Iazzetta: o Porto tem estrutura, e o ritmo é o do mercado | Diário do Porto

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Iazzetta: o Porto tem estrutura, e o ritmo é o do mercado

Em painel sobre a infraestrutura do Porto, Armando Iazzetta abordou a expectativa em excesso, Cdurp apontou fim da crise, e VLT Rio anunciou recorde

10 de dezembro de 2019


Iazzetta e Tarquínio discutem a infraestrutura do Porto (Fotos Fabyane Salles/Clube Empreendedor)


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“Você não pode ter um filho e esperar que, com apenas 3 meses, ele fale, com um ano faça contas e com dois anos escreva um livro de poesias.” Com esta comparação, o executivo Armando Iazzetta, diretor da Odebrecht, abordou o excesso de expectativas que acompanhou o surgimento do Porto Maravilha, a maior Parceria Público Privada urbana do Brasil. Iazzeta foi o palestrante do segundo painel do 1º Fórum de Soluções para o Porto Maravilha, com o tema A infraestrutura do Porto e seus impactos no futuro. Em nenhuma parte do mundo, segundo ele, aconteceu um desenvolvimento tão rápido de uma área revitalizada.

A Odebrecht é acionista da Concessionária Porto Novo, juntamente com a OAS e a Carioca Engenharia, e responsável por alguns ícones da nova fase urbana da Região Portuária, como a construção do Porto Atlântico, onde fica o Novotel, e a do Novo Cais, parceiro do DIÁRIO DO PORTO e do Clube Empreendedor na realização do Fórum. A região, segundo Iazzetta, deve desenvolver-se “de maneira paulatina e gradual, como o mercado manda”. É o que vem acontecendo, o que muitas vezes frustra as expectativas irreais de que, em três ou cinco anos, a área estaria cheia de shoppings e residências.

Apesar da cautela, Iazzetta apresentou números robustos. Foram R$ 13 bilhões de investimentos em infraestrutura e ocupação, com geração de R$ 3 bilhões em impostos, 80% federais. Há 500 mil metros quadrados de novas áreas construídas, 6 mil empregos diretos e 12 mil indiretos, sendo cerca de 10% de mão de obra local. São 675 quartos de hotéis, cinco auditórios e centros de convenções e 25 novas empresas de grande porte na área.

VLT Rio bate recorde

 

VLT em teste na Avenida Marechal Floriano
Linha 3 do VLT começou a operar recentemente: recorde de passageiros

O presidente do VLT Rio, Márcio Hannas, também apontou cenário otimista, anunciando um novo patamar de passageiros alcançado pelo VLT na semana passada: 119 mil passageiros em um dia. O mais animador, segundo ele, é o alto índice de aprovação da população. “Pesquisa que fizemos mostrou 92% de aprovação dos passageiros. Não conheço um único transporte publico no brasil com aprovação tão alta. No início, diziam que o carioca iria inviabilizar o sistema, de tantos calotes, e temos um índice de evasão bem menor do que o esperado, de 11%”, anunciou.

Márcio Hannas, do VLT Carioca
Márcio Hannas: recorde no VLT Carioca

A disputa entre a Prefeitura e o VLT Rio em torno do número mínimo de passagens que o sistema precisa receber para funcionar foi um tema evitado por Hannas e pelo presidente da Cdurp (Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro), Tarquínio de Almeida, que também participou do painel.

Tarquínio começou sua apresentação exaltando a importância do Rio de Janeiro para a imagem do país. Segundo ele, quando um estrangeiro vai listar tudo o que conhece no Brasil, “Brasília é citada lá pelo décimo-terceiro ou décimo-quinto lugar”. Muito antes disso vem Rio, Copacabana, Pão de Açúcar, Cristo Redentor, Corcovado etc, “até o Flamengo, que não é o meu time, vem antes da capital federal”, brincou o presidente.


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Tarquínio elogiou e agradeceu a iniciativa do DIÁRIO DO PORTO e do Clube Empreendedor, de realizar o Fórum, ressaltando a “extrema importância” de discutir o futuro do Porto e fomentar negócios em todos os segmentos na região. Sobre a demanda por segurança, ele apresentou um ponto de vista diferente. Segundo o presidente da Cdurp, a sensação de insegurança continuará existindo enquanto a ocupação demográfica for baixa. “Segurança você alcança com ocupação, movimentação. A presença dos agentes de segurança é até figura decorativa se tiver movimentação de pessoas. O contrário é perigoso. Quando não tem movimentação, o risco aumenta.”

Tarquínio prioriza mão de obra local

O representante da Prefeitura destacou também o compromisso das empresas de priorizarem a contratação de mão de obra local, para melhorar as condições de vida da população da região. Ele elogiou a Gramado Parks, que construiu a roda gigante Rio Star e, em vez dos 10% de trabalhadores locais exigidos pela Cdurp, contratou 30%. “Quando você inclui as pessoas na economia, reduz a chance de ter violência”, insistiu.

Tarquínio de Almeida aponta para mapa do Porto Maravilha
Tarquinio de Almeida, presidente da Cdurp (Foto DiPo)

Tarquínio atribuiu à crise econômica a desaceleração dos investimentos no Porto Maravilha. “Eu trabalho na Prefeitura desde a época em que o prefeito era indicado pelo governador. E nunca vi uma crise maior do que essa que enfrentamos. Tudo parou por causa da crise, e a cidade foi extremamente afetada. Nós perdemos 300 mil postos de emprego de um potencial de 2 milhões, o dobro de São Paulo, que perdeu 350 mil em um mercado de 4 milhões”, comparou, concluindo sua apresentação com uma dose de otimismo. “Foi uma crise incomum, mas, graças a Deus, passou. Estamos hoje em reuniões com a Caixa, que voltou para o jogo, está junto conosco, trabalhando, acreditando que vamos encontrar caminhos para a venda dos Cepacs e que os negócios realmente se realizem na região.”

O presidente da Cdurp disse ainda que espera mudança na legislação para que o Porto possa ter um resort integrado, com um cassino, para gerar trabalho, renda e empregos. “O Porto pode ter um um grande hospital, universidades. Temos de fazer muito isso, trocar ideias, propor, sugerir, discutir e, acima de tudo, acreditar em dias melhores para o Rio de Janeiro e para nossa área de especial interesse urbanístico.”