Inovação

A msg de Hector Gusmão, da Fábrica de Startups, aos jovens das favelas

CEO da Fábrica de Startups, Hector Gusmão se mostra otimista com o Rio e fala da oportunidade aberta pela Escola francesa 42 para os jovens de comunidades

23 de janeiro de 2019
Hector Gusmão, CEO da Fábrica de Startups: otimista com o Rio e o Porto (foto DiPo)

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Para muitos, senão a maioria, não é fácil imaginar a Região Portuária apinhada de empresas de ponta, com gênios da tecnologia trabalhando em edifícios inteligentes e morando em “repúblicas” descoladas como as do Vale do Silício, Califórnia. Um Porto dos sonhos, com menos poluição e violência, e com milhares de jovens da favela muito bem empregados graças à educação. Quem faz este desenho generoso é Hector Gusmão, um jovem de 30 anos que em pouco tempo virou “o cara” do Porto Maravilha. É o interlocutor obrigatório de quem circula ou quer circular no mundo das startups e seus investidores bilionários.

CEO da Fábrica de Startups, Hector Gusmão é “carioca nascido em BH”. Filho de pai guatemalteco e mãe brasileira, chegou ao Rio bebê. Morou na Guatemala, no Vale do Silício e em Portugal, onde conheceu a Fábrica. Abriu a filial brasileira em um latifúndio de 3.200 metros quadrados de um dos melhores edifícios do país, o Aqwa Corporate, debruçado sobre a Baía de Guanabara. É onde Hector lidera sua turma disruptiva, todos mergulhados na missão de selecionar ideias inteligentes para solucionar problemas de empresas gigantes.

Com jeito simples de quem sabe o que está dizendo, Hector Gusmão é pura motivação. Nesta entrevista ao DIÁRIO DO PORTO, ele esbanja generosidade ao falar sobre a Escola 42, francesa, que pode selecionar mais de mil jovens para cursos de inovação e tecnologia no Porto. Hector usa sua própria história para estimular a juventude de favelas, como a da Providência, a acreditar no poder transformador da educação e do trabalho. Ele deixa um recado para a juventude que dá gosto de ouvir.

 

DIÁRIO DO PORTO: O Rio de Janeiro tem jeito?

Hector Gusmão: O que eu mais acredito nessa vida, depois da minha família, é no Rio de Janeiro.

 

DIÁRIO: Você acredita muito na sua família?

Hector: Eu acredito. Nos mais próximos, pelo menos … (risos). O Rio sempre teve jeito, sempre teve à disposição os melhores recursos, naturais e humanos. Se pessoas de fora quiseram explorar e atrapalhar o Rio, é outra conversa. O Rio, por si só, tem jeito. As pessoas estão começando a voltar para resgatar a essência do Rio.

A industria criativa sempre foi muito forte aqui. Se é essa a qualidade da cidade, vamos nos apegar a ela. Por todas as suas qualidades naturais e culturais, o Rio recebe bem os seus turistas. Existe um capital intelectual, um nível de inteligência de relacionamento extremamente bons, que são lideranças ao redor do mundo, e vamos começar a voltar com essas pessoas. Eu converso com muitas delas, e elas não saíram daqui por vontade própria. Ou a violência empurrou ou o mercado de trabalho forçou a pessoa a ir para fora.

 

DIÁRIO: Mas esses dois problemas continuam, tanto a violência quanto o mercado de trabalho em crise.

Hector: Mas os cariocas começam a querer fazer alguma coisa com o Rio. Tenho pelo menos três grupos de cariocas espetaculares de diferentes lideranças, seja de banco, empresa de energia, grande indústria, que se perguntam: o que podemos fazer pelo Rio? Como cariocas mesmo.

E cada vez mais cresce esse apego, essa pegada de fazer o Rio voltar a acreditar. Eu percebo que está havendo um movimento muito forte. Então acredito que o Rio tem jeito, pelas características e recursos que existem aqui. E porque as pessoas estão sensibilizadas para a ideia de que, sem elas, esse negócio não vai para a frente. Como estão aderindo a esse movimento, essa cidade tem jeito.

 

DIÁRIO: A Escola de Chicago, que inspira o ministro Paulo Guedes, trabalha o conceito do “capital humano”, que é a Educação. Os povos com mais Educação agregam mais valor à economia. Nossa fragilidade educacional não impede o desenvolvimento de um mercado de inovação e tecnologia, que demanda inteligência?

Hector: A Educação, no Brasil, é um entrave, sim. No entanto, a politica pode reforçar a ideia da Educação, para que ela seja disseminada em diferentes ambientes sociais, dos mais favorecidos aos menos favorecidos. Assim, você começa a ter suporte para que as empresas venham para cá e para que as empresas que estão aqui cresçam mais.

Isso vai além do conceito tradicional de Educação. É educar através da informação, disseminá-la. A gente faz muito aqui na Fábrica. Como é que você, que tem conhecimento, replica para quem está ao seu lado para que isso vire uma onda? Se você tem conhecimento de marketing, pegue um auditório aqui e promova um evento sobre marketing para que as mais variadas pessoas possam conhecer também, ter capacitação nisso.

A Educação centrada no Estado, de escola, faculdade, é importante, mas há muito mais que podemos fazer. O carioca e o fluminense têm características muito interessantes para serem fortalecidas pela educação. O Brasil é uma das nações com o maior número de empreendedores por habitante. A proporção é absurda.

 

“Somos uma das nações mais

empreendedoras e uma

das menos inovadoras”

 

DIÁRIO: Nessa conta entram os ambulantes, a economia totalmente informal, certo?

Hector: Sim, este é o problema. Ao mesmo tempo em que somos uma das nações mais empreendedoras, somos uma das menos inovadoras. Nosso valor agregado é baixo. Aqui se empreende mais por sobrevivência do que por inovação.

Uma vez um professor de Berkeley veio aqui e nos disse: dificilmente eu vejo um país com tantas características de empreendedor como o Brasil. Do aeroporto ao hotel, ele viu todo tipo de empreendedor. Isso inclui enxergar a oportunidade, como o cara que vende água onde o cliente vai sentir sede, no engarrafamento.

Tem marketing aí, porque o cara estabelece uma comunicação de forma divertida. Tem resiliência, porque o cara está ali no calor insuportável propondo uma solução boa para o cliente. As características do empreendedorismo estão ali. Como pegá-las e fazer tudo isso desaguar no canal certo?

A Fábrica tem esses desafios. Estamos em uma cidade com os índices mais altos de inovação do Brasil, com centros de pesquisa, universidades, o maior número de mestrando por habitante. Eu preciso pegar essas características de economia criativa e transformar em negócios.

 

DIÁRIO: Como a Fábrica de Startups funciona? Ela faz a ponte entre empresas com dinheiro e paga pessoas com boas ideias para resolver os problemas dessas grandes empresas?

Hector: Mais ou menos. Eu não pego o dinheiro dessas empresas, é algo mais valoroso. Eu pego a demanda. Pergunto: qual é o seu problema, grande empresa? Que solução você não encontrou ou levaria muito tempo para encontrar? Além disso, eu pego o apetite dela. A Alliansce Shopping Centers e a Embratel, por exemplo, que estão com a gente, têm uma quantidade de venda absurda. Então eu falo com o apetite dela. Quanto ela está disposta a contratar, a pagar ? Por outro lado, eu pego a startup e vou buscar solução para isso.

Recebi recentemente uma empresa de petróleo e gás. E um pesquisador do parque tecnológico da UFRJ chegou aqui com um case do tamanho dessa mesa (o mesão é enorme!). Quando ele abriu, tinha uma lancha! Ele desenvolveu um hardware de uma lancha autônoma, lotada de censores. A lancha era programada para ir ao alto mar e analisar relevo, profundidade, maré, correnteza. E jogar todos esses dados para a terra. Uma lancha sem pessoa! A indústria de gás está louca atrás desse cara, e ele está no Parque Tecnológico da UFRJ na fase da pesquisa. A dor dele é: me ajuda a saber criar um tino comercial, estruturar o modelo de negócio, saber quem é meu cliente, ter uma marca atrativa para me aproximar das empresas.

Esse meio de campo é a Fábrica que faz. Eu trago esse empreendedor, essa startup, e faço ela criar roupagem, musculatura, para crescer e ter escala suficiente com as grandes empresas que estão aqui.

 

DIÁRIO: O que vocês fazem é um networking com resolutividade grande, é isso?

Hector: Isso. A gente é mais mão na massa. Tenho um time dedicado a estar ali com a startup vendo o resultado e apontando alguns caminhos para a empresa crescer. Hoje temos sete grandes empresas aqui. Brincamos dizendo que, se somar o PIB delas, bate alguns bilhões de reais. Essas sete grandes empresas vão se relacionar com 130 startups que passarão aqui por ano. Hoje estamos no processo de definir os desafios e datas para os programas. As chamadas são em fevereiro, a seleção em março, e em abril começam os programas, com uns dez ou quinze desses empreendedores.

Temos a estimativa de gerar R$ 50 milhões em negócios entre as 130 startups e as grandes empresas. Estamos falando de inovação em sete industrias diferentes. Isso gera oportunidade de criar novos caminhos para o Rio de Janeiro.

 

“É preciso transformar o potencial

criativo em negócios na prática”

 

DIÁRIO: Por que a Fábrica veio de Portugal para o Rio e não para São Paulo, onde há mais empresas e oportunidades? Você já respondeu a isso mil vezes? 

Hector: (Riso) Sim. Viemos exatamente pelo potencial das características da cidade. Eu brinco com colegas de startups e aceleradoras de São Paulo pedindo para mandarem a foto da vista do prédio deles. (risos). Veja a minha! Brincadeiras à parte, o Rio mostrava três características muito fortes de demandas reprimidas que a gente podia ajudar a destravar.

Uma delas é a dos centros de excelência. Não é só a UFRJ. São muitos centros de tecnologia, pesquisa e inovação. Na pesquisa de 2016 da Endeavor sobre cidades empreendedoras, o Rio era a 14ª melhor cidade para se empreender, uma péssima colocação. Dentro dos sete critérios, no de inovação éramos a terceira. Em 2017, subimos para o 6º lugar. Foi a cidade que mais subiu. Já no critério de inovação, fomos para o 1º, ou seja, a cidade mais inovadora do país.

Aqui tem Fiocruz, INT, PUC, centro de inovação da indústria têxtil, robótica, o próprio Senai. Existem muitos recursos aplicados em inovação aqui por conta disso. Por outro lado, o estado do Rio de Janeiro é colocado como a segunda maior indústria criativa do país. São Paulo vence, mas a essência do carioca sempre foi de inovação, de novas tendências. O lifestyle do carioca está muito ligado a isso, à criatividade, ao audiovisual, à indústria de moda. E tem um terceiro aspecto: é o segundo maior PIB do Brasil, você não pode desprezar. 

É preciso transformar esse potencial criativo em negócios na prática. Mas existe um gap grande. Não ter uma aceleradora como a Fábrica, antes, era algo muito errado. Em São Paulo, são muitas. Tem o Bradesco de um lado, com duas, o Itaú com a Cubo, o Google foi para lá e fez algo parecido. 

Eu sou crítico desse modelo brasileiro de concentrar tudo numa cidade só, mas isso é outra discussão. Torço muito para que venham outras Fábricas e que o Porto seja a casa delas.

 

DIÁRIO: O lugar onde estamos resume o dilema do Rio. É um dos melhores prédios do Brasil, entre a Baía de Guanabara poluída, que desperdiça potencial turístico imenso, e o Morro da Providência, refém da violência que também mata o turismo. São dois problemas gigantes do Rio. É possível desenvolver algo grandioso no meio de questões tão graves?

Hector: A gente ama problema. Trinta por cento do tempo da metodologia da Fábrica é focada no problema. Então, se tem muito problema, a agente tá adorando. Um case que eu trago para discussão é o de Israel. É um dos ecossistemas de startups mais desenvolvidos do mundo. É o que chamam de nação empreendedora, com o maior número de startups por habitante.

O ecossistema de startups de Israel se desenvolveu solucionando os problemas grandes do país. Como o desafio de desenvolver a agricultura no meio da escassez do deserto. Até tiraram sal da água do mar! Como é que eu consigo solucionar os desafios de quem vive no meio de uma guerra? Seja com drone, inteligência, “ene” outras avaliações para a defesa de Israel. Se uma nação  empreendedora se desenvolveu resolvendo os próprios desafios, por que a gente não aproveita essas oportunidades?

 


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DIÁRIO: Israel tem capital humano, educação de alta qualidade. E os desafios são, de certa forma, externos, independem da vontade dos israelenses. É o caso da geografia, ou do terrorismo que vem de fora. Aqui no Rio, os problemas não vêm de fora, nós criamos todos. 

Hector: O que, para uma startup, não é problema algum. Hoje no almoço recebi uma ligação do presidente do AquaRio, o Marcelo Szpilman. Estávamos conversando sobre como solucionar o problema grande das redes dos pescadores artesanais que acabam se perdendo no mar e matando milhares de peixes. Isso é um problema grande para a biodiversidade.

Conversando rapidamente, falamos que essas redes têm uma boia e que nelas poderia haver um sensor. E esse sensor pode contribuir para salvar os peixes e ajudar o pescador, que vai saber onde está a rede dele e não vai tomar o prejuízo de perder peixes e rede. São coisas simples que ajudam a resolver problemas grandes.

O Museu do Amanhã mesmo desenvolveu um processo de limpar a água da baía para usar nos painéis de água que eles têm ali. Como é que eu consigo solucionar esses desafios? A Fábrica desenvolveu o programa Cities as a service (Cidades como serviço), para pensar nos desafios da cidade, desenvolver soluções para a população.

Eu aposto que, se a gente desenvolvesse alguma solução que reduzisse ou fosse preditiva à atuação de uma violência, a população pagaria. Se dependesse dela, pagaria R$ 5 ou R$ 10 por mês para uma solução. Ela paga R$ 20 por um Spotfy ou um Netflix! A partir desse princípio, como é que a gente consegue desenvolver os desafios da cidade? A gente gosta de trabalhar com problemas. 

 

Hector Gusmão, CEO da Fábrica de Startups, em balanço feito de orelhão
No ambiente disruptivo da Fábrica de Startups, Hector Gusmão usa Israel como exemplo para o Rio

DIÁRIO: Você acha que a tecnologia pode resolver problemões como a violência e a poluição da Baía?

Hector: A tecnologia é um meio. Empreender, desenvolver soluções, transformar aquilo em algo sustentável, gerar valor para quem tem o problema, para quem empreende. Isso é que resolve o problema que o Rio de Janeiro tem. 

A gente acabou de resolver um problema para o Centro de Operações do Rio sobre chuvas. Uma das startups desenvolveu um sistema super inteligente. Você, com seu celular, tira uma foto de um lugar alagado. A inteligência do aplicativo mede a altura do alagamento, que é cruzada com vários dados, e o C.O.R pode acionar bombeiro etc.

A startup ganha dinheiro nas seguradoras. Elas querem reduzir os problemas na cidade para reduzir os sinistros, e para isso pagam mensalidade para a startup. Veja como empreender é sustentável. Dá para fazer isso com problemas de saúde, segurança, logística.

 

DIÁRIO: O nível educacional é o grande ativo de um país?

Hector: O maior legado que minha mãe sempre falou que deixaria para mim e para meu irmão é a Educação. Eu me conectei com isso quando fui bolsista da PUC, uma universidade com alto nível de educação, e agora enxergo como a Fábrica pode ajudar. Nós lançamos a Escola 42 em 9 de dezembro, e tinham 350 inscritos no evento de lançamento.

A escola tem 450 posições, e pode formar até 3 alunos por estação de trabalho. Poderiam ser quase 1.500 por ano. A capacitação em desenvolvimento de tecnologia é proporcional à da graduação, pois os cursos duram, em média, 3 anos. É um modelo disruptivo, sem professores, com plataforma online. Tem games, design, software etc.

É uma escola voltada para jovens de 18 a 30 anos, o público potencial de um nível de graduação. Em outros lugares onde a Escola 42 está, 85% dos jovens saem e encontram emprego no primeiro ano. Quando falamos de público carente, é disso que ele precisa.

“A Escola 42 tem o engenheiro

e o instalador de janelas

no mesmo lugar”

DIÁRIO: Qual é o público alvo da escola? Que tipo de alunos ela quer?

Hector: Por ser sem fins lucrativos, o aluno não paga. Tem um viés de ressocializar parte dos 11 mil jovens do Morro da Providência e outras comunidades do Porto. O charme da metodologia é colocar o público de qualquer comunidade no mesmo patamar de qualquer público. Não existem provas de Matemática, Ciências ou conhecimentos básicos. Então, o que é avaliado para selecionar o aluno? 

Primeiro, características como colaboração, criatividade, força de vontade. Em segundo lugar, a capacidade lógica de alguém que queira fazer parte, o fato de estar aberto ao aprendizado. Por último, a análise sócio-emocional. Se os pais daquele jovem têm problemas pessoais, mas ele quer muito mudar a história dele, ele tem resiliência. Isso é muito importante. Não importa de onde o cara venha. A Escola 42 tem o engenheiro e o instalador de janelas no mesmo lugar.

É uma oportunidade incrível para o Rio de Janeiro, especialmente para os jovens do Porto. Afinal, estamos no Porto Maravilha e queremos potencializar as chamadas da Escola 42 nas comunidades daqui. Vamos chamar as escolas públicas, queremos dar essa preferência na inscrição para as comunidades do Porto.

 

DIÁRIO: Onde será a escola e quando será aberta? 

Hector: Vai ser a uns 300 metros daqui, perto do AquaRio, e terá uns 3.500 metros quadrados. É um espaço muito grande, com um anfiteatro, e vamos dar oficinas, eventos, dinâmicas, para o publico alvo que a gente quer que ingresse na escola (informações no site 42rio.com.br). Gostaríamos de lançar no primeiro semestre, mas vamos fazer obra, e provavelmente será por volta de novembro.

 

DIÁRIO: O Porto Maravilha tem jeito?

Hector: É claro que sim!  A gente tem muitas discussões e grupos de trabalho sobre isso, e muitas ações para transformar o Porto em um hub de inovação e tecnologia, uma referencia no Brasil. Há trabalhos bem avançados e discutidos para essa ocupação. Esperava-se que o Porto fosse ocupado pela indústria tradicional, mas será pelas empresas que vão ditar o futuro da cidade, as que vão crescer, as startups, as empresas de tecnologia que vão pensar soluções para o mundo.

Estou muito satisfeito com a retomada do Porto dentro de um timing que a gente tinha previsto. Nos últimos meses tivemos notícia da vinda de empresas como Amil, Bocom BBM, a roda gigante, o Bradesco, o dono do Chian fazendo um Centro Gastronômico. Aqui mesmo nesse prédio, o Aqwa Corporate, algumas empresas estão negociando para ocupar vários andares. O negócio está retomando legal por aqui. Só nesse ano vamos ter dois eventos grandes de tecnologia e inovação.

 

“Minha história de vida não é

de garotinho da Zona Sul”

 

DIÁRIO: Construir moradias no Porto é fundamental ou apenas importante? 

Hector: Acho que existe um belo potencial de residencial para um público que vem de fora para trabalhar nas empresas do Centro. O Porto, ao transformar-se em um ambiente de entretenimento, fica muito atrativo para o público jovem em apartamentos pequenos. É o que a gente vê acontecendo lá fora.

Para o nosso negócio em si, seria interessante ter o co-living, as moradias compartilhadas por empreendedores. Eu vivi isso no Vale do Silício. Na mesma casa tinha gente trabalhando no Google, na BMW, no Facebook, na Apple, tipo uma republica pensada, com pessoas boas trocando ideias e potencializando suas ideias.

Nós estamos imaginando um “fabricafofo”, o cafofo da Fábrica de Startups, para os empreendedores de fora do Rio de Janeiro, par que tenham lugar para ficar aqui. 

 

DIÁRIO: Esbarramos de novo na violência. Eles vão se sentir seguros aqui?

Hector: São duas coisas bem distintas, a insegurança e a sensação de insegurança. Aqui eu tenho a sensação de insegurança porque é escuro, tem pouca habitação. Mas eu vivo saindo de noite e nunca vi nada absurdo. Tem uns cantos estranhos quando você vai pegar o Túnel Santa Bárbara, mas nunca vi nada. Quem trabalha aqui está super satisfeito.

 

Hector Gusmão, CEO da Fábrica de Startups
“Gostei muito de ver o presidente da Petrobras assumir falando em transformar o Rio em Houston”, diz Hector Gusmão

DIÁRIO: O Brasil e o Rio vivem a ascensão de forças políticas muito diferentes. Isso é bom ou ruim?

Hector: A expectativa é muito positiva, pelo fato de o mercado ter abraçado bem a mudança no Brasil. Falo tanto dos grandes mercados quanto da Bolsa batendo recorde após recorde. Temos percebido um apetite dos investidores nacionais e internacionais. A sensação de maior segurança de mercado, de fomento ao mercado livre, cria otimismo. 

Se tem alguma coisa que me deixa otimista no Rio de Janeiro é que as principais lideranças desse processo são cariocas. Gostei muito de ver o presidente da Petrobras assumir falando em transformar o Rio em Houston. Esse discurso, que está sendo feito por várias outras pessoas, me deixa otimista.

 

DIÁRIO: Por favor, deixe uma mensagem para os jovens que hoje estão em uma situação difícil nas comunidades do Rio, como o Morro da Providência. 

Hector: A mensagem que eu gostaria de passar a este jovem é que a mudança de vida que ele sempre sonhou, de fato, está na mão dele. Minha história de vida não é de garotinho da Zona Sul e eu sempre soube que poderia mudá-la na parte de Educação. Sabia que poderia me capacitar para ser cada vez melhor, profissionalmente.

Então, a mudança está dentro da pessoa.

É claro que existe a pergunta: entre a sua intenção e a realização do sonho grande, como você faz pra chegar lá? É pela Educação, é buscar o que você não conhece, ser curioso e ter muita ação. Trabalho, dia e noite. Viramos muitas noites para colocar a Fábrica de Startups de pé. Eu tenho 30 anos, meu braço direito, o Bruno, meu amigo, tem 30 anos também. O esforço enorme que a gente teve para colocar isso de pé, qualquer galera da Providência pode ter.

 


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