Saúde

Governo do Rio nega adotar lockdown, isolamento total do Estado

Secretário de Saúde prevê que, em maio, Rio e Brasil viverão colapso, como Itália, Espanha e EUA. Lockdown foi a estratégia da China contra a Covid-19

30 de abril de 2020
O secretário estadual de Saúde, Edmar Santos, diz que, em maio, o Rio viverá um colapso no sistema hospitalar (foto: Agência Brasil)

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Atualizado às 22h

O Governador do Estado do Rio, Wilson Witzel, negou que possa adotar um lockdown, bloqueio total de limites de cidades e divisas estaduais, para o combate ao coronavírus. Essa ideia havia sido admitida pelo secretário estadual de Saúde, Edmar Santos, como alternativa se a curva de crescimento de casos de Covid-19 não diminuir. A estratégia é semelhante à que foi realizada pela China.

Witzel lembrou que, por enquanto, a decisão que tomou foi renovar a quarentena no Estado até 11 de maio.

Dados do próprio Governo apontam que o sistema hospitalar público do Estado já está totalmente ocupado. Ao mesmo tempo a Associação Nacional de Hospitais Privados (ANAHP) informa que nos hospitais privados do Rio a ocupação chegou a 80%.

Com esse quadro, Edmar Santos fez uma previsão sombria e afirmou que o Rio e o Brasil vão entrar em colapso, em maio, de forma semelhante ao que aconteceu na Itália, Espanha e Estados Unidos.

Subnotificação esconde 140 mil casos

Isso vai ocorrer, diz Santos, pois em seus cálculos, para cada caso confirmado de contaminação por coronavírus, existem pelo menos 15 não notificados. Isso elevaria para cerca de 140 mil o total real de contaminados no Estado. Dados oficiais até o dia 29 apontavam 8.869 casos.

“Com essa quantidade de infectados, o mundo mostrou que a gente vai precisar de 21 mil leitos para internação de enfermaria e desses, um terço, cerca de 7 mil, vão precisar de UTI. É humanamente impossível para qualquer sistema de saúde do mundo. A Itália não conseguiu, a Espanha não conseguiu, os Estados Unidos não conseguiu”, afirmou o secretário durante entrevista para a TV Globo.


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O diretor da Sociedade Médica do Estado do Rio de Janeiro (Somerj), Rômulo Capello Teixeira, concorda com a avaliação de que o número de pessoas contaminadas pelo coronavírus vai ser maior do que a capacidade dos hospitais.

“Nossos hospitais estão no gargalo completo. Não temos saída realmente. A nossa capacidade instalada, tanto pública quanto privada, ela não supre essa necessidade e essa demanda”, alertou Capello.

Investigação

Contratos de quase R$ 1 bilhão, feitos pela Secretaria de Estado da Saúde em compras emergenciais para o combate ao coronavírus, estão sob investigação da Polícia Civil, por determinação do governador Wilson Witzel. Há suspeita de fraudes na concorrência para a instalação dos hospitais de campanha.