Governo fracassa em novo leilão do edifício A Noite | Diário do Porto


Imóveis

Governo fracassa em novo leilão do edifício A Noite

Ademi-RJ e Sinduscon-Rio atribuem falta de interessados no A Noite ao preço elevado pedido pelo Governo Federal, dono do imóvel

14 de julho de 2022

Governo Federal fracassa em nova tentativa de leiloar o edifício A Noite (Foto: Diário do Porto)

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O edifício A Noite, símbolo da arquitetura art déco na Praça Mauá, no Porto Maravilha, não teve lances em nova tentativa de leilão realizada pelo Governo Federal. Apesar de uma grande construtora ter bancado os custos dos peritos que avaliaram o prédio, o que era indicativo de seu interesse na compra, nem mesmo a construtora fez oferta pelo preço oferecido no pregão eletrônico, R$ 38,5 milhões. Agentes do mercado imobiliário dizem que esse valor ainda é alto para justificar investimentos para futuras reformas. Na tentativa anterior de venda, no ano passado, o lance mínimo havia sido de R$ 73,5 milhões.

Claudio Hermolin, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Rio de Janeiro, diz que é necessário estabelecer o valor do A Noite considerando os custos necessários para sua reforma e transformação de uso. Além disso é preciso considerar que o valor futuro da venda dos imóveis reformados têm que ser compatíveis com o teto pago pelo metro quadrado em área da Região Central da cidade.

“Por diversas vezes sinalizamos que o valor do edifício A Noite precisa levar em consideração os altos custos das intervenções necessárias para reformar e transformar o uso do prédio, além das sucessivas elevações no Índice Nacional de Custo da Construção (INCC). Essa conta não fecha com o valor pedido pela União, pois o preço limite de venda de unidades residenciais no Centro fica entre R$ 9,5 mil e R$ 10 mil por metro quadrado”, afirma Hermolin.

A Noite está sem uso há 10 anos

Para o presidente da Associação dos Dirigentes das Empresas do Mercado Imobiliário no Rio de Janeiro (Ademi-RJ), Marcos Saceanu, qualquer investimento imobiliário exige viabilidade técnica e financeira, principalmente no caso do edifício A Noite, que se encontra vazio há muito tempo.

“O mercado já vinha sinalizando que o valor mínimo pedido pelo Governo Federal nos leilões anteriores estava muito mais alto do que as empresas pagariam diante das necessidades de retrofit. Se o preço estivesse de acordo com a avaliação de mercado, não teriam faltado interessados nesta aquisição”, acredita o presidente da Ademi-RJ.

O A Noite foi desde o seu início um prédio de escritórios de empresas. Durante muitos anos serviu como sede da Rádio Nacional, o principal veículo de comunicação do Brasil até os anos 60 do século passado. A rádio e outros órgãos do Governo Federal foram os últimos ocupantes do prédio, que está sem uso há quase 10 anos. A situação de abandono do edifício contribui para a degradação de seu entorno, causando preocupação a comerciantes e moradores próximos.

O edifício tem 102 metros de altura e 6 elevadores, com 28 mil metros quadrados. Foi projetado pelo arquiteto Joseph Gire, o mesmo do Copacabana Palace. O nome oficial do prédio é o do arquiteto. O edifício passou a ser conhecido por A Noite por sediar o histórico jornal com este nome, ainda nos anos 20 do século passado.

 


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