificados emitidos pela Prefeitura

7 de outubro de 2021


Eduardo Paes e o Arcebispo do Rio, Dom Orani Tempesta, na reinauguração da Igreja São Francisco da Prainha, em 2015. (J.P. Engelbrecht/Pref. Rio)


Compartilhe essa notícia:


Chico Silva

Fechada desde o início da pandemia, a histórica Igreja de São Francisco da Prainha, na Saúde, foi completamente restaurada em 2015 com recursos do Porto Maravilha Cultural, programa coordenado pela Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto Maravilha (Cdurp). A restauração custou R$ 4,3 milhões e foi financiada com a venda dos Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs). Três por cento de cada título imobiliário emitido pela Prefeitura vai para o Porto Maravilha Cultural.

Na cerimônia de reabertura, que contou com a presença do Arcebispo do Rio, Dom Orani João Tempesta, e do prefeito Eduardo Paes, então em seu segundo mandato, o responsável pela igreja, Antonio Benedito de Jesus da Silva Bitencourt, disse que a capela ficaria aberta à visitação das 9h às 11h30 e das 13h às 16h, de segunda a sexta-feira.

“Uma igreja aberta é uma porta aberta a todos. Agora os moradores podem vir todos os domingos à missa, programar batizados e casamentos. É um ganho muito grande para quem viu a igreja quase caindo”, afirma Marília de Souza, moradora do Morro da Conceição

A igreja é também o Museu Sacro, ambos administrados pela Ordem São Francisco da Penitência. O site MuseusBR, a maior plataforma de informações sobre museus brasileiros sob responsabilidade do Instituto Brasileiro de Museus, autarquia vinculada ao Ministério do Turismo, informa que o museu está aberto e funcionando às terças e quintas das 11h às 15h.

Mas o site está desatualizado. Por duas vezes na últimas semanas a reportagem do DIÁRIO DO PORTO esteve no local e encontrou as portas da igreja fechadas. A última delas na terça-feira passada, dia que, segundo o site MuseusBR, o espaço estaria aberto. Moradores do entorno nos informaram que nem se lembram qual foi a última vez que a viram aberta. Em reportagem publicada ontem neste DIÁRIO DO PORTO o administrador da Ordem e da Igreja, Carlos Alberto Pinheiro, informou que a pandemia é a razão do fechamento. Leia mais aqui: https://diariodoporto.com.br/patrimonio-lacrado/

 

Com a igreja fechada há meses, moradores do Beco João José, fazem outros usos de suas instalações (DIÁRIO DO PORTO)

LEIA TAMBÉM:

Na Alerj, prefeito propõe limitar Santos Dumont

Frente de Defesa do Galeão precisa do governador Cláudio Castro

Saúde, porta de entrada do Porto, é o bairro mais legal do Brasil


Cdurp e Arquidiocese não irão intervir

Apesar de a reforma ter sido realizada com recursos de um programa sob sua responsabilidade, a Cdurp informou que nada pode fazer quanto à reabertura da igreja, pois isso caberia apenas à Arquidiocese do Rio ou a sua mantenedora, a Ordem São Francisco da Penitência,

Mesma resposta foi dada à reportagem pela Arquidiocese do Rio de Janeiro. Segundo sua assessoria de imprensa, a ArqRio só poderia intervir se houvesse alguma denúncia de abandono ou destruição do patrimônio histórico. A Igreja é tombada como monumento artístico pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Decretos municipais autorizaram o funcionamento de igrejas e museus na pandemia, desde que respeitadas as normas de distanciamento social e segurança sanitária. A maioria deles está funcionando na cidade. Por ser administrada por uma instituição religiosa, não há obrigatoriedade para que seja reaberta. A decisão cabe aos seus administradores. Enquanto isso não acontece o Rio, os moradores da Região Portuária e turistas ficam privados de visitar um dos monumentos mais antigos e simbólicos de uma cidade que tem santo até no nome.