História

Governo promete restaurar Fazenda Colubandê, em S. Gonçalo

Construções da Fazenda Colubandê datam do século 17 e são marco da arquitetura colonial e da presença judaica. Projeto de restauração deve iniciar neste ano

12 de março de 2020
A Fazenda Colubandê é mais um patrimônio histórico do Rio que sofre com o abandono (foto: Governo do Estado / Divulgação)

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Um dos marcos da arquitetura colonial e da presença judaica no Brasil finalmente pode ter um futuro melhor do que o atual abandono. O Governo do Estado promete que irá iniciar obras de restauração da Fazenda Colubandê, em São Gonçalo, ainda no segundo semestre deste ano. A preservação é fundamental também para estudos que ampliem a compreensão sobre a escravidão no país.

As primeiras construções datam do século 17 e até o início do século 18 foram ocupadas por uma família de cristãos-novos, termo usado por Portugal para caracterizar os judeus convertidos ao cristianismo.

Em 1710, a Inquisição prendeu todos os membros da família Vale, proprietária da fazenda, sob a acusação de que continuavam a praticar os ritos judaicos e transferiu a propriedade para o controle dos jesuítas.

Os imóveis foram tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), em 1940. Esse é o mesmo órgão que agora aprovou o projeto de restauração. A promessa do Governo do Estado é de que serão contemplados todos os pontos danificados, com a recuperação das características espaciais e construtivas originais da fazenda.

Ao longo dos tempos, a fazenda teve vários proprietários e no século 19 era considerada uma das mais produtivas do Estado, tendo recebido visitas do imperador Dom Pedro 2º. O Batalhão de Polícia Florestal e de Meio Ambiente da Polícia Militar ocupou o local até 2012.


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Com a saída do Batalhão começou um período de depredação e roubos na propriedade, fruto da indefinição e falta de políticas de preservação nas esferas dos governos Federal, Estadual e Municipal.  Atualmente, a Polícia Militar faz a guarda das construções, que estão sem energia elétrica e sem água há anos.

Acredita-se que o nome Colubandê, estabelecido pelo proprietário Ramirez Duarte Leão, no século 16, seja uma referência às Colinas de Golã, território citado no Velho Testamento, que no século 20 foi controlado pela Síria, até ser conquistado por Israel em 1967. Leão é também o fundador da família Vale, expropriada pela Inquisição, no século 17. Seu nome judaico seria Beijamin Benveniste.

Um grupo de moradores de São Gonçalo criou um movimento para pressionar as autoridades a preservar a fazenda e torná-la um centro cultural e turístico. O coletivo mantém uma página no Facebook seguida por 3,1 mil pessoas: https://www.facebook.com/ocupacaofazendacolubande/