Galeão é prioridade, dizem Castro e Paes a ministro | Diário do Porto


Economia

Galeão é prioridade, dizem Castro e Paes a ministro

Governador e prefeito exigem que Galeão não seja prejudicado pela privatização do Santos Dumont, em reunião com ministro Tarcísio de Freitas

30 de junho de 2021

RIogaleão e American Airlines se unem pela retomada dos voos para os EUA (Divulgação)

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O governador Cláudio Castro e o prefeito do Rio, Eduardo Paes, foram a Brasília para cobrar providências do ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, para o fortalecimento do Aeroporto Internacional do Galeão. Ambos manifestaram preocupação ao ministro quanto à anunciada privatização do Aeroporto Santos Dumont, cujo modelo definido pelo Governo Federal prejudica o fortalecimento de um hub aéreo no Estado.

Paes e Castro expuseram a Freitas os prejuízos causados ao Galeão pela concorrência predatória do Santos Dumont, o que poderá aumentar caso prossigam os planos de ampliar ainda mais o número de voos no aeroporto central da cidade. Esse é o plano do Ministério da Infraestrutura para atrair investidores ao leilão de privatização, que deve ocorrer no próximo ano.

Galeão será prejudicado para beneficiar aeroportos em Minas

Ao fim da reunião, não foi anunciado nenhum compromisso de que haverá mudança no modelo de privatização, pelo qual o Santos Dumont será vendido como a joia de um pacote com mais 4 aeroportos, sendo 3 em cidades do interior de Minas Gerais e o quarto, em Jacarepaguá.

O ministro se limitou a dizer o Governo do Rio e a Prefeitura devem fazer investimentos para atrair voos para o Galeão. “A ideia é construir conjuntamente uma solução que dê saúde financeira para o Galeão, de forma que ele tenha poder de investimento e possa negociar mais voos. Há margem para a retomada no crescimento do fluxo de passageiros”, resumiu Tarcísio.

‘Haverá dinheiro para isso’

Segundo o ministro, “haverá dinheiro para isso vindo da privatização de vários ativos federais no Estado”, como o próprio Santos Dumont,Nova Dutra, aRio-Teresópolis (BR-116, hoje administrada pela CRT) e trechos ferroviários geridos pela MRS Logística, além de ativos do setor de óleo e gás. As próximas rodadas de concessões de ativos federais, previstas entre o segundo semestre de 2021 e até o fim de 2022, injetarão investimentos privados no Rio.

Por fim, Tarcisio acenou com a possibilidade de conceder mais prazo para a empresa concessionária do Galeão pagar a outorga do aeroporto, que vence em 2022. “Preparamos ainda o reequilíbrio de longo prazo no contrato e estudamos a possibilidade de renegociação da outorga do Galeão, que deve ser paga em 2023, o que dará mais condições negociação à concessionária para atrair voos, stopovers e investimentos”, limitou-se a dizer o ministro.


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Galeão precisa de solução urgente

A comitiva demonstrou especial preocupação com o fato de o Galeão não estar recuperando o movimento de passageiros do pré-pandemia no mesmo ritmo do Santos Dumont. Eduardo Paes foi direto ao ressaltar que a recuperação do Aeroporto Internacional é uma necessidade urgente.

“O Galeão foi idealizado para ser um importante hub internacional no país, além de realizar o transporte de cargas. Por uma série de fatores ele tem perdido atratividade. Temos trabalhado para trazer mais voos internacionais e gerar conectividade para o mundo todo por meio do Rio”, disse.

Para Castro, a reunião foi um primeiro passo importante. “Essa aproximação entre as três esferas de Governo, Federal, Estadual e Municipal, mostra o interesse conjunto na resolução do problema. O Galeão tem sofrido com o esvaziamento e a queda de passageiros nos últimos anos. Nossa missão é fazer dele um hub internacional, e vamos alcançar isso“, destacou o governador.

Tarcísio de Freitas afirmou reconhecer que o Rio é “a nossa principal rota turística” e que “a recuperação do Galeão terá impacto em outras áreas, especialmente no setor do turismo”.

Em declarações anteriores, prefeito e governador foram enfáticos ao dizer que não será admitido o modelo atual proposto pelo Ministério da Infraestrutura, que fortalece o Santos Dumont e não pensa estrategicamente a consolidação de hub aéreo no Galeão. Eduardo Paes chegou a dizer que vai tomar todas as medidas para impedir que isso aconteça.