Vizinha Faladeira | Diário do Porto

Vizinha Faladeira

A Associação Recreativista Escola de Samba Vizinha Faladeira foi fundada em 10 de dezembro de 1932 por David da Silva Neves, no bairro do Santo Cristo. É uma das mas antigas escolas de samba do Brasil e foi a primeira a ter uma comissão de frente e a usar enredos internacionais. Trouxe diversas inovações e novidades para os desfiles carnavalescos, como a introdução do carro alegórico; ala infantil, instrumentos de percussão mais leves e sofisticados.


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Desfile da escola Vizinha Faladeira. Foto: Eliane Carvalho/Riotur


Você deve ter curiosidade sobre a origem do nome divertido dessa escola de samba. Poderia ser “vizinhas faladeiras”. O nome surgiu como ironia a duas moradoras da Rua da América, no Santo Cristo: a “Velha França” e a “Velha do Beco”. Eram conhecidas e afamadas faladeiras das vidas alheias no bairro. A Associação Recreativista Escola de Samba Vizinha Faladeira foi fundada em 10 de dezembro de 1932 por David da Silva Neves, no bairro do Santo Cristo. É uma das mas antigas escolas de samba do Brasil e foi a primeira a ter uma comissão de frente e a usar enredos internacionais.

A Vizinha Faladeira teve grandes momentos e foi responsável por diversas inovações e novidades para os desfiles carnavalescos, como a introdução do carro alegórico, ala infantil, instrumentos de percussão mais leves e sofisticados. Ficou com as atividades paralisadas por 50 anos. Em sua história, destacam-se os enredos sobre contos infantis.

O primeiro desfile foi em 1933. No ano seguinte, com o enredo Malandro Regenerado, a escola apresentou 12 limusines com pessoas bem vestidas formando a comissão de frente. Foi muito aplaudida, conquistando o 6º lugar. Em 1935, com os irmãos Garrido, os melhores cenógrafos da época, apresentou o primeiro carro alegórico do carnaval, um caramanchão sobre rodas, e uma comissão de frente montada a cavalo. Chegou em 4º lugar. No ano seguinte, uma bateria com instrumentos de barrica francesa foi a novidade, e o resultado foi o 6º lugar. 

Uma só bandeira foi o enredo de 1937, uma homenagem às bandeiras nacional e dos estados no ano em que Getúlio Vargas instauraria, em novembro, o Estado Novo. O luxo das sedas das fantasias e das 40 gambiarras com lampiões de carbureto que iluminaram a Praça Onze conquistaram o público e o jurado, e a Vizinha Faladeira foi campeã, pela única vez, da divisão principal do carnaval. Dois anos depois, veio a desclassificação, pelo uso de um tema estrangeiro: Branca de Neve e os 7 Anões.

O troco foi exagerado e acabou privando o carnaval carioca de sua escola mais rica e irreverente. No carnaval de 1940, a Vizinha desfilou normalmente até chegar ao palanque dos julgadores, onde desfraldou uma faixa com os dizeres: “Devido às marmeladas, adeus Carnaval. Um dia voltaremos”. Passou então por trás do palanque dos julgadores. Foi o maior protesto da história das escolas de samba. A Vizinha só voltaria em 1990, meio século depois, tornando-se campeã do Grupo de Acesso, formada por trabalhadores do porto e moradores da região portuária.

Desde então começou um sobe e desce nos grupos A, B, C, D, E. Em 2018, desfilando pela Série B, apresentou o enredo em homenagem ao carnavalesco Paulo Barros, um dos maiores da atualidade, que começou sua carreira na escola.


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