Galeão e Confins: o que Rio tem a aprender com Minas | Diário do Porto


Editorial

Galeão e Confins: o que Rio tem a aprender com Minas

Mineiros souberam fortalecer Confins. O Galeão precisa ser defendido contra os planos do Governo Federal, que não pensa em hub aéreo para o Rio

30 de dezembro de 2021

Nas próximas semanas, Ministério da Infraestrutura vai começar a trabalhar no edital da nova licitação do Galeão/Santos Dumont (foto: reprodução da Internet)

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Belo Horizonte tem 43 rotas em voos para outras cidades, enquanto o Rio tem 30. Essa conquista dos mineiros é resultado de um investimento em longo prazo para fortalecer o aeroporto internacional de Confins, algo que é política de Estado e atravessa os governos locais há 20 anos. Quando se vê o ataque do Governo Federal ao Galeão, é bom saber que Minas tem muito o que ensinar ao Rio.

A lição mais recente ocorreu em novembro, quando o Governo de Minas privatizou o aeroporto central de Belo Horizonte, a Pampulha, depois de estadualizá-lo e reduzir suas operações ao mínimo, para não prejudicar Confins. Os mineiros sabem muito bem que para ter um aeroporto internacional forte é preciso que ele seja também concentrador dos voos nacionais. Esse é o princípio do hub aéreo, que beneficia e atrai viajantes, além de estimular as operações de comércio exterior, fundamentais para a economia estadual.

Para chegar aí, os mineiros não se curvaram e impuseram sua política ao Governo Federal. O mesmo que agora se prepara para impor ao Rio o vexame de privatizar o aeroporto Santos Dumont como a joia de um pacote em que também são vendidos três aeroportos deficitários do interior de Minas. Ou seja, os mineiros privatizaram Pampulha sem nenhum penduricalho ao comprador. Já o investidor no aeroporto central carioca assumirá a obrigação de financiar a economia dos nossos vizinhos sábios.

Galeão precisa de mais vozes em sua defesa

Para tornar o Santos Dumont mais atraente, o Governo Federal preparou um edital que permite a expansão de suas operações, inclusive com voos internacionais. Um ataque que estrangula ainda mais o Galeão e só beneficia os aeroportos internacionais dos outros Estados. Ou seja, o Rio que já foi a porta do Brasil, cada vez mais se encaminha a ser uma janela lateral do quarto de dormir (permitam essa referência à linda música mineira).

A resistência no Rio contra os desmandos do Governo Federal, do Ministério da Infraestrutura e da Anac tem sido grande, destacando-se as atuações da Assembleia Legislativa, Fecomércio RJ, Associação Comercial e da Firjan.  Mas falta uma participação mais ativa e uníssona, principalmente da bancada do Estado no Congresso Nacional. Lá, a voz mais aguerrida em defesa do Galeão e do hub aéreo do Rio tem sido a do senador Carlos Portinho.

Há quem esteja fazendo cálculos eleitorais para 2022 pensando em agradar a Bolsonaro e equipe, deixando os interesses do Rio em segundo plano. A história já mostrou que a sociedade não perdoa os covardes. Também não é preciso ter ousadias irresponsáveis. É bom aprender com os mineiros a perseverar no longo prazo.


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