‘Novas Frequências’: Música experimental de 8 países invade o Rio

A 8ª edição do Novas Frequências, principal evento internacional de explorações sonoras da América do Sul, acontece entre os dias 3 e 9 de dezembro

O norte-americano RP Boo, um dos fundadores do footwork, é uma das principais atrações do festival (Foto: Divulgação)
RP Boo, um dos criadores do footwork, é uma das atrações do festival (Fotos de divulgação)

A oitava edição do Novas Frequências, um dos maiores eventos mundiais de música experimental, será entre os dias 3 e 9 de dezembro, no Rio de Janeiro. O festival reúne 21 atrações de oito países  em atividades que incluem shows, performances, instalações sonoras, palestras etc.

O Novas Frequências se espalha pela cidade, e a região central está bem representada, com eventos no MAR – Museu de Arte do Rio, Teatro Odisséia, Gamboa 345 e Aparelho. Passa pelo Oi Futuro no Flamengo, Lab Oi Futuro, Teatro XP Investimentos, Teatro Ipanema, Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto e Manouche.

Na Gamboa, encabeçando as performances noturnas do festival, está o norte-americano RP Boo, um dos fundadores do footwork. É um estilo de música e dança de ritmo sincopado, repetitivo e veloz, neto da house music de Chicago.

Soraya Lutangu é o nome por trás do projeto Bonaventure (Foto: Divulgação)
Soraya Lutangu é o nome por trás do projeto Bonaventure

Com origens europeias (Suíça) e africanas (Congo), Bonaventure (foto) chega ao Novas Frequências com três credenciais simultâneas. Ao mesmo tempo, é aluna formada na plataforma europeia SHAPE e dos incensados coletivos Discwoman e Non Worldwide. Este último, uma mistura transcontinental de gravadora e rede social que usa a internet para lutar contra o silenciamento da cultura africana.

Saskia e Guillerrrmo, a primeira de Porto Alegre e a segunda de Manaus, são filiadas à Coletividade NÁMÍBIÀ. Trata-se de um encontro de pessoas negras ligadas às artes visuais e a música eletrônica.

Finalizando o Novas Frequências, o Galo Preto, um dos produtores e residentes da Rebola. É pesquisador de sonoridades oriundas a partir da diáspora africana e de sons produzidos pela periferia do mundo, o Sul Simbólico. É o afoxé eletrônico narrando os mitos afro-brasileiros.

Saiba mais sobre os artistas

RP Boo (US)

O estadunidense RP Boo (Kavain Space) é um dos nomes por trás do nascimento do footwork. Trata-se de estilo de música que foi disseminado pelo mundo a partir de coletâneas da gravadora inglesa Planet Mu (Bangs & Works). Mesmo frenético, na casa dos 160 BPM para cima, o footwork há muito tempo se delicia com a fluidez, marcando presença em praticamente qualquer coisa – desde batidas de rock à samples de soul music.

Uma das marcas registradas de Boo, além do uso da drum machine Roland R-70 como sua “máquina de cabeceira”, é a completa ingenuidade de seus samples. Como consequência, traz uma função narrativa mais solta. Utiliza sons que remetem a funerais, trompetes, diálogos, etc. Muitas vezes, esses efeitos criam um ambiente de suspense e paranóia, como em um filme de Hitchcock. Em 2018, RP Boo lançou o álbum I’ll Tell you What!.

Os temas centrais do projeto, segundo o próprio, transitam entre “o cosmos, o movimento e a oposição”. Além disso, sugerem que este seja o seu mais autobiográfico trabalho, contando “novas histórias sobre pregar o meu evangelho para fora de Chicago”.

Bonaventure (CH)

Sob o nome artístico Bonaventure, Soraya Lutangu desenvolve armamento sônico projetado para confrontar as estruturas opressoras de poder, contar histórias de violência, indiferença e abuso combinados ao racismo. Bonaventure usa sua música como ferramenta de busca por sua identidade, com iniciativas práticas e especulativas para conectar suas raízes africanas e europeias e investigar as relações humanas.

Em seu primeiro álbum, Free Lutangu, a artista explora temas relacionados ao racismo institucional e à opressão, sentimentos e sensações que a artista vivenciou em primeira mão ao crescer em Lausanne, na Suíça. “Eu não faço música por hobby. Estou apenas preparando armas para poder falar com pessoas brancas”, afirma Bonaventure, considerada pela revista e website The Fader como “uma das novas vozes mais vitais do mundo”.

A participação de Bonaventure no NF se dá via <<Incidências Sonoras, a plataforma de música experimental & arte sonora do programa COINCIDENCIA>>.

Galo Preto (BR)

Galo Preto é DJ, produtor e idealizador do projeto Rebola. Trata-se de uma festa performática carioca que propõe uma dialogia entre arte contemporânea e cultura afro-brasileira-iorubá. Sua pesquisa musical se dá a partir de sua educação desde criança na cultura nagô.

Sempre interessado em sua ancestralidade nordestina e afro-brasileira, Galo Preto pesquisa sonoridades oriundas da diáspora africana e das culturas iorubá e árabe: atabaques e outros instrumentos africanos misturados com batidas eletrônicas, regionalismos tropicais e “arabilidades”, unindo contemporâneo e ancestralidade. Seus sets são como um afoxé eletrônico narrando os mitos da cultura nagô do Brasil.

Saskia (BR)

Natural de Porto Alegre, a cantora, compositora e produtora musical Saskia produz e grava suas músicas desde 2010. Seu live já colaborou com artistas nacionais (Negro Leo, Letrux e Carne Doce) e diversos selos e coletivos (Hérnia de Discos, Zona, Tropical Twista, Fita, Cerne e Vorlat).

Também já foi editada pelo grupo de artistas da diáspora NON International e faz parte da Coletividade NÁMÍBIÀ, coletivo afro-brasileiro de música, arte e performance baseado em São Paulo. Suas gravações lo-fi utilizam poucos recursos e intercalam linhas melancólicas de guitarra e teclado com beats eletrônicos que transitam entre o trap, o indie, o funk e o folk, quase sempre acompanhados de letras salgadas e vocais amargos. Saskia é a efervescência de muitos gêneros.

Guillerrmo (BR)

Guillerrrmo é um projeto de acid house/techno iniciado em 2014 pela manauara Viviane Mendes. Reunindo influências de disco, electro, house e techno, sua sonoridade viaja entre grooves orgânicos e batidas retas espaciais. Desde 2015, vem compartilhando suas produções pelo Soundcloud, lançando tracks por selos como Tropical Twista Records e coletâneas como a Hystereofonica. Em 2017, se apresentou na festa Mamba Negra e no CCBB SP. Integra a Coletividade NÁMÍBIÀ em São Paulo e o coletivo de festas Keloidal em Manaus.

Serviço:

Festival Novas Frequências

Local: Gamboa 345 – Rua da Gamboa, 345
Data: 8 de dezembro
Horário: 0h
Lote promocional: R$ 20
Nome no mural do evento no Facebook: R$ 30
Na hora: R$ 50
Capacidade: 1000 lugares
Acesso para deficientes: sim
Estacionamento: não
Classificação: 18 anos

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