Ícone abandonado da arquitetura, edifício A Noite será vendido | Diário do Porto

Imóveis

Ícone abandonado da arquitetura, edifício A Noite será vendido

Inaugurado em 1929, o edifício A Noite será vendido pelo governo federal. O edital de venda está previsto para ser divulgado em breve

29 de maio de 2018


Edifício destoa do investimento maciço na reurbanização da Praça Mauá


Compartilhe essa notícia:


Detalhe da arquitetura do Museu do Amanhã em contraste com o icônico A Noite. Foto: DiPo

A cidade do Rio de Janeiro – nomeada Capital Mundial da Arquitetura este mês pela Unesco – reúne novos e antigos ícones arquitetônicos. Alguns deles convivem lado a lado na Praça Mauá, coração da Zona Portuária. É o caso dos moderníssimos Museu do Amanhã e Museu de Arte do Rio (MAR), vizinhos do primeiro arranha-céu da América Latina, o edifício A Noite, inaugurado em 1929. Apesar da revitalização da região, o prédio tem aspecto de abandono, com rachaduras e pichações. Dono do imóvel, o Governo Federal informou que deverá divulgar em breve edital para sua venda. O mesmo foi prometido pelo INSS em relação ao prédio da Avenida Venezuela, perto dali, também abandonado.

Segundo a Secretaria do Patrimônio da União (SPU), o edifício A Noite, que vem sendo esvaziado desde 2012, é avaliado em R$ 120 milhões, R$ 17 milhões a menos que o preço estimado em 2016, quando o valor foi levantado pela primeira vez. Os últimos ocupantes do local, entre 1970 e 2009, foram funcionários do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Hoje, a maioria dos cerca 1.100 trabalhadores do INPI estão num imóvel na Rua Mayrink Veiga.

Edifício A Noite fica na Praça Mauá, coração da Zona Portuária do Rio.

Os tempos de glória do edifício de 120 metros de altura, nas décadas de 1930 e 1940, quando abrigou a Rádio Nacional e foi sede de multinacionais, foi sepultado. De seus 22 andares, somente o terceiro estava ocupado, até o dia 4 deste mês, quando os últimos funcionários do INPI foram embora e só restaram seguranças. Segundo nota do Instituto, desde março todo o pessoal que restava foi concentrado no terceiro andar e o restante do imóvel permaneceu fechado e sem energia. Até o fim deste ano, o prédio deverá ser totalmente esvaziado e devolvido à SPU.

Tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde 2013 e considerado um dos símbolos da arquitetura art déco carioca, o edifício A Noite é assinado pelos arquitetos Joseph Gire (autor do Copacabana Palace e do Hotel Glória) e Elisário Bahiana (calculista do Palácio Gustavo Capanema, no Centro). O arranha-céu foi endereço do jornal A Noite, de empresas como Philips e PanAm, e dos consulados dos Estados Unidos e do Canadá. Além disso, nos estúdios da Rádio Nacional, gravaram estrelas como Franciso Alves, Dalva de Oliveira, Emilinha Borba, Marlene e Cauby Peixoto.


Leia também no Diário do Porto:

Prédio-fantasma do INSS assombra Região Portuária

Todas as áreas da cidade têm imóveis abandonado sob risco de ocupação

Os gigantes do Porto: veja as melhores lajes corporativas


Capital Mundial da Arquitetura

O Conselho da União Internacional dos Arquitetos (UIA), reunido em Oaxaca (México), aprovou no dia 18/05, por unanimidade, a indicação do Rio como Capital Mundial da Arquitetura UIA Unesco. A obtenção do título, inédito no mundo, faz parte do programa proposto pela Prefeitura do Rio e pelo Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) para 2020, quando a capital fluminense sediará o 27º Congresso Mundial de Arquitetos. A designação é não só um reconhecimento pelo passado arquitetônico, histórico e cultural, mas uma oportunidade de reflexão e proposição de futuro da arquitetura, do paisagismo, do urbanismo e, consequentemente, das cidades. A secretária de Urbanismo, Infraestrutura e Habitacão Verena Andreatta acredita que o título, que ainda será chancelado pela Unesco, vai trazer mudanças significativas para a cidade com possibilidade de atrair novos investimentos.

“Todos do comitê ficaram bastante impressionados com nossa apresentação. Estamos contente e orgulhosos com a decisão do presidente da UIA. Agora vamos aguardar ansiosos a chancela da Unesco. O título vai trazer muitas possibilidades para a cidade. Foi destacado por eles o profissionalismo da apresentação e nossa qualificação para realizar todo um calendário em 2020 para o Congresso e muitos outros eventos listados por nós como o Fórum Global. Estamos felizes e ansiosos”, disse Verena.

Para o presidente do Comitê Executivo do UIA2020RIO, Sérgio Magalhães, o principal legado para a cidade, com o programa do Rio Capital Mundial da Arquitetura UIA/Unesco, será voltar o olhar das autoridades públicas e da sociedade para os atuais desafios urbanos, em busca da construção de cidades mais justas, inclusivas e sustentáveis. “O programa do Rio Capital Mundial da Arquitetura UIA/UNESCO 2020 pressupõe uma ampla reflexão sobre a questão arquitetônica-urbanística, com a identificação de metas que possam ser traçadas para os marcos de 2025 e 2030, tanto para a cidade do Rio de Janeiro como para o sistema urbano do país como um todo, articuladas com as metas da Unesco e da ONU”, afirmou Magalhães.