Gerp: entre dúvidas e paredões, um cenário confuso na eleição do Rio | Diário do Porto


Política

Gerp: entre dúvidas e paredões, um cenário confuso na eleição do Rio

Pesquisa do Gerp para governo do RJ ressalta confusão ideológica envolvendo os 3 candidatos declarados e com chances: Freixo, Rodrigo Neves e Castro

21 de agosto de 2021



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Aziz Filho

A recente pesquisa do Instituto Gerp sobre intenções de voto para governador do Rio retrata as cartas confusas que agitam o pré-2022. O cenário reedita as divisões internas dos blocos ideológicos, um clássico carioca, e indica que o extremismo nascido em 2018 ainda é peso pesado no terceiro maior colégio eleitoral do país. Quem lidera é um não-candidato, que sequer tem domicílio eleitoral no Rio. Provavelmente por ter “general” no nome de guerra, um título que, antes do bolsonarismo, não seria suficiente para eleger vereador o oficial da reserva que vez ou outra virava notícia de pequena importância por fazer declarações de natureza golpista.

O quadro mostrado pelo Gerp, que fez 1.200 entrevistas, aponta nos três primeiros lugares o General Mourão (18%), Eduardo Paes (15%) e Marcelo Freixo (12%). Esquerda e direita trocam de posição conforme a idade dos entrevistados. Entre os mais jovens (18 a 24 anos), Freixo tem 31%, e Mourão, 8%. Entre os eleitores com 60 anos ou mais, o general tem 22%, e o deputado só 5%. Paes empata com Mourão entre os idosos e fica com 12% na faixa mais jovem.  Na divisão por sexo, Mourão lidera o eleitorado masculino (24%), com o dobro das intenções de voto no prefeito (12%) e quase o triplo do deputado Freixo (9%). Entre as mulheres, mais equilíbrio: Paes 18%, Freixo 15%, Mourão 12%.

Castro e Rodrigo empatados no Gerp

Como nem Mourão nem Paes são pré-candidatos assumidos, chama atenção o nome que aparece em seguida, com 7%, nada desprezíveis. É o ex-prefeito de Niterói Rodrigo Neves, embolado com o governador Cláudio Castro, com 6%. Em condições de brigar pelo cargo, Neves e Castro têm pela frente questões de natureza político-ideológicas a serem equacionadas. Neves fez carreira no PT e tem afinidade com o eleitorado lulista, mas Ciro Gomes deve ser o candidato a presidente por seu partido, o PDT, que há muito perdeu a consistência partidária garantida pelo centralismo brizolista.

Nesta semana mesmo, o secretário estadual de Ambiente, Thiago Pamplona, disse no programa Jogo do Poder (CNT) que, se precisar, sai do PDT para fazer campanha pela reeleição do governador. É um expoente do movimento CastroLula. É isso mesmo que o nome sugere: que o governador Cláudio Castro embarque na candidatura – a cada dia mais robusta – do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, abandonando a mina de votos bolsonaristas.

Uma decisão bem difícil de ser tomada, caso Bolsonaro desista de lançar um extremista raiz e queira apoiar a recondução do governador. Foi a onda bolsonarista que empurrou o sinistro e desconhecido Wilson Witzel para o Palácio Guanabara. Como se sabe, Witzel foi afastado sob suspeita de corrupção após brigar com seu ex-ídolo, e, no lugar dele, assumiu Castro.

 


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O governador tem adquirido musculatura exercitando um discurso conciliador e com promessas de obras que encantam o setor produtivo. O principal dirigente do PT no Estado, Washington Quaquá, fala em múltiplos palanques para Lula, inclusive o de Castro, especialmente se o deputado Marcelo Freixo não conseguir o apoio do prefeito Eduardo Paes. Freixo também deve superar o problema que o levou a desistir de ser candidato a prefeito do Rio no ano passado: a falta de alianças com outros partidos.

Lula com Freixo

No esforço para fazer diferente, Freixo trocou o Psol pelo PSB, o que o deixou bem mais solto para articular alianças. Essa semana mesmo foi atrás do prefeito Paes, e há tempos desenvolve uma ligação fortíssima com Lula. Anda de braços dados com petistas bons de voto, como o vereador Lindberg Farias e a deputada Benedita da Silva. Mas as paredes que impedem a expansão de sua influência para fora da capital não são baixas. Uma delas, bem desenhada pela pesquisa do Gerp, fica na margem leste da Baía de Guanabara e parece um paredão: na região de Niterói e São Gonçalo, Rodrigo Neves aparece com 27% na simulação sem Mourão e Paes. É resultado de sua gestão na cidade com mais alta qualidade de vida do Estado. Castro e Freixo ficam bem abaixo, com 12% e 9% respectivamente.

Aliás, neste quadro sem Mourão e Paes, aparentemente o mais factível, os números gerais da pesquisa do Gerp são: Freixo 17%, Rodrigo Neves 12% e Cláudio Castro 11%. Freixo tem 23% na capital e 13% na Baixada, áreas que concentram mais de 60% dos eleitores. Neves tem 14% na capital e 8% na Baixada. O governador tem 10% na capital e 16% na Baixada. Outro indicador que deixa Rodrigo Neves e Cláudio Castro animados é o grau alto de desconhecimento de seus nomes. Quanto menos conhecido o candidato, em tese, mais chance tem de crescer, e menor é a rejeição na largada. Só 34% dizem conhecer Rodrigo Neves, e 50%, Castro. Freixo, segundo a pesquisa divulgada pelo Gerp, já seria conhecido por 74%.

Os índices mais expressivos alcançados por Freixo, líder no quadro sem Paes e Mourão, estão na capital (23%), entre as mulheres (20%), entre os mais jovens (36% entre 18 e 24 anos e 20% entre 25 e 34 anos) e a classe média que ganha de 20 a 30 salários mínimos (38%).

A pesquisa, feita entre 10 e 17 de agosto, também mediu as intenções de voto da deputada Renata Souza, do Psol, que aparece com 3%, do advogado Felipe Santa Cruz (2%) e do deputado Paulo Ganime, do Novo, com 1%. Ainda são muitos os revoltados com tudo isso que está aí: 33% disseram que não votariam em “nenhum deles”. Os que não sabem ou não quiseram responder são 18%.


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